
EUA discutem novas sanções contra Alexandre de Moraes e ampliam tensão diplomática com o Brasil
Segundo o Financial Times, governo americano avalia reimpor medidas com base na Lei Magnitsky após operação autorizada pelo ministro do STF contra jornalista investigado por divulgar reportagens sobre Flávio Dino
O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a imposição de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em um movimento que reacende a crise diplomática entre Brasília e Washington em pleno período eleitoral brasileiro.
A informação foi revelada pelo jornal britânico Financial Times, que citou fontes familiarizadas com as negociações internas do governo americano. Segundo a publicação, as autoridades dos EUA avaliam a possibilidade de reaplicar sanções com base na Lei Magnitsky, mecanismo utilizado para punir indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção em âmbito internacional.
De acordo com as fontes ouvidas pelo jornal, a discussão ganhou força após a operação autorizada por Moraes na última semana, que determinou mandados de busca e apreensão contra o jornalista Luis Pablo, responsável por reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e por familiares dele no Maranhão.
Embora nenhuma decisão oficial tenha sido anunciada pela Casa Branca ou pelo Departamento de Estado, o caso passou a ser tratado como um dos principais focos de atrito entre os dois países.
O que motivou a nova discussão
Segundo o Financial Times, integrantes do governo americano avaliam que a investigação conduzida no Brasil levanta preocupações sobre liberdade de imprensa e proteção de jornalistas.
A operação autorizada por Alexandre de Moraes teve como alvo o jornalista Luis Pablo, que publicou uma série de reportagens investigativas envolvendo Flávio Dino. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos no âmbito de uma investigação sobre a origem de informações consideradas sigilosas.
O conteúdo das reportagens tratava do alegado uso de veículos oficiais por pessoas ligadas à família do ministro do STF. A defesa dos envolvidos nega qualquer irregularidade.
A operação provocou repercussão imediata entre organizações de imprensa, juristas e autoridades estrangeiras, tornando-se um novo capítulo das disputas em torno dos limites entre investigação criminal, proteção de dados e liberdade de expressão.
Relembre: Moraes já foi sancionado pelos EUA
Esta não é a primeira vez que Alexandre de Moraes entra na mira do governo americano.
Em julho de 2025, os Estados Unidos aplicaram sanções contra o ministro utilizando a Lei Magnitsky, após sua atuação na condução do processo que culminou na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado relacionada aos ataques contra a democracia após as eleições de 2022.
Na ocasião, as medidas incluíram restrições financeiras e outras limitações previstas na legislação americana.
Entretanto, em dezembro de 2025, o próprio governo dos EUA decidiu revogar integralmente as sanções, encerrando aquele episódio diplomático.
Agora, menos de um ano depois, Washington volta a avaliar a reedição das punições.
O que é a Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky Global é uma legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano impor sanções contra cidadãos estrangeiros acusados de envolvimento em:
- violações graves de direitos humanos;
- perseguição política;
- corrupção significativa;
- abusos praticados por agentes públicos.
As sanções podem incluir:
- bloqueio de bens e ativos sob jurisdição americana;
- proibição de transações financeiras com instituições dos EUA;
- restrições de entrada em território americano;
- impedimento de negócios com empresas e cidadãos americanos.
Embora seja uma lei nacional dos Estados Unidos, seus efeitos costumam ter alcance internacional devido à influência do sistema financeiro americano.
Departamento de Estado amplia críticas ao Brasil
No mesmo dia em que a reportagem foi publicada, a subsecretária de Diplomacia Pública do Departamento de Estado, Sarah B. Rodgers, fez uma manifestação pública nas redes sociais que aumentou a repercussão política do caso.
Comentando alterações implementadas pelo X (antigo Twitter) em seus mecanismos de transparência para as eleições brasileiras, Rodgers escreveu:
“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Também sinaliza uma censura imposta pelo Brasil.”
A declaração foi interpretada como mais um sinal do endurecimento do discurso americano em relação às decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais e moderação de conteúdo durante o processo eleitoral.
Crise diplomática em ano eleitoral
A possível reimposição de sanções ocorre em um momento de elevada tensão entre os governos brasileiro e americano.
Nos últimos meses, divergências envolvendo:
- decisões do STF sobre plataformas digitais;
- investigações relacionadas à desinformação;
- liberdade de expressão nas redes sociais;
- e o processo eleitoral brasileiro
passaram a ocupar espaço crescente na agenda diplomática entre os dois países.
Caso as sanções sejam efetivamente adotadas, o episódio poderá representar uma das medidas mais severas já dirigidas por Washington contra um integrante da Suprema Corte brasileira.
Até o momento não há decisão oficial
Apesar da repercussão internacional, nenhum órgão oficial do governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação das sanções.
A informação divulgada pelo Financial Times indica que a medida está em discussão e depende de deliberações internas da administração americana.
Da mesma forma, o Supremo Tribunal Federal não anunciou mudanças na condução da investigação que motivou a controvérsia, e Alexandre de Moraes ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a reportagem até a publicação das informações.
Situação atual: trata-se de uma avaliação em curso, e não de uma sanção já imposta.