Zema critica Renan Santos e disputa pelo eleitor de direita esquenta na corrida presidencial

Zema critica Renan Santos e disputa pelo eleitor de direita esquenta na corrida presidencial

Pré-candidato do Novo afirma que fundador do MBL não tem experiência em gestão pública e o compara a uma “metralhadora giratória”; Renan rebate, diz que ex-governador vive crise de identidade política e intensifica disputa pelo eleitor antissistema.

A disputa pelo eleitor de direita ganhou novos capítulos nesta semana com a troca de críticas entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, e Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato pelo partido Missão.

Durante entrevista ao canal “Derrubando Muros”, Zema minimizou o crescimento de Renan Santos nas pesquisas de intenção de voto e afirmou que o adversário ainda não possui experiência administrativa para ocupar o cargo de presidente da República.

Segundo o ex-governador mineiro, a ausência de vivência na gestão pública faz com que Renan apresente propostas que, na sua avaliação, seriam difíceis de colocar em prática.

“Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos”, afirmou Zema.

O pré-candidato do Novo acrescentou que considera faltar ao adversário um histórico de realizações na administração pública.

“Um histórico de entrega e currículo de entrega me parece que falta a ele. Tudo o que um político fez no Brasil parece estar errado para ele. Quando estiver do outro lado do balcão, aí as coisas mudam.”

Zema questiona desempenho de Renan nas pesquisas

Durante a entrevista, Romeu Zema também comentou os levantamentos eleitorais que mostram Renan Santos em crescimento.

Segundo o ex-governador, parte desses resultados decorre de pesquisas realizadas pela internet, que, em sua avaliação, não representam integralmente o eleitorado brasileiro.

Apesar da observação, Zema afirmou considerar natural a existência de novas candidaturas.

“Estamos numa democracia. Todos têm direito de ser candidatos.”

Levantamento da Quaest divulgado em junho apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 29%. Na mesma pesquisa, Renan Santos apareceu com 3%, empatado com Ronaldo Caiado, enquanto Romeu Zema registrou 2%, dentro da margem de erro.

Renan rebate e diz que Zema perdeu espaço

As declarações ocorreram poucos dias após Renan Santos criticar o ex-governador durante evento realizado em Belo Horizonte.

Na ocasião, o fundador do MBL afirmou que Zema representava o antigo perfil do Partido Novo, mas que atualmente estaria sem espaço dentro da própria legenda.

Segundo Renan, o ex-governador nunca foi verdadeiramente um outsider da política.

“Ele era um empresário de fora da política, mas não era fora do sistema em Minas. É um cara da elite mineira, bem relacionado e amigo das pessoas certas.”

Renan também afirmou que o grupo econômico ligado a Zema teria se fortalecido durante sua gestão no governo mineiro.

Disputa pelo eleitor antissistema

O embate entre os dois pré-candidatos ocorre porque ambos buscam ocupar um espaço semelhante no cenário eleitoral: o eleitor que procura uma alternativa aos principais polos da disputa presidencial.

Enquanto Romeu Zema tenta repetir o discurso que o levou ao governo de Minas Gerais em 2018, apresentando-se como gestor liberal e defensor da redução do tamanho do Estado, Renan Santos aposta no forte alcance nas redes sociais e no discurso de renovação política para ampliar sua presença nacional.

Nos últimos meses, Renan passou a aparecer com maior frequência nas pesquisas eleitorais, tornando-se um concorrente direto de Zema na disputa pelo eleitor de direita que busca uma candidatura alternativa.

Renan também faz críticas a Nikolas Ferreira

Durante o mesmo evento em Belo Horizonte, Renan Santos direcionou críticas ao deputado federal Nikolas Ferreira, afirmando que pretende disputar espaço com lideranças conservadoras nas redes sociais.

Segundo Renan, sua estratégia inicial é consolidar uma base eleitoral entre eleitores que votaram em branco, nulo ou desejam escapar da polarização política. Apenas em um segundo momento, segundo ele, pretende buscar votos do eleitorado hoje identificado com Flávio Bolsonaro.

Campanha ainda em fase inicial

Embora a corrida presidencial ainda esteja em sua fase inicial, a troca de declarações demonstra que a disputa pelo campo da direita e do eleitor considerado antissistema tende a se intensificar nos próximos meses.

Com perfis distintos, mas mirando parte do mesmo eleitorado, Romeu Zema e Renan Santos devem continuar protagonizando embates à medida que o processo eleitoral avança e as pesquisas indicam a consolidação ou mudanças nas intenções de voto.

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