
Defesa de Lulinha pede que PF conclua investigação sobre suposta ligação com “Careca do INSS”
Advogado afirma que não há indícios contra o filho de Lula e cobra o encerramento do inquérito antes do prazo indicado pela Polícia Federal
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, aumentou a pressão pelo encerramento da investigação que apura uma possível ligação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O pedido ocorre enquanto a Polícia Federal (PF) avança nas investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No primeiro relatório final da apuração, a corporação indiciou 48 pessoas.
Segundo a defesa, porém, não existem elementos que justifiquem a continuidade da investigação envolvendo Lulinha.
O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que o filho do presidente não possui relação direta ou indireta com as irregularidades investigadas e defendeu que o caso seja arquivado o quanto antes.
“Ele não tem relação direta ou indireta com absolutamente nenhum malfeito do INSS”, afirmou o advogado.
Defesa diz que Lulinha se colocou à disposição da PF
De acordo com o advogado, Lulinha teria sido colocado à disposição da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal para prestar esclarecimentos, mas não foi chamado para ser ouvido.
A defesa também solicitou uma reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para apresentar os argumentos de que não haveria justa causa para a continuidade da investigação.
O encontro, no entanto, ainda não ocorreu. Segundo as informações divulgadas, a agenda do diretor-geral foi afetada por uma viagem internacional.
A defesa argumenta que a ausência de novas diligências concretas contra Lulinha reforça a necessidade de encerramento do procedimento.
PF afirma que análise de dados deve continuar em 2027
Em manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal informou que ainda precisa compilar, cruzar e analisar informações obtidas por meio da quebra de sigilos de Lulinha e de materiais apreendidos durante a Operação Sem Desconto.
A corporação indicou que essa etapa da investigação deverá avançar apenas no próximo ano.
A PF explicou que a prioridade atual está concentrada em pessoas presas ou submetidas a medidas cautelares. Como Lulinha responde ao procedimento em liberdade e sem restrições judiciais, a análise do material relacionado a ele acabou ficando em uma posição posterior na ordem de trabalho dos investigadores.
Investigação apura possível relação com o “Careca do INSS”
A investigação busca esclarecer se houve algum tipo de relação entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes, empresário apontado como uma das figuras investigadas no esquema de fraudes envolvendo descontos não autorizados em benefícios do INSS.
A apuração faz parte da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário envolvendo entidades responsáveis por cobranças de mensalidades diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
A Polícia Federal afirma que o esquema pode ter causado prejuízos de bilhões de reais aos beneficiários do sistema previdenciário.
Embora Lulinha seja citado no contexto da investigação, a defesa nega qualquer envolvimento dele com as fraudes e afirma que não existem elementos que sustentem uma acusação.
Caso ocorre em meio à investigação sobre fraude no INSS
A PF já apresentou um primeiro relatório final relacionado a um dos núcleos investigados e indiciou 48 pessoas.
A corporação ainda pretende aprofundar as apurações sobre outras associações, empresas e suspeitos que possam ter participado do esquema.
O material produzido pela Polícia Federal está sob análise do Supremo Tribunal Federal e deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República, que avaliará a existência de elementos suficientes para eventual apresentação de denúncias.
Até o momento, o fato de uma pessoa ser investigada ou ter sido mencionada em uma apuração não significa condenação ou comprovação de crime.
Defesa quer evitar que investigação se prolongue durante período eleitoral
A permanência do inquérito envolvendo Lulinha também tem repercussão política. O caso ocorre em um momento de forte disputa eleitoral e pode manter o nome do filho do presidente no centro do debate público.
Aliados do governo avaliam que a demora na conclusão da investigação prolonga as suspeitas e oferece munição para críticas da oposição.
Por outro lado, a Polícia Federal sustenta que ainda precisa analisar o material obtido nas diligências antes de concluir definitivamente a apuração.
A defesa de Lulinha, entretanto, insiste que a investigação deve ser encerrada antes do prazo inicialmente indicado pela PF e afirma que não há elementos que comprovem qualquer participação do filho de Lula nas irregularidades investigadas.