
Mistério em Heliópolis: polícia investiga se corpos enterrados em SP são de produtores ligados ao funk
Quatro cadáveres foram encontrados em área usada pela Sabesp e investigação apura ligação com funcionários da DK Produções
Um cenário cercado de mistério, medo e silêncio tomou conta de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, após a descoberta de quatro corpos enterrados em uma área de proteção ambiental próxima aos conhecidos “prédios redondos”. A Polícia Civil agora trabalha para identificar as vítimas e investigar se elas têm ligação com uma produtora de funk que registrou desaparecimentos nos últimos dias.
Os corpos foram encontrados em um terreno utilizado pela Sabesp, na região de Cidade Nova Heliópolis. Três cadáveres foram localizados inicialmente na segunda-feira (25), enquanto o quarto corpo foi encontrado no dia seguinte, ampliando ainda mais a tensão em torno do caso.
Segundo informações preliminares da investigação, os corpos estavam enrolados em cobertores e enterrados em pontos distintos do terreno, o que reforçou a suspeita de que a área possa estar sendo utilizada como um possível cemitério clandestino.
Polícia investiga ligação com funcionários da DK Produções
A principal linha de investigação aponta que ao menos três das vítimas podem ser funcionários da DK Produções, empresa conhecida no cenário do funk paulista e que já trabalhou com artistas como MC Mirella e Tati Zaqui.
De acordo com relatos obtidos pela polícia, uniformes ligados à produtora teriam sido encontrados próximos ao local onde os cadáveres estavam enterrados. Apesar disso, as identidades ainda não foram oficialmente confirmadas pelas autoridades.
Familiares dos desaparecidos começaram a ser ouvidos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso. Um dos funcionários teria desaparecido na quinta-feira (21), enquanto outros dois sumiram no dia seguinte.
O clima entre parentes e amigos das possíveis vítimas é de desespero e apreensão, enquanto aguardam o resultado da perícia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML).
Área já havia registrado descoberta de outro corpo
O caso ganhou contornos ainda mais assustadores após a revelação de que, no fim de 2025, outro corpo já havia sido encontrado enterrado na mesma rua.
Na ocasião, agentes da Guarda Civil Metropolitana perceberam sinais suspeitos no terreno, como pedras recém-colocadas e marcas recentes de ferramentas no solo. Agora, investigadores tentam descobrir se os episódios possuem ligação e se a região vem sendo usada sistematicamente para ocultação de cadáveres.
Testemunhas citam possível ligação com o tráfico
Nos bastidores da investigação, testemunhas levantaram a suspeita de que as mortes possam ter relação com disputas envolvendo o tráfico de drogas na região.
Heliópolis é considerada uma das maiores comunidades de São Paulo e historicamente enfrenta desafios relacionados à atuação do crime organizado. Apesar disso, a polícia ainda trata a hipótese com cautela e afirma que nenhuma linha de investigação foi descartada até o momento.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso segue sendo investigado como homicídio e que equipes do DHPP continuam realizando diligências para identificar as vítimas e esclarecer as circunstâncias das mortes.
Sabesp acompanha investigação
Em nota oficial, a Sabesp informou que está colaborando integralmente com as autoridades policiais e permitindo o acesso das equipes periciais à área onde os corpos foram encontrados.
“O local segue sob perícia e todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para auxiliar as investigações”, informou a companhia.
Enquanto a polícia tenta montar o quebra-cabeça do caso, moradores da região convivem com o medo e a insegurança diante da descoberta macabra que chocou São Paulo e levantou novas preocupações sobre violência, desaparecimentos e atuação do crime organizado nas periferias da capital.