
Deolane Bezerra é indiciada em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Polícia aponta relação da influenciadora com operador financeiro da facção e investiga movimentações milionárias sem origem comprovada
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação explosiva envolvendo o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (29) o relatório da Operação Vérnix e decidiu indiciar a empresária por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa.
Segundo os investigadores, Deolane teria ligação próxima com Everton de Souza, conhecido pelos apelidos “Player” e “Temer”, apontado pelas autoridades como operador financeiro do PCC e responsável por movimentar recursos ligados à cúpula da organização criminosa.
O caso ganhou grande repercussão após a polícia afirmar que o suspeito atuava diretamente na distribuição de dinheiro para integrantes ligados a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder da facção criminosa no país.
Polícia aponta movimentações suspeitas e depósitos milionários
De acordo com o relatório policial, a investigação identificou transferências financeiras consideradas incompatíveis e sem justificativa legal clara envolvendo empresas suspeitas de funcionar como fachada para lavagem de dinheiro.
A apuração aponta que Deolane recebeu depósitos feitos por uma transportadora investigada por supostamente ocultar recursos da facção criminosa. Segundo a polícia, Everton de Souza atuaria como administrador indireto da empresa e teria orientado operações financeiras destinadas à influenciadora.
Documentos apreendidos durante as investigações mostrariam comprovantes de depósitos que chegaram a R$ 24,5 mil diretamente para contas ligadas à advogada.
Além disso, a polícia afirma que, entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie sem comprovação formal da origem do dinheiro.
A defesa da influenciadora sustenta que os valores seriam referentes à atuação profissional dela como advogada e nega qualquer participação em atividades criminosas.
Relação com operador do PCC chamou atenção da polícia
Outro ponto que pesou no indiciamento foi a proximidade entre Deolane e Everton de Souza. Segundo o relatório, a influenciadora teria atuado como representante legal do investigado em alguns processos judiciais e aparecido como testemunha em casos envolvendo o suspeito.
Além disso, depoimentos de ex-integrantes da facção e publicações em redes sociais teriam reforçado, na visão dos investigadores, a existência de uma relação próxima entre ambos.
A polícia também afirma que Everton frequentava eventos familiares ligados à influenciadora, algo que passou a ser considerado relevante dentro das apurações.
Operação Vérnix mira estrutura financeira do PCC
A Operação Vérnix foi criada para desmontar esquemas financeiros ligados ao PCC e identificar empresas utilizadas para ocultação patrimonial e circulação de dinheiro ilícito.
O relatório final foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que agora deverá analisar os pedidos feitos pela Polícia Civil.
Entre as medidas solicitadas estão o bloqueio de veículos apreendidos, guarda judicial de joias, relógios de luxo e aprofundamento da análise patrimonial dos envolvidos.
Os investigadores também pediram compartilhamento das informações com a Polícia Federal para apuração de possíveis crimes tributários e financeiros em âmbito federal.
Novas fases da investigação não estão descartadas
Mesmo após o indiciamento, a investigação ainda está longe de ser encerrada. A polícia informou que celulares, documentos, joias e outros materiais apreendidos seguem sob análise pericial.
A expectativa dos investigadores é que os novos dados possam revelar outros envolvidos no esquema e abrir caminho para futuras fases da operação.
O caso aumenta ainda mais a pressão sobre Deolane Bezerra, que nos últimos meses passou a enfrentar uma sequência de investigações envolvendo patrimônio, movimentações financeiras e supostos vínculos indiretos com integrantes do crime organizado.
Enquanto isso, a defesa da influenciadora segue negando irregularidades e afirma que provará na Justiça a legalidade das atividades financeiras da empresária.