
đš AviĂ”es da FAB, viagens sigilosas e o silĂȘncio oficial: o STF a bordo sem prestar contas
Lista de passageiros serå mantida em sigilo por cinco anos sob justificativa de segurança; Barroso lidera uso das aeronaves em 2024, com Moraes e Gilmar voando com familiares.
Desde 2023, o governo Lula passou a ceder aeronaves da Força AĂ©rea Brasileira (FAB) para o transporte de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, quem embarca nesses voos Ă© uma informação guardada a sete chaves: os nomes dos passageiros sĂŁo mantidos sob sigilo por um perĂodo de cinco anos, com a justificativa de proteger os magistrados contra possĂveis ameaças, especialmente apĂłs os ataques de 8 de janeiro.
Dados obtidos pela Folha de S.Paulo, via Lei de Acesso Ă Informação, revelam que o STF lidera os pedidos de uso das aeronaves, com pelo menos 154 viagens registradas atĂ© fevereiro de 2025. O ministro Alexandre de Moraes aparece com destaque nas estatĂsticas â morando em SĂŁo Paulo e com atividades na USP, ele Ă© um dos principais usuĂĄrios da ponte aĂ©rea BrasĂliaâSĂŁo Paulo.
Embora existam regras claras para o uso dos aviĂ”es da FAB, o Supremo tem aproveitado brechas na legislação para permitir que outros integrantes do tribunal, alĂ©m do presidente, usufruam do transporte. O Tribunal de Contas da UniĂŁo (TCU) autorizou o sigilo sobre as viagens, argumentando questĂ”es de segurança â e essa decisĂŁo virou um escudo para evitar qualquer tipo de transparĂȘncia sobre quem entra e sai das aeronaves oficiais.
Quem lidera o ranking de voos em 2024 Ă© o ministro LuĂs Roberto Barroso, com nada menos que 215 viagens. Outros ministros tambĂ©m recorrem frequentemente aos aviĂ”es da FAB, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que, inclusive, costumam embarcar acompanhados de suas esposas.
A falta de divulgação tem levantado crĂticas de especialistas em transparĂȘncia pĂșblica. Para eles, o sigilo pode atĂ© fazer sentido antes do voo, por segurança, mas nĂŁo se sustenta depois que a viagem jĂĄ aconteceu. O STF, por sua vez, sustenta que estĂĄ agindo dentro da legalidade, com base nas normas vigentes. O MinistĂ©rio da Justiça reforça o argumento, citando “gravĂssimas ameaças” contra os ministros como justificativa para o uso continuado das aeronaves da FAB.
Mesmo diante das crĂticas, o silĂȘncio permanece â e os voos seguem decolando.