
Boulos critica presidente do Banco Central e chama gestão de Gabriel Galípolo de “decepção”
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirma que Gabriel Galípolo demorou para reduzir a taxa de juros e diz que atuação do Banco Central ficou “muito aquém” das expectativas do governo Lula.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez duras críticas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante entrevista concedida ao portal Metrópoles. Segundo o ministro, a condução da política monetária pelo chefe da autoridade monetária tem sido uma “decepção” e ficou abaixo das expectativas do governo federal, especialmente no que diz respeito à redução da taxa básica de juros.
As declarações foram feitas na quarta-feira (8), quando Boulos afirmou que o fato de Galípolo ter sido indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não impede que sua atuação seja alvo de críticas.
Boulos diz que atuação do Banco Central ficou abaixo do esperado
Durante a entrevista, Guilherme Boulos declarou que esperava uma postura mais firme do presidente do Banco Central para acelerar o processo de redução da taxa Selic.
Segundo o ministro, os juros atuais continuam excessivamente elevados e dificultam tanto o crescimento econômico quanto o acesso ao crédito por empresas e consumidores.
“Não é porque o Galípolo foi indicado pelo governo do Lula que nós não vamos criticar a atuação dele. Tem que ser criticado. Muito abaixo. Esses juros são escorchantes. Deveria ter começado a baixar antes, deveria ter baixado mais”, afirmou.
Boulos acrescentou que Lula escolheu Gabriel Galípolo justamente com a expectativa de que o novo presidente do Banco Central conduzisse uma política monetária mais favorável ao crescimento da economia brasileira.
Na avaliação do ministro, mesmo com a economia apresentando crescimento médio superior a 2% ao ano durante o atual governo, os juros elevados continuam limitando investimentos, consumo e geração de empregos.
Críticas atingem diretamente Gabriel Galípolo
Ao longo da entrevista, Boulos direcionou suas críticas diretamente ao presidente do Banco Central.
Segundo ele, a atuação de Gabriel Galípolo ficou “muito aquém do que poderia ser” para estimular a economia nacional.
O ministro também rejeitou o argumento de que a manutenção dos juros elevados seria consequência apenas das pressões do mercado financeiro.
“Eu acho que a atuação do Banco Central, também sob o comando do Galípolo, ficou muito aquém do que poderia ser para estimular a economia brasileira e reduzir as taxas de juros”, declarou.
Juros elevados afetam famílias e empresas, diz ministro
Boulos afirmou que a taxa básica de juros impacta diretamente a vida da população, tornando o crédito mais caro e dificultando desde financiamentos de imóveis até compras realizadas no cartão de crédito.
Segundo ele, programas voltados à renegociação de dívidas, como o Desenrola, ajudam parte da população, mas não resolvem o problema estrutural caso os juros permaneçam elevados.
“O trabalhador, para fazer uma compra no crédito, acaba pagando juros extremamente altos no rotativo do cartão”, afirmou o ministro.
Brasil segue entre os maiores juros reais do mundo
Durante a entrevista, também foi mencionado que o Brasil continua figurando entre os países com as maiores taxas de juros reais do planeta, segundo levantamento das consultorias Lev Intelligence e MoneYou.
Nesse cenário, o governo enfrenta o desafio de conciliar o controle da inflação com a necessidade de estimular investimentos, consumo e crescimento econômico.
As declarações de Guilherme Boulos evidenciam um movimento incomum dentro do próprio governo, já que as críticas foram dirigidas ao presidente do Banco Central indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrando insatisfação com o ritmo da política de redução dos juros conduzida por Gabriel