Caso Banco Master: PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro em investigação sobre supostas vantagens e influência política

Caso Banco Master: PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro em investigação sobre supostas vantagens e influência política

Relatório da Polícia Federal revela contatos frequentes, encontros no Senado, presentes de alto valor e benefícios oferecidos a familiares do senador petista; Jaques Wagner afirma estar tranquilo e diz que provará sua inocência

Investigação coloca relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima no centro do caso

A Polícia Federal identificou uma relação de proximidade entre o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, e o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga”, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Os detalhes da investigação vieram a público após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirar o sigilo de documentos relacionados à apuração que envolve a chamada Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, foram identificadas 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima em um período de aproximadamente 18 meses, entre novembro de 2023 e maio de 2025. As conversas, feitas principalmente por WhatsApp, somariam mais de cinco horas e meia de comunicação.

Para a PF, a frequência dos contatos indicaria uma “relação de proximidade” entre o parlamentar e o executivo ligado ao Banco Master.

Suposta articulação política em assuntos de interesse do Banco Master

De acordo com os documentos policiais, Augusto Lima seria o elo entre o senador baiano e os interesses do grupo financeiro comandado por Daniel Vorcaro.

A investigação apura se Wagner teria atuado politicamente em temas que tramitavam no Congresso Nacional e que poderiam beneficiar o banco, incluindo discussões relacionadas ao aumento da margem para empréstimos consignados.

A PF investiga a hipótese de que, em troca dessa suposta atuação, teriam ocorrido vantagens econômicas envolvendo um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de repasses que somariam aproximadamente R$ 3,5 milhões para empresas ligadas a familiares do senador.

Os investigadores ressaltam que a apuração está em andamento e que os fatos ainda precisam ser confirmados judicialmente.

Mensagens revelam relação pessoal entre Wagner e Augusto Lima

Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens trocadas entre Augusto Lima, Jaques Wagner e pessoas próximas.

Segundo o relatório, Lima teria convidado Wagner e familiares para uma visita à Ilha da Paixão, no litoral da Bahia, oferecendo uma aeronave particular para o deslocamento.

Em uma troca de mensagens citada pelos investigadores, familiares do senador demonstrariam proximidade com o empresário.

A PF também analisou conversas envolvendo Daniel Vorcaro, nas quais o ex-banqueiro mencionaria a imagem de proximidade do Banco Master com integrantes do governo.

Em um dos diálogos, Vorcaro teria afirmado que essa aproximação funcionaria como estratégia de divulgação para fortalecer a instituição.

A Polícia Federal afirmou que essa relação política teria sido intermediada principalmente por Augusto Lima, devido à proximidade dele com Wagner e outros nomes ligados ao cenário político baiano.

Vinhos, ingressos e presentes investigados pela PF

Outro ponto destacado no relatório envolve a entrega de presentes considerados de alto valor.

A PF afirma que Augusto Lima mantinha uma prática de distribuição de “lembranças de final de ano” para políticos considerados relevantes na Bahia.

Entre os itens estavam garrafas de vinho com valores entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil.

Segundo a investigação, os presentes teriam sido destinados a:

  • Jaques Wagner (PT-BA);
  • Rui Costa (PT-BA), ex-governador da Bahia e atual integrante do governo federal;
  • Jerônimo Rodrigues (PT-BA), governador da Bahia;
  • Bruno Reis (União Brasil), prefeito de Salvador;
  • ACM Neto (União Brasil);
  • Antônio Rueda (União Brasil).

A PF informou que os brindes teriam sido enviados, mas destacou que os demais políticos citados nessa parte do relatório não são investigados no inquérito divulgado.

Ingressos para shows também aparecem na investigação

Outro benefício analisado pela Polícia Federal envolve ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift.

Segundo o relatório, Augusto Lima teria intermediado a compra de entradas para familiares de Jaques Wagner.

A investigação aponta:

  • dois ingressos adquiridos em agosto de 2023, no valor total de R$ 63.339;
  • cinco ingressos de camarote em novembro de 2023, avaliados em aproximadamente R$ 3.500.

A PF calculou que os benefícios relacionados aos ingressos chegariam a cerca de R$ 66.839.

Encontros no gabinete do Senado entram no relatório

A investigação também identificou conversas sobre reuniões entre Jaques Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador em Brasília.

Um dos episódios analisados ocorreu em abril de 2024, quando Wagner teria conversado com “Guga” sobre uma reunião envolvendo o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Segundo a PF, em uma mensagem de áudio, Wagner teria sugerido que o encontro ocorresse em seu gabinete por considerar o local mais discreto.

Os investigadores encontraram no celular de Augusto Lima um registro relacionado ao contato de Jorge Messias, mas sem mensagens trocadas entre eles.

Messias negou ter participado de qualquer reunião com Augusto Lima no gabinete de Wagner e não é investigado no caso.

Jaques Wagner reage: “Estou tranquilo e vou provar minha inocência”

Após a divulgação das informações, Jaques Wagner afirmou que está tranquilo diante da investigação.

O senador, que pretende disputar a reeleição ao Senado em 2026, declarou que confia na Justiça e que pretende demonstrar sua inocência.

A defesa do parlamentar afirma que os contatos e relações citados pela PF fazem parte da atividade política e que não houve qualquer irregularidade.

Operação Compliance Zero segue em andamento

A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo operações financeiras e possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.

O caso envolve nomes do setor financeiro e políticos, mas a divulgação dos documentos pelo STF não representa condenação ou comprovação de crimes contra os investigados.

A Polícia Federal continua analisando documentos, mensagens, movimentações financeiras e possíveis conexões entre empresários e agentes públicos para esclarecer a origem e o destino dos recursos investigados.

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