
đș Governo muda o foco e acelera o âPL da Globoâ apĂłs crĂticas Ă operação no Rio
Projeto impĂ”e novas taxas a streamings e redes sociais, reacendendo debate sobre controle estatal e financiamento pĂșblico da cultura. Planalto tenta redirecionar a pauta apĂłs repercussĂŁo negativa da megaoperação policial.
Menos de uma semana depois da polĂȘmica operação policial no Rio de Janeiro â que deixou dezenas de mortos e acendeu discussĂ”es sobre o uso da força e a segurança pĂșblica â o governo Lula decidiu trocar o assunto em alta. A nova prioridade em BrasĂlia Ă© o Projeto de Lei 8.889/2017, apelidado nos bastidores de âPL da Globoâ, que cria novas regras e tributos para plataformas de streaming e redes sociais.
O texto, relatado pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), prevĂȘ a criação da Condecine-Streaming, uma taxa que pode chegar a 4% sobre a receita bruta anual de plataformas como Netflix, Disney+ e Amazon Prime Video, alĂ©m de 2% para serviços de compartilhamento de vĂdeos, como o YouTube. Os valores arrecadados iriam para o Fundo Setorial do Audiovisual, responsĂĄvel por financiar produçÔes culturais com verba pĂșblica.
AlĂ©m dos tributos, o projeto estabelece cotas obrigatĂłrias de conteĂșdo brasileiro â 10% dos catĂĄlogos em atĂ© oito anos â e determina que as plataformas deem destaque para produçÔes nacionais em seus algoritmos e interfaces. TambĂ©m inclui a exigĂȘncia de que canais pĂșblicos, como TV CĂąmara, TV Senado e EBC, sejam carregados obrigatoriamente nos serviços de vĂdeo.
Nos bastidores, a movimentação Ă© vista como uma tentativa do Planalto de mudar o foco do debate pĂșblico apĂłs a repercussĂŁo da operação no Complexo do AlemĂŁo e da Penha, classificada por Lula como âdesastrosaâ e âuma matançaâ. A estratĂ©gia seria trazer Ă pauta temas culturais e econĂŽmicos, mais alinhados com a base do governo e com os interesses de grandes grupos midiĂĄticos.
Empresas e analistas, porém, enxergam o projeto como um retrocesso. Para o setor privado, a medida aumenta a carga tributåria e fortalece um modelo de financiamento cultural dependente do Estado, dificultando a liberdade criativa e o investimento privado.
Produtoras independentes â incluindo a Brasil Paralelo â afirmam que o projeto pune quem jĂĄ investe no audiovisual brasileiro, ao transferir recursos para um sistema considerado burocrĂĄtico e politizado.
Em meio Ă crise de imagem gerada pela operação no Rio, o governo parece tentar virar a pĂĄgina, mas o novo projeto promete abrir outra frente de polĂȘmica â desta vez, com gigantes da tecnologia e o prĂłprio mercado cultural.