Suspeito de matar casal no DF tinha mensagens de ameaça e arma escondida em ar-condicionado

Suspeito de matar casal no DF tinha mensagens de ameaça e arma escondida em ar-condicionado

Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, está preso preventivamente; investigação apura possível relação entre o duplo homicídio e uma antiga disputa com os vizinhos, enquanto a polícia analisa publicações de teor político e uma arma encontrada na casa do suspeito

A Justiça do Distrito Federal manteve neste sábado (18) a prisão preventiva de Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, apontado como principal suspeito do assassinato a tiros de Leonardo de Oliveira Campos, de 42, e Rayane Lins Farias Campos, de 38. O casal foi encontrado morto na manhã de sexta-feira (17), no terreno de um condomínio na região da Ponte Alta Norte, no Gama, no Distrito Federal.

A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Segundo o entendimento judicial, a “gravidade da conduta” investigada demonstra risco efetivo à ordem pública. O magistrado também considerou que medidas cautelares alternativas à prisão seriam inadequadas e insuficientes diante da gravidade dos fatos.

A Polícia Civil investiga se o crime foi motivado por uma antiga disputa entre o suspeito e as vítimas. O conflito teria envolvido a divisão dos lotes, a construção de um muro e, mais recentemente, uma discussão relacionada a uma calçada.

Câmera registrou roçadeira, disparos e gritos

Imagens de uma câmera de segurança são analisadas pelos investigadores e podem ajudar a esclarecer a dinâmica do crime. O equipamento teria registrado o casal trabalhando na limpeza do terreno onde pretendia construir uma casa para morar com a filha de seis anos.

Na gravação, segundo informações divulgadas sobre a investigação, é possível ouvir o som de uma roçadeira. Em determinado momento, o equipamento deixa de funcionar logo após o barulho de um disparo. Na sequência, uma mulher grita e um segundo tiro é ouvido.

A polícia trabalha com a hipótese de que Leonardo tenha sido atingido primeiro. Rayane, segundo essa linha de investigação, pode ter sido baleada depois de presenciar o ataque contra o marido. A sequência exata dos acontecimentos, no entanto, ainda depende da perícia e da análise de outros elementos reunidos no inquérito.

Moradores relataram ter ouvido disparos na tarde de quinta-feira (16), por volta das 15h, período em que o crime teria ocorrido.

Os corpos foram encontrados na manhã seguinte pelo pai de Rayane, que acionou as autoridades.

Disputa por muro e calçada é uma das linhas investigadas

Evandro confirmou, em depoimento, que tinha desentendimentos com Leonardo. Segundo o suspeito, a antiga disputa estaria relacionada ao muro que separava os imóveis, mas teria sido resolvida.

Ele também afirmou que o último conflito entre os dois envolveu uma calçada. Evandro declarou que Leonardo teria danificado a estrutura e que, por isso, acionou a polícia.

O suspeito relatou ainda que, durante uma tentativa de negociação entre os dois, Leonardo teria pedido R$ 50 mil para resolver a situação. Evandro negou o pagamento e afirmou que não conseguiu formalizar essa acusação porque não havia gravado a conversa.

“Ele foi lá, quebrou a minha calçada toda, e eu tomei as atitudes corretíssimas. Eu liguei para a polícia”, declarou o investigado, segundo o relato de seu depoimento.

Evandro nega envolvimento nas mortes. À polícia, afirmou não saber quem teria cometido os assassinatos e disse desconhecer a autoria do crime.

Arma foi encontrada escondida em ar-condicionado portátil

Durante as diligências, agentes da Polícia Civil localizaram uma arma de fogo e munições escondidas dentro de um aparelho de ar-condicionado portátil na casa do suspeito.

O armamento foi encaminhado para perícia do Instituto de Criminalística. O objetivo é verificar se a arma foi utilizada nos disparos que mataram Leonardo e Rayane.

A polícia também já havia informado que Evandro possuía registro de arma de fogo. O fato, porém, não comprova que o armamento encontrado ou qualquer outra arma registrada em seu nome tenha sido usada no duplo homicídio.

A perícia deverá analisar elementos balísticos e outros vestígios para tentar estabelecer uma ligação entre a arma apreendida e os projéteis encontrados no local do crime.

Mensagens de teor político e ameaças são analisadas

Além da disputa entre os vizinhos, a investigação passou a considerar mensagens publicadas por Evandro em redes sociais antes e no período do crime.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o suspeito teria publicado declarações de forte teor político e mensagens consideradas ameaçadoras. Em uma delas, teria escrito que, no Distrito Federal, “não ficará um de direita de pé”.

Em outra publicação, afirmou que teria “provas” para derrubar pessoas que, segundo ele, teriam sido beneficiadas por decisões judiciais. Também fez críticas ao TJDFT e declarou que seu objetivo seria “mandar políticos e ex-políticos para o inferno”.

Parte dessas publicações teria sido feita na quinta-feira (16), mesmo dia em que o casal foi assassinado. A polícia ainda precisa determinar se existe alguma relação concreta entre essas mensagens, o histórico do suspeito e o crime investigado.

As declarações, por si só, não comprovam a motivação do duplo homicídio.

Texto com críticas a grupos estava no carro

Ainda segundo informações divulgadas sobre o caso, Evandro circulava com uma mensagem impressa fixada em um dos vidros dianteiros do veículo.

O texto fazia críticas a diferentes grupos e pessoas, incluindo “falsos defensores de mulheres e trabalhadores”, “ditadores”, “fascistas”, “nepotismo” e “seres depravados”.

A mensagem, assim como as publicações nas redes sociais, passou a ser considerada pelos investigadores como parte do conjunto de informações sobre o comportamento e o histórico do suspeito. A polícia, entretanto, ainda precisa estabelecer se esses elementos têm relação direta com o crime.

Histórico criminal é investigado

Evandro também possui antecedentes que estão sendo analisados pela Polícia Civil. Informações divulgadas sobre o caso apontam registros relacionados a crimes como homicídio, tentativa de homicídio, ameaça, porte ilegal de arma, violência doméstica, desacato, resistência, desobediência, injúria, perturbação da tranquilidade e dano.

O suspeito teria respondido a 17 processos no TJDFT, embora parte significativa dessas ações tenha sido arquivada.

Também foram divulgadas informações de que Evandro teria sido condenado pela morte do próprio sobrinho em 2008. A investigação atual deverá verificar o histórico completo do suspeito e a eventual existência de outros episódios de violência ou ameaças que possam ajudar a compreender o caso.

Relatos de moradores também apontam que Evandro teria feito ameaças em grupos de mensagens do condomínio. Esses relatos ainda são apurados e deverão ser confrontados com depoimentos e demais provas.

Casal deixa filha de seis anos

Leonardo de Oliveira Campos e Rayane Lins Farias Campos estavam juntos havia cerca de 15 anos e formalizaram o casamento em 2025. O casal deixa uma filha de seis anos.

Rayane trabalhava como coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. Leonardo atuava como coordenador de vendas da Brasal Refrigerantes.

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar do Distrito Federal, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e de unidades especializadas.

O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. A apuração deverá esclarecer quem efetuou os disparos, qual arma foi utilizada, a sequência dos assassinatos e se a disputa entre os vizinhos foi, de fato, a motivação do crime.

Evandro Gabriel Ferreira permanece preso preventivamente e nega a autoria do duplo homicídio. Até o momento, ele é tratado como suspeito, e a responsabilidade criminal só poderá ser definida ao final do processo judicial.

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