
PF aponta encontros no gabinete de Jaques Wagner com gestores do Banco Master e investiga relação com executivos
Documentos liberados pelo STF detalham mensagens, reuniões e supostas articulações envolvendo o senador petista e integrantes da instituição financeira
A Polícia Federal (PF) identificou mensagens e registros de encontros que, segundo a investigação do chamado caso Banco Master, indicariam uma relação próxima entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e executivos ligados à instituição financeira. Os dados foram revelados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte do inquérito que apura possíveis irregularidades envolvendo o banco.
De acordo com a PF, as informações foram encontradas em dispositivos apreendidos durante a investigação e incluem conversas entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Os investigadores afirmam ter localizado diálogos em que o senador teria sugerido seu próprio gabinete no Senado como local para reuniões consideradas “mais protegidas e discretas”.
Reunião no Senado e participação de autoridades
Segundo a Polícia Federal, uma das conversas analisadas ocorreu em abril de 2024, quando Jaques Wagner e Augusto Lima tratavam da organização de um encontro que teria como possível participante o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Em uma mensagem de áudio atribuída ao senador, Wagner teria afirmado que seu gabinete seria o local mais adequado para a reunião por oferecer maior discrição.
A PF registrou que o encontro teria relação com interesses estratégicos e regulatórios do Banco Master. No entanto, não há confirmação de que Jorge Messias tenha participado da reunião.
O advogado-geral da União negou envolvimento. Em declaração, afirmou que nunca esteve em reunião com Augusto Lima no gabinete de Jaques Wagner no Senado.
Investigação sobre relação com o Banco Master
A apuração da PF busca esclarecer se houve influência política, recebimento de vantagens indevidas ou atuação irregular em favor de interesses ligados ao banco.
Os investigadores também analisam uma série de contatos entre Wagner e executivos da instituição financeira, incluindo ligações telefônicas, encontros e movimentações relacionadas a propostas legislativas de interesse do Banco Master.
Entre os temas citados está a chamada “Emenda Master”, relacionada a mudanças no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de discussões envolvendo negociações do banco.
Suspeitas e defesa do senador
A Polícia Federal investiga se eventuais benefícios recebidos pelo senador poderiam estar relacionados à sua atuação política. Entre os pontos analisados estão encontros com executivos, uso de aeronaves ligadas a empresários investigados e possíveis vantagens oferecidas a pessoas próximas.
Jaques Wagner afirma estar tranquilo diante das investigações e nega qualquer irregularidade. O senador declarou que pretende demonstrar sua inocência e que todas as suas relações ocorreram dentro da legalidade.
Até o momento, a investigação não resultou em condenação contra o parlamentar. A abertura do inquérito e as diligências realizadas pela PF fazem parte de uma fase de apuração para verificar a existência ou não de crimes.
STF acompanha investigação
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal devido ao foro por prerrogativa de função do senador. A decisão de liberar informações do processo foi tomada pelo ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do inquérito.
A investigação continua em andamento, com análise de documentos, mensagens, registros financeiros e outros elementos coletados pelos investigadores.
O Banco Master e os envolvidos citados no procedimento também são alvos de apurações relacionadas a possíveis irregularidades financeiras, segundo os documentos divulgados pela Polícia Federal.