
“Eu sei que errei”, diz pré-candidata do PL após ser filmada agredindo entregador em MG
Renata Vieira reconheceu que deu tapas no profissional e entrou em luta corporal, mas afirma que reagiu após ter sido agredida; ela também alega que a discussão começou por motivação política, versão ainda não confirmada pelas autoridades
A pastora e pré-candidata a deputada estadual pelo Partido Liberal (PL) Renata Vieira reconheceu que errou ao agredir um entregador de móveis durante uma briga ocorrida na última quinta-feira (16), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O episódio foi registrado em vídeos que viralizaram nas redes sociais.
Nas imagens divulgadas, Renata aparece dando tapas no rosto do entregador, xingando o homem e arremessando uma pedra contra ele. Em outro momento, ela corre atrás do profissional e os dois entram em luta corporal.
“Eu sei que eu errei porque eu poderia não ter revidado o ‘bicudo’ que ele me deu, com um tapa. Eu poderia não ter pegado ele pela blusa e não ter entrado em luta combativa com ele. Eu fiz tudo errado”, afirmou a pré-candidata em uma sequência de publicações feitas nas redes sociais.
Apesar de admitir que não deveria ter reagido daquela forma, Renata sustenta que também foi agredida e afirma que os vídeos divulgados mostram apenas parte da ocorrência.
Pré-candidata afirma que foi agredida
Em uma publicação gravada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na presença de um policial militar, Renata exibiu hematomas e marcas nas mãos e nas pernas. Segundo ela, teria sido atingida com chutes, socos e beliscões.
A pastora afirmou que teria reagido depois de ser agredida pelo entregador. Ela disse que busca imagens de câmeras de segurança do prédio para comprovar sua versão sobre o início da briga.
“Quando ele me bateu lá dentro, voltou tudo na minha cabeça e ali eu fiquei cega. Por isso que eu errei”, declarou.
Renata também afirmou sofrer de transtorno de estresse pós-traumático em decorrência de episódios de violência doméstica vividos no passado. Segundo ela, a confusão teria provocado lembranças relacionadas a esses episódios.
Ela alega motivação política
Em sua versão, Renata afirma que o entregador teria identificado sua ligação com o PL e feito comentários de cunho político antes do início da agressão.
A pré-candidata, que possui mais de 1,1 milhão de seguidores nas redes sociais, sugeriu que o conflito teria sido motivado por intolerância política e chegou a afirmar que o profissional poderia ter sido influenciado por opositores políticos.
Até o momento, porém, a motivação política alegada por Renata não foi confirmada pelas autoridades.
A defesa da pré-candidata afirma que tenta obter imagens das câmeras internas do prédio para esclarecer o que ocorreu antes dos momentos registrados pelos vídeos que circulam nas redes sociais.
Outra versão aponta discussão durante entrega de sofá
Relatos de pessoas ligadas ao entregador apresentam uma versão diferente para o início da confusão.
Segundo essas informações, o profissional estaria sozinho para descarregar um sofá de grande porte e teria explicado à cliente que precisaria da ajuda de outro funcionário da loja para concluir a entrega.
A situação teria provocado a discussão. A versão ainda precisa ser confrontada com as imagens das câmeras de segurança e com os depoimentos dos envolvidos.
Os vídeos que se tornaram públicos registram a etapa mais intensa do conflito, quando Renata aparece agredindo o entregador com tapas, arremessando uma pedra e entrando em luta corporal com ele.
Pré-candidata diz que recebeu ameaças
Após a repercussão do episódio, Renata afirmou que passou a receber ameaças de morte, estupro e invasão de sua residência.
Ela também declarou que pretende tomar medidas diante das ameaças recebidas e que o caso deve ser analisado pelas autoridades competentes.
A pré-candidata afirmou ainda que, embora reconheça ter errado ao agredir o entregador, continua sustentando que foi vítima de agressões antes dos atos registrados nos vídeos.
Polícia Civil investiga o caso
A ocorrência aconteceu no bairro Cabral, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da briga e deverá apurar a responsabilidade de cada um dos envolvidos. A dinâmica completa do episódio ainda não foi esclarecida.
A investigação deverá considerar os vídeos já divulgados, eventuais imagens de câmeras de segurança do prédio, depoimentos de testemunhas e as versões apresentadas pela pré-candidata e pelo entregador.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o conflito tenha sido motivado por divergências políticas. A alegação de Renata Vieira de que teria sido atacada primeiro também depende da análise das demais provas que possam ser reunidas durante a investigação.