Erika Hilton declara patrimônio de R$ 15,9 mil ao TSE, enquanto salário de deputada supera R$ 46 mil

Erika Hilton declara patrimônio de R$ 15,9 mil ao TSE, enquanto salário de deputada supera R$ 46 mil

Deputada do PSol-SP informou saldo bancário e aplicações de renda fixa; valor declarado caiu cerca de 20% em relação a 2022, quando patrimônio era de quase R$ 20 mil

A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) apresentou à Justiça Eleitoral uma declaração de patrimônio de R$ 15.975,73 para disputar a reeleição em 2026. O valor consta dos dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e representa uma redução de aproximadamente 20% em relação aos R$ 19.989,96 declarados pela parlamentar nas eleições de 2022.

A declaração de bens integra a documentação exigida para o registro das candidaturas e fica disponível para consulta pública por meio do sistema DivulgaCand, administrado pela Justiça Eleitoral.

Embora exerça atualmente um mandato na Câmara dos Deputados, Erika Hilton declarou possuir um patrimônio relativamente pequeno em comparação com a remuneração do cargo. O subsídio bruto mensal de um deputado federal é de R$ 46.366,19, enquanto a remuneração líquida informada na reportagem fica em torno de R$ 33,8 mil, após os descontos obrigatórios.

O que Erika Hilton declarou ao TSE

A maior parte do patrimônio informado pela deputada em 2026 está concentrada em dinheiro mantido em conta bancária e investimentos de renda fixa.

Segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral, os bens são:

  • R$ 13.602,14 em conta-corrente na Caixa Econômica Federal;
  • R$ 1.745,00 em aplicação de renda fixa, na modalidade CDB/RDB, pelo Nubank;
  • R$ 329,03 aplicados no Tesouro Direto por meio do Nubank;
  • R$ 299,56 em aplicação RDB no Nubank.

Somados, os valores correspondem aos R$ 15.975,73 declarados pela parlamentar.

A composição do patrimônio também mudou em relação à declaração apresentada quatro anos antes. Em 2022, Erika havia informado R$ 19.985,45 em aplicações financeiras, enquanto mantinha apenas R$ 4,51 em conta-corrente.

Na nova declaração, portanto, a maior parcela dos recursos aparece concentrada na conta bancária, e não nos investimentos.

Patrimônio mudou ao longo das eleições

Os registros eleitorais apresentados na reportagem mostram uma trajetória bastante distinta entre as declarações feitas por Erika Hilton em diferentes eleições.

Em 2016, quando concorreu a um cargo eletivo, a parlamentar teria declarado aproximadamente R$ 1,2 milhão em patrimônio. Já em 2020, não houve declaração de bens. Em 2022, o patrimônio informado foi de R$ 19.989,96.

Agora, em 2026, o montante declarado caiu para R$ 15.975,73.

A comparação, contudo, deve considerar que declarações eleitorais representam o patrimônio informado formalmente pelo candidato à Justiça Eleitoral em determinado momento. A ausência de determinado bem na declaração não permite, por si só, concluir que tenha ocorrido irregularidade, sendo necessário verificar a natureza, a titularidade e a eventual obrigação de declaração de cada item.

Salário e benefícios parlamentares

Erika Hilton exerce mandato de deputada federal e recebe o subsídio estabelecido para os integrantes da Câmara dos Deputados.

O valor bruto mensal informado é de R$ 46.366,19. Depois dos descontos obrigatórios, a remuneração líquida fica em aproximadamente R$ 33,8 mil, segundo os dados reproduzidos na reportagem.

Além do salário, deputados federais podem ter acesso a benefícios e verbas vinculadas ao exercício do mandato, conforme as regras da Câmara, incluindo recursos para despesas relacionadas à atividade parlamentar e, em determinadas situações, auxílio-moradia.

Esses valores, entretanto, não devem ser confundidos automaticamente com patrimônio pessoal. Verbas destinadas ao exercício do mandato possuem regras próprias de utilização e prestação de contas.

Itens de luxo mencionados nas redes sociais

A declaração patrimonial também passou a ser comparada, na reportagem do Terra Brasil Notícias, com imagens de Erika Hilton publicadas em redes sociais.

O texto cita uma bolsa da grife Prada, estimada em aproximadamente R$ 20 mil, além de um par de calçados da mesma marca, avaliado em cerca de R$ 8 mil.

Segundo a publicação, esses produtos não aparecem discriminados entre os bens apresentados pela deputada à Justiça Eleitoral.

A simples ausência de um objeto em uma relação patrimonial, porém, não permite concluir que tenha havido irregularidade. A obrigação de declarar determinado bem depende de fatores como propriedade, valor, natureza do item e regras aplicáveis à declaração eleitoral.

Debate sobre o Fundo Eleitoral

Além da declaração de patrimônio, Erika Hilton também entrou recentemente em uma discussão interna no PSol envolvendo a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Em junho, a deputada afirmou estar “chocada e decepcionada” com os critérios utilizados pelo partido para distribuir os recursos destinados às campanhas eleitorais de 2026.

Erika questionou especificamente a diferença entre os valores previstos para sua candidatura e os destinados a outros nomes da legenda.

Segundo a reportagem, a ex-deputada Manuela D’Ávila, candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, teria previsão de receber mais que o dobro do valor destinado à campanha de Erika Hilton.

O PSol deverá contar neste ciclo eleitoral com aproximadamente R$ 131 milhões do Fundo Eleitoral, recursos que serão distribuídos entre candidaturas de acordo com os critérios definidos pela legenda e pelas regras eleitorais.

Limite de gastos da campanha

Para o primeiro turno das eleições de 2026, Erika Hilton declarou um limite legal de gastos de R$ 3.176.653 para sua campanha.

O valor é muito superior ao patrimônio pessoal informado pela parlamentar ao TSE. Essa diferença, entretanto, não significa que a candidata disponha pessoalmente desse montante.

O limite de gastos corresponde ao teto de despesas que a campanha pode realizar dentro das regras eleitorais. Os recursos utilizados podem ter diferentes origens legalmente previstas, como doações, recursos partidários e valores provenientes do Fundo Eleitoral, desde que observadas as normas de arrecadação, aplicação e prestação de contas.

Transparência eleitoral

A declaração apresentada por Erika Hilton faz parte de um mecanismo de transparência utilizado pela Justiça Eleitoral para permitir que eleitores e instituições tenham acesso às informações patrimoniais dos candidatos.

Os dados não constituem, isoladamente, uma avaliação sobre a situação financeira ou sobre a evolução econômica de um político. Eles representam os valores e bens declarados oficialmente em determinado processo eleitoral.

No caso de Erika Hilton, os documentos de 2026 mostram um patrimônio de pouco menos de R$ 16 mil, formado principalmente por dinheiro em conta-corrente e pequenas aplicações financeiras. Em 2022, o valor informado era de quase R$ 20 mil.

A diferença entre os dois registros chama atenção justamente porque ocorre enquanto a parlamentar ocupa um dos cargos mais bem remunerados da estrutura do Legislativo federal. Ao mesmo tempo, questões relativas a bens não listados, despesas pessoais ou à origem e utilização dos recursos de campanha somente podem ser avaliadas a partir da documentação específica e dos procedimentos de fiscalização previstos pela legislação eleitoral.

Assim, a declaração apresentada ao TSE oferece um retrato formal do patrimônio informado pela candidata no momento do registro de sua candidatura — e não, por si só, uma fotografia completa de toda a movimentação financeira ou da capacidade econômica de sua campanha.

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