Moraes revoga tornozeleira eletrônica de Bismark Fugazza após mais de três anos de cumprimento de medidas cautelares

Moraes revoga tornozeleira eletrônica de Bismark Fugazza após mais de três anos de cumprimento de medidas cautelares

Ministro do STF também suspendeu o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, mas manteve restrições como a proibição de usar redes sociais e de deixar a comarca sem autorização judicial

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou duas medidas cautelares impostas ao youtuber Bismark Fábio Fugazza, integrante do canal Hipócritas e investigado no contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023.

A decisão, tomada na quinta-feira (16/7), determinou a retirada imediata da tornozeleira eletrônica utilizada pelo youtuber e também suspendeu a obrigação de recolhimento domiciliar durante o período noturno e aos fins de semana.

Fugazza havia sido preso em 2023, sob suspeita de incentivar atos de violência contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o STF. Em maio daquele ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a revogação da prisão preventiva. No mês seguinte, Moraes autorizou a saída da prisão, mas determinou a aplicação de medidas cautelares.

Desde então, o youtuber estava submetido a uma série de restrições judiciais.

Decisão considera mais de três anos de cumprimento das cautelares

O pedido de revogação das medidas foi apresentado pela defesa de Fugazza poucos dias antes da decisão de Moraes. Os advogados argumentaram que o investigado vinha cumprindo integralmente as determinações judiciais havia mais de três anos, sem registros de descumprimentos e sem ter sido condenado no processo.

Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes considerou que houve uma mudança no cenário que havia justificado a manutenção das medidas cautelares.

Segundo o ministro, o cumprimento prolongado das determinações judiciais, sem registro de descumprimentos graves, justificava uma nova avaliação da necessidade de manter o monitoramento eletrônico e o recolhimento domiciliar.

Com base nesse entendimento, Moraes determinou que a Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa de Santa Catarina providenciasse a retirada imediata do equipamento de monitoração.

Outras restrições continuam em vigor

A decisão, porém, não encerrou todas as medidas cautelares impostas a Bismark Fugazza.

O ministro manteve outras restrições anteriormente determinadas pela Justiça. Entre elas está a proibição de utilizar redes sociais, além da obrigação de permanecer na comarca sem autorização judicial para eventual deslocamento e a proibição de manter contato com outros investigados relacionados aos atos de 8 de janeiro.

Na prática, Fugazza deixa de ser submetido ao monitoramento eletrônico e ao recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, mas continua sujeito a limitações consideradas necessárias enquanto o processo permanece em andamento.

A decisão também não representa absolvição ou encerramento da investigação. O youtuber continua sendo investigado e, conforme destacado na própria defesa, ainda não há condenação contra ele no processo.

Investigação começou após publicações e suspeitas de incentivo à violência

Bismark Fugazza tornou-se alvo das investigações depois de ser acusado de incentivar atos de violência contra autoridades e instituições, incluindo o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal.

O youtuber chegou a ser preso preventivamente em 2023. A prisão, contudo, foi posteriormente substituída por medidas cautelares após manifestação da PGR e decisão de Moraes.

Desde então, o cumprimento das restrições passou a ser um dos principais argumentos da defesa para pedir a flexibilização das medidas.

A defesa sustentou que, ao longo de mais de três anos, Fugazza respeitou as determinações impostas pela Justiça e não registrou descumprimentos. Para os advogados, a ausência de condenação e o cumprimento regular das cautelares justificavam a retirada da tornozeleira e das demais limitações relacionadas ao recolhimento domiciliar.

Fugazza comemora decisão e fala em respeito às instituições

Após a decisão, Bismark Fugazza divulgou uma nota comemorando a revogação das duas medidas.

O youtuber afirmou ter recebido a decisão com “serenidade e gratidão” e destacou que, durante mais de três anos, teria cumprido rigorosamente todas as determinações judiciais.

Fugazza também ressaltou que não houve, segundo sua manifestação, qualquer descumprimento das medidas e que ele ainda não foi condenado no processo.

Para o youtuber, a decisão de Moraes reconhece que o período de cumprimento das cautelares deve ser considerado na avaliação da necessidade de manutenção das restrições.

Ele afirmou ainda que sempre agiu com respeito às instituições.

Decisão ocorre em meio à revisão de medidas cautelares

A revogação das medidas impostas a Fugazza ocorre em um momento em que decisões do STF também vêm reavaliando restrições aplicadas a outros investigados e réus relacionados aos atos de 8 de janeiro.

No caso específico do youtuber, Moraes fundamentou a decisão no cumprimento prolongado das cautelares e na ausência de notícias de descumprimentos graves.

O episódio mostra que, embora o ministro mantenha medidas rígidas em processos relacionados à tentativa de golpe e aos atos antidemocráticos, as cautelares podem ser revistas quando o cenário processual se altera e o investigado demonstra cumprimento prolongado das ordens judiciais.

Assim, Bismark Fugazza deixa de usar a tornozeleira eletrônica e não precisa mais permanecer em casa durante a noite e nos fins de semana. Ao mesmo tempo, continua submetido a outras restrições, especialmente relacionadas à atividade nas redes sociais, à circulação e ao contato com outros investigados.

A decisão representa uma flexibilização parcial das medidas impostas ao youtuber, mas não encerra o processo nem elimina as demais obrigações judiciais que continuam em vigor.

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