
BTG/Nexus: Lula mantém vantagem, mas Flávio Bolsonaro encurta distância e disputa segue aberta para outubro
Nova pesquisa mostra redução da vantagem de Lula no primeiro turno e empate técnico no segundo turno dentro da margem de erro. Levantamento também revela alto índice de decisão do eleitorado e níveis elevados de rejeição aos dois principais candidatos.
A corrida pelo Palácio do Planalto segue marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13), mostra que Lula continua numericamente à frente, mas a diferença para o adversário diminuiu no primeiro turno e permanece tecnicamente empatada no eventual segundo turno.
O levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de julho com 2.003 eleitores de todas as regiões do país, indica que a disputa continua extremamente competitiva a menos de três meses da eleição. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07981/2026.
Lula lidera no primeiro turno, mas vantagem diminui
Na simulação para o primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34%.
Na pesquisa anterior, divulgada no fim de junho, Lula tinha 42%, contra 34% de Flávio, uma vantagem de oito pontos. Agora, a diferença caiu para seis pontos percentuais, mostrando leve aproximação do candidato do PL.
Os demais candidatos aparecem bem distantes dos dois líderes:
- Romeu Zema (Novo): 4%;
- Ronaldo Caiado (PSD): 5%;
- Renan Santos (Missão): 4%;
- Joaquim Barbosa (DC): 2%;
- Augusto Cury (Avante): 2%;
- Aécio Neves (PSDB): 1%;
- Cabo Daciolo (Mobiliza): não pontuou.
Brancos, nulos ou aqueles que afirmam não votar em nenhum candidato somam 6%, enquanto 3% ainda não sabem em quem votar.
Segundo turno segue indefinido
No cenário mais esperado da disputa, Lula mantém vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro, mas o confronto permanece tecnicamente empatado dentro da margem de erro.
Os números mostram:
- Lula: 47%;
- Flávio Bolsonaro: 44%;
- Brancos, nulos ou nenhum: 8%;
- Indecisos: 1%.
Os percentuais são exatamente os mesmos registrados na pesquisa anterior, indicando estabilidade no principal confronto eleitoral.
Lula venceria outros adversários
O levantamento também simulou outros cenários de segundo turno.
Contra o ex-governador mineiro Romeu Zema, Lula aparece com 47%, enquanto Zema registra 40%.
Já diante de Ronaldo Caiado, o presidente alcança 47%, contra 38% do ex-governador de Goiás.
No cenário contra Renan Santos, Lula amplia ainda mais a vantagem, vencendo por 49% a 35%.
Motivação do voto revela eleitorado dividido
A pesquisa procurou entender o que leva os brasileiros a escolher seus candidatos.
Entre os eleitores de Lula:
- 75% afirmam votar nele porque acreditam ser o candidato mais preparado para governar;
- 19% dizem que o principal motivo é impedir a vitória de Flávio Bolsonaro;
- 6% não responderam ou não souberam explicar.
Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro:
- 62% afirmam que votam nele por considerá-lo o melhor candidato para governar;
- 32% dizem que seu voto tem como principal objetivo derrotar Lula;
- 6% não responderam.
Os dados mostram que, embora o voto útil e o voto por rejeição continuem presentes, a maioria dos eleitores de ambos os candidatos afirma apoiar seu escolhido por acreditar que ele seja o mais preparado para comandar o país.
Maioria afirma que o voto já está definido
Outro dado relevante do levantamento é o grau de consolidação das escolhas do eleitorado.
Segundo a BTG/Nexus:
- 70% afirmam que o voto está decidido e não pretendem mudar de candidato até outubro;
- 29% dizem que ainda podem alterar sua escolha;
- 1% não respondeu.
O resultado indica que a maior parte do eleitorado considera sua decisão consolidada, embora quase um terço ainda permaneça aberto a mudanças durante a campanha.
Rejeição continua elevada
A pesquisa também mediu a rejeição dos principais candidatos.
Flávio Bolsonaro apresenta 50% de rejeição, praticamente estável em relação ao levantamento anterior, quando tinha 51%.
Lula aparece com 46% de rejeição, registrando queda de três pontos percentuais em comparação à pesquisa anterior.
Entre os demais candidatos:
- Aécio Neves: 61%;
- Cabo Daciolo: 44%;
- Romeu Zema: 36%;
- Ronaldo Caiado: 33%;
- Renan Santos: 33%;
- Joaquim Barbosa: 33%;
- Augusto Cury: 30%.
Os números mostram que a polarização continua acompanhada por elevados índices de rejeição, um dos principais fatores que devem marcar a campanha eleitoral.
Polarização permanece, mas cresce espaço para uma terceira via
Quando questionados sobre quem gostariam de ver eleito presidente, os entrevistados responderam:
- 36% preferem a reeleição de Lula;
- 32% desejam um candidato apoiado por Jair Bolsonaro;
- 27% afirmam preferir um nome que não esteja ligado nem ao presidente Lula nem ao ex-presidente Bolsonaro.
Esse último grupo cresceu seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, indicando aumento do eleitorado que demonstra interesse por uma alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo.
Cenário segue competitivo
A nova pesquisa BTG/Nexus confirma que a disputa presidencial continua concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Embora o presidente mantenha a liderança nas simulações de primeiro e segundo turno, a redução da vantagem no primeiro turno e a estabilidade do empate técnico no segundo indicam que a eleição permanece aberta.
Com cerca de três meses até a votação, a campanha ainda deverá ser influenciada por fatores como desempenho econômico, debates, alianças partidárias, decisões judiciais e a evolução do cenário político nacional, elementos que poderão consolidar ou alterar as tendências apontadas pelo levantamento.