Após condenação no STF, Eduardo Bolsonaro pede a Trump retomada de sanções contra Alexandre de Moraes

Após condenação no STF, Eduardo Bolsonaro pede a Trump retomada de sanções contra Alexandre de Moraes

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro faz apelo ao presidente dos EUA para reativar punições com base na Lei Magnitsky e promete anistia caso Flávio Bolsonaro vença as eleições de 2026

Um dia depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a recorrer ao apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em vídeo publicado nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu que Washington volte a aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator de processos envolvendo aliados do bolsonarismo.

Falando em inglês e afirmando estar em Dallas, no Texas, Eduardo fez um apelo direto ao líder americano.

“Presidente Trump, por favor, retome a Magnitsky”, disse o ex-parlamentar em referência à Lei Magnitsky, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para impor sanções contra indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção. Alexandre de Moraes chegou a ser alvo desse tipo de medida no ano passado, mas as restrições foram posteriormente retiradas.

Condenação no STF motivou nova ofensiva internacional

A manifestação ocorreu um dia após a Primeira Turma do Supremo condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de multa de R$ 165 mil, no processo relacionado à trama golpista.

Em sua publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou que as mesmas autoridades que, segundo ele, o perseguem, seriam contrárias aos valores defendidos pela administração Trump, como liberdade de expressão, democracia e Estado de Direito.

O ex-deputado também declarou que não teve acesso aos detalhes da decisão judicial porque estaria nos Estados Unidos e não teria sido formalmente notificado. Segundo ele, as informações que possui são provenientes da imprensa e das redes sociais.

Eduardo aposta em Flávio Bolsonaro para reverter condenações

No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirmou acreditar que tanto ele quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro serão anistiados caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial de 2026.

“Vamos eleger Flávio Bolsonaro presidente do Brasil para restaurar nossas boas relações não apenas com os Estados Unidos, mas com as democracias ao redor do mundo”, declarou.

A fala ocorre em meio à intensificação das disputas políticas envolvendo a família Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.

Para justificar o pedido de novas sanções, Eduardo listou uma série de episódios envolvendo decisões do ministro Alexandre de Moraes. Entre eles, mencionou o bloqueio de recursos da Starlink no Brasil, medidas contra usuários da plataforma X (antigo Twitter), a detenção do empresário americano Jason Miller em um aeroporto brasileiro e a recente decisão da Justiça italiana relacionada ao pedido de extradição da deputada licenciada Carla Zambelli.

Segundo o ex-deputado, essas ações representariam uma ameaça à liberdade de expressão e aos princípios democráticos.

Trump comentou condenação e confundiu filhos de Bolsonaro

As declarações de Eduardo coincidiram com comentários feitos por Donald Trump durante a cúpula do G7. Ao falar sobre o cenário político brasileiro, o presidente americano afirmou ter tomado conhecimento de que um “Bolsonaro Jr.” teria sido preso ou estaria sendo alvo de perseguição.

Na declaração, Trump acabou confundindo os filhos do ex-presidente. Eduardo foi condenado pelo STF, enquanto Flávio Bolsonaro é senador e apontado por aliados como possível candidato à Presidência da República em 2026. Não existe, porém, nenhum integrante da família conhecido oficialmente como “Bolsonaro Jr.”.

Trump também afirmou que o Brasil se tornou um país “politicamente perigoso”, declaração que provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula reage e manda recado aos Estados Unidos

Ao comentar as declarações do líder americano, Lula afirmou que Trump pode continuar nutrindo simpatia pela família Bolsonaro, mas advertiu que assuntos eleitorais brasileiros pertencem exclusivamente ao Brasil.

“Ele pode gostar do Bolsonaro, do pai, do filho ou do neto. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições brasileiras são problema dos brasileiros”, declarou o presidente.

As trocas de declarações entre Brasília e Washington acrescentam um novo componente às tensões diplomáticas e políticas em torno das eleições de 2026, enquanto o embate entre aliados de Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal continua ganhando repercussão internacional.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags