AtlasIntel: corrupção e criminalidade dominam preocupações dos brasileiros às vésperas das eleições

AtlasIntel: corrupção e criminalidade dominam preocupações dos brasileiros às vésperas das eleições

Pesquisa aponta que segurança pública, tráfico de drogas e desvios de recursos públicos aparecem entre os principais temores da população; cenário reforça debate político sobre combate ao crime e integridade das instituições

Levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostra que brasileiros enxergam corrupção e violência como os maiores desafios do país. Índices de risco político indicam preocupação com novos escândalos, avanço de facções criminosas e instabilidade institucional

A poucos dias do início oficial da campanha eleitoral de 2026, a percepção dos brasileiros sobre os principais problemas do país coloca corrupção, criminalidade e economia no centro do debate público. Pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, revela que esses temas superam áreas tradicionais de preocupação, como saúde, educação e desemprego.

O levantamento mostra que a população brasileira chega ao período eleitoral com forte preocupação relacionada à segurança pública e à atuação das instituições. Entre os entrevistados, a criminalidade e o tráfico de drogas aparecem como um dos principais problemas nacionais, enquanto a corrupção mantém posição de destaque no ranking das maiores inquietações.

A pesquisa ouviu 5.021 brasileiros com mais de 16 anos, entre os dias 22 e 27 de julho, utilizando a metodologia Atlas Random Digital Recruitment (RDR). A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

Segurança pública aparece no topo das preocupações

Segundo os dados divulgados, 61,3% dos entrevistados apontaram criminalidade e tráfico de drogas como um dos maiores problemas do Brasil atualmente. O resultado coloca a segurança pública como o principal fator de preocupação entre os brasileiros.

O avanço das organizações criminosas, o aumento da sensação de insegurança e os impactos do tráfico de drogas aparecem como elementos centrais na avaliação da população.

Logo depois, a corrupção foi citada por 57,5% dos entrevistados, indicando que o combate aos desvios de recursos públicos continua sendo uma das principais demandas da sociedade.

economia e inflação aparecem em terceiro lugar, com 22% das respostas, mostrando que o custo de vida e o poder de compra permanecem relevantes, embora abaixo das questões relacionadas à violência e à corrupção.

Entre os outros temas avaliados, saúde e educação também aparecem entre os cinco maiores problemas apontados pelos brasileiros.

Corrupção ganha espaço no debate político

O resultado da pesquisa ocorre em um momento de forte exposição de denúncias envolvendo órgãos públicos e investigações parlamentares.

Em levantamentos anteriores da AtlasIntel, a corrupção chegou a aparecer como a principal preocupação nacional. Uma pesquisa divulgada em março apontou que 59,9% dos entrevistados consideravam a corrupção o maior problema do país, em meio à repercussão da CPMI do INSS, que investigava suspeitas de irregularidades envolvendo descontos e fraudes contra beneficiários da Previdência.

O cenário fortalece o discurso de candidatos que pretendem explorar temas como transparência, fiscalização dos gastos públicos e combate a esquemas ilícitos durante a campanha eleitoral.

Índice de risco político revela preocupação com instabilidade

Além de identificar os problemas mais preocupantes, a pesquisa AtlasIntel avaliou a percepção dos brasileiros sobre riscos políticos para os próximos seis meses.

O chamado Índice de Risco Político considera três fatores:

  • criminalidade e corrupção;
  • instabilidade institucional;
  • conflitos sociais.

Entre esses pontos, criminalidade e corrupção receberam a maior percepção de risco, com 61 pontos.

A instabilidade institucional apareceu com 36 pontos, enquanto conflitos sociais registraram 19 pontos.

O levantamento também perguntou quais acontecimentos seriam considerados mais prováveis no futuro próximo.

Segundo os dados:

  • 47% dos entrevistados consideram muito provável o surgimento de grandes fraudes ou esquemas de corrupção nos próximos seis meses;
  • 36% acreditam ser muito provável o aumento de ataques ou assassinatos relacionados a facções criminosas;
  • 32% apontam possibilidade de crescimento de furtos e assaltos;
  • 25% avaliam como provável que o governo tenha dificuldades para formar maioria no Congresso Nacional.

Menor preocupação está ligada a golpe de Estado e violência policial

Na outra ponta do levantamento, alguns temas tiveram baixa preocupação entre os entrevistados.

Entre os assuntos menos citados estão:

  • violência policial, com cerca de 3% das respostas;
  • estradas, portos e aeroportos, com 0,6%;
  • mudanças nos valores tradicionais, com 0,5%;
  • migração e controle de fronteiras, com índice próximo de zero.

A pesquisa também indicou que cenários como golpe de Estado, paralisações de grandes centros urbanos, protestos violentos com depredação de patrimônio público e destituição do presidente são considerados menos prováveis pela maioria dos participantes.

Segurança pública entra como tema estratégico nas eleições

O resultado da pesquisa acontece em um momento de preparação para a disputa eleitoral de 2026. A campanha oficial começa em 16 de agosto, quando candidatos, partidos e federações passam a poder realizar propaganda eleitoral, comícios, caminhadas, divulgação na internet e outras atividades autorizadas pela Justiça Eleitoral.

Com a aproximação da corrida presidencial e das disputas estaduais, segurança pública e combate à corrupção devem ocupar espaço central nos discursos dos candidatos.

Especialistas em comportamento eleitoral avaliam que temas ligados à violência, custo de vida e confiança nas instituições costumam influenciar diretamente a escolha dos eleitores, especialmente em períodos marcados por denúncias, investigações e crises políticas.

O levantamento da AtlasIntel/Bloomberg indica, portanto, um eleitorado preocupado com a capacidade do Estado de garantir segurança, controlar organizações criminosas e preservar a integridade das instituições públicas.

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