
đ° FlĂĄvio Dino manda AGU agir contra mau uso de emendas e cobra devolução de dinheiro pĂșblico
Ministro do STF quer responsabilização de servidores e entidades envolvidas em desvios e superfaturamentos; relatĂłrio da CGU aponta falhas e prejuĂzo superior a R$ 15 milhĂ”es.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) FlĂĄvio Dino determinou que a Advocacia-Geral da UniĂŁo (AGU) abra processos para responsabilizar civil e administrativamente os agentes pĂșblicos envolvidos no uso irregular de emendas parlamentares. A decisĂŁo foi tomada nesta terça-feira (11), apĂłs a Controladoria-Geral da UniĂŁo (CGU) apresentar um relatĂłrio apontando uma sĂ©rie de irregularidades em repasses para ONGs e entidades do terceiro setor.
Segundo Dino, a ordem busca reaver o dinheiro mal aplicado em obras e serviços defeituosos, desvios para fins pessoais e gastos com entidades consideradas inidĂŽneas. O ministro foi categĂłrico: âĂ preciso devolver aos cofres pĂșblicos o que foi indevidamente usadoâ.
O relatĂłrio da CGU mostra falhas graves na gestĂŁo desses recursos: descriçÔes confusas nos planos de trabalho, metas mal definidas, cronogramas alterados e atĂ© contrataçÔes de empresas ligadas aos prĂłprios dirigentes das ONGs beneficiadas â um claro conflito de interesses.
Para Dino, o quadro Ă© alarmante: âHĂĄ um cenĂĄrio de fragilidade na execução das emendas, marcado por ausĂȘncia de governança, contratos irregulares e controle deficienteâ. As perdas estimadas ultrapassam R$ 15 milhĂ”es.
Mesmo reconhecendo avanços desde os primeiros relatĂłrios, o ministro alertou que ainda hĂĄ brechas que favorecem a opacidade. âNĂŁo Ă© aceitĂĄvel que, enquanto se tenta acabar com o âorçamento secretoâ, surjam novas manobras para burlar as determinaçÔes do STFâ, criticou.
Dino mandou que o relatĂłrio da CGU fosse encaminhado Ă PolĂcia Federal, para reforçar inquĂ©ritos jĂĄ em andamento e abrir novas investigaçÔes. O Congresso Nacional e o governo federal tĂȘm 30 dias para se manifestar sobre o caso.
AlĂ©m disso, a Casa Civil, comandada por Rui Costa, recebeu prazo de 60 dias para padronizar as portarias que liberam recursos â uma medida que visa coibir distorçÔes entre os ministĂ©rios. JĂĄ a CGU deverĂĄ instaurar, em atĂ© 15 dias, processos administrativos para punir os responsĂĄveis pelos desvios.
No fim das contas, o recado de Dino Ă© direto: dinheiro pĂșblico nĂŁo Ă© propriedade privada de polĂtico nem ONG de fachada. Quem desviou, superfaturou ou fez vista grossa vai ter de explicar â e, se preciso, devolver atĂ© o Ășltimo centavo.