Flávio Bolsonaro leva campanha presidencial à Expointer e reforça ofensiva contra Lula e Alexandre de Moraes no Rio Grande do Sul

Flávio Bolsonaro leva campanha presidencial à Expointer e reforça ofensiva contra Lula e Alexandre de Moraes no Rio Grande do Sul

Candidato do Partido Liberal visita feira agropecuária em Esteio, reúne-se com lideranças do agronegócio e aliados da chapa gaúcha, recebe homenagem da Assembleia Legislativa e encerra agenda com comício em Porto Alegre

O senador Flávio Nantes Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, levou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, sua campanha eleitoral ao Rio Grande do Sul, em uma agenda que combinou aproximação com o agronegócio, mobilização política e novos ataques ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A principal atividade ocorreu na 49ª Expointer, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Flávio chegou ao local acompanhado de integrantes da chapa do PL no Estado e de aliados políticos.

A visita havia sido planejada para aproximar o candidato presidencial de um dos setores considerados estratégicos pelo campo bolsonarista: produtores rurais, empresários, entidades representativas do setor agropecuário e lideranças políticas do interior gaúcho.

A Expointer, tradicional vitrine do agronegócio brasileiro, transformou-se, assim, em mais um palco da corrida presidencial de 2026.

Comitiva reúne principais nomes do PL e da oposição no Estado

Flávio Bolsonaro chegou à feira ao lado do deputado federal Luciano Lorenzini Zucco, candidato do PL ao governo do Rio Grande do Sul.

Também participaram da agenda o deputado federal Ubiratan Sanderson, candidato ao Senado pelo PL, e o deputado federal Marcel van Hattem, do partido Novo, igualmente candidato ao Senado.

A presença dos quatro políticos deu à visita um caráter claramente eleitoral. A agenda de Flávio não foi limitada à feira: antes de seguir para Esteio, ele se reuniu com integrantes de sua chapa e participou de gravações de programas destinados à campanha eleitoral.

Segundo a programação divulgada previamente, a visita ao Estado fazia parte de uma estratégia de fortalecimento da candidatura presidencial de Flávio e de apoio aos candidatos aliados nas eleições gaúchas.

Agronegócio no centro da agenda

Na Expointer, Flávio participou de um almoço com representantes do agronegócio, dirigentes de entidades rurais, empresários e candidatos da coligação.

Entre os interlocutores estava a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), uma das principais entidades representativas dos produtores rurais gaúchos.

O encontro permitiu ao candidato apresentar sua agenda política ao setor e ouvir demandas relacionadas à economia, produção rural, infraestrutura e situação financeira dos produtores.

A aproximação com o agronegócio tem importância estratégica para o PL. O setor possui forte presença política no Rio Grande do Sul e, historicamente, tornou-se uma das bases eleitorais mais relevantes do bolsonarismo.

Para a campanha de Flávio, a presença na Expointer também funciona como demonstração de força política em uma região na qual o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro mantém forte apoio eleitoral.

Expointer vira palco da campanha presidencial

A passagem de Flávio pela feira ocorreu em meio à reta inicial da disputa presidencial.

A Expointer reúne produtores, criadores, empresários, fabricantes de máquinas agrícolas, entidades rurais, autoridades e representantes de diferentes segmentos da economia ligada ao campo.

Por isso, a presença de um candidato à Presidência no evento possui significado político que ultrapassa uma simples visita institucional.

Flávio buscou utilizar a estrutura da feira para estabelecer contato com lideranças do setor e reforçar a mensagem de que sua candidatura pretende representar uma agenda econômica mais próxima do agronegócio.

A escolha do Rio Grande do Sul também tem importância eleitoral para o PL, que tenta consolidar uma estrutura competitiva no Estado com Luciano Zucco na disputa pelo governo.

Luciano Zucco é peça central da estratégia

A agenda de Flávio foi construída em parceria com Luciano Zucco, deputado federal e candidato do PL ao governo gaúcho.

Zucco aparece como um dos principais nomes do partido na tentativa de ampliar o espaço do bolsonarismo na política estadual.

A presença de Flávio ao lado do candidato ao governo permite ao PL transformar a visita presidencial em um evento de mobilização para as duas disputas: nacional e estadual.

A comitiva também incluiu Silvana Covatti, candidata a vice-governadora pelo Progressistas (PP), além de Marcel van Hattem e Ubiratan Sanderson na corrida ao Senado, segundo a programação divulgada para a visita.

Marcel van Hattem e Sanderson reforçam palanque

A participação de Marcel van Hattem acrescentou à agenda um componente de aproximação entre o bolsonarismo e setores liberais e conservadores do Estado.

Van Hattem, deputado federal pelo Novo, é candidato ao Senado e vem mantendo posicionamento crítico ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.

Ubiratan Sanderson, deputado federal pelo PL, integra diretamente a estrutura partidária bolsonarista e disputa uma vaga no Senado.

A composição da comitiva demonstra a tentativa de Flávio de apresentar no Rio Grande do Sul uma frente ampla de candidatos identificados com a oposição ao governo federal.

Flávio transforma visita em novo ataque a Alexandre de Moraes

Além da agenda com o agronegócio, a passagem pelo Rio Grande do Sul foi marcada por declarações contundentes de Flávio Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes.

Em entrevista durante a Expointer, o candidato voltou a atacar o ministro do Supremo e classificou a situação envolvendo as recentes revelações sobre contatos entre Daniel Vorcaro e autoridades como uma crise que, na avaliação dele, exige respostas institucionais.

Flávio também afirmou que a divulgação do encontro entre o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro e o ministro André Luiz de Almeida Mendonça não deveria desviar a atenção das revelações envolvendo Moraes.

O candidato chamou o episódio de uma espécie de “cortina de fumaça” e argumentou que o encontro de Mendonça com Vorcaro ocorreu antes de o ministro assumir a relatoria do caso relacionado ao Banco Master.

Essa distinção passou a ser central na estratégia política de Flávio.

Segundo a versão apresentada pelo próprio Mendonça, ele recebeu Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do empresário, quando ainda não era relator do processo relacionado ao banco. Mendonça afirmou que se limitou a ouvi-lo e que sua posição posterior no processo foi contrária aos interesses do banqueiro.

Flávio utiliza essa explicação para diferenciar o encontro de Mendonça dos contatos atribuídos a Vorcaro com Alexandre de Moraes.

Banco Master entra no centro da disputa eleitoral

A discussão sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master tornou-se uma das principais frentes de confronto entre Flávio Bolsonaro e seus adversários.

Vorcaro é personagem central de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master. A divulgação de mensagens e documentos recuperados durante a investigação abriu uma crise política que atingiu diferentes setores das instituições brasileiras.

Flávio passou a explorar o episódio como uma das principais bandeiras de sua campanha contra Alexandre de Moraes.

O candidato afirma que os contatos entre o empresário e autoridades precisam ser esclarecidos e defende que o ministro deixe o Supremo.

Ao mesmo tempo, adversários de Flávio passaram a explorar sua própria relação com Vorcaro, especialmente os contatos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada à trajetória política de Jair Bolsonaro.

A disputa criou uma situação peculiar na campanha: o mesmo empresário passou a ser utilizado simultaneamente como elemento de ataque contra Moraes e como ponto de questionamento sobre a relação de Flávio com o setor financeiro.

É importante, entretanto, distinguir relações, mensagens e investigações de conclusões criminais. O fato de Vorcaro ter mantido contatos com políticos, empresários ou autoridades não demonstra, por si só, que essas pessoas tenham cometido irregularidades.

A passagem de Flávio pela Expointer também foi acompanhada por manifestações de apoiadores.

Na chegada ao restaurante onde ocorreu o encontro com representantes do agronegócio, houve aglomeração de assessores, candidatos e simpatizantes. A segurança precisou organizar o acesso ao espaço reservado para o almoço e verificar a identificação dos participantes.

Segundo relatos sobre a agenda, apoiadores presentes no local manifestaram palavras de ordem contra Lula e Alexandre de Moraes.

O episódio reforçou o caráter político da visita e mostrou a tentativa do candidato de mobilizar a militância durante uma passagem por um Estado considerado importante para o campo conservador.

Medalha do Mérito Farroupilha

Durante a agenda no Estado, Flávio Bolsonaro também recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, considerada a maior distinção concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

A homenagem foi entregue pelo deputado estadual Delegado Zucco, irmão de Luciano Zucco.

A condecoração acrescentou um componente institucional à visita do candidato, que já havia sido estruturada como atividade eleitoral.

A homenagem ocorre em um momento no qual Flávio procura consolidar sua imagem como principal representante nacional do bolsonarismo após a impossibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro, disputar diretamente a Presidência.

Comício encerra agenda em Porto Alegre

Depois da programação na Expointer, Flávio Bolsonaro seguiu para Porto Alegre.

O último compromisso previsto foi um comício no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, tradicional espaço de manifestações políticas na capital gaúcha.

O ato foi programado para as 19 horas e encerrou uma agenda que começou com gravações de campanha, passou pelo encontro com o agronegócio e terminou em mobilização política.

A escolha do Parcão também possui forte significado simbólico para a campanha bolsonarista, por ser um dos locais tradicionalmente associados a manifestações de direita na capital.

Um Estado estratégico para Flávio Bolsonaro

A visita ao Rio Grande do Sul ocorre em uma fase decisiva da campanha presidencial.

Pesquisa Quaest divulgada em 2 de setembro mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com cerca de 30%. Na simulação de segundo turno entre os dois, Lula registra 42% e Flávio, 41%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Nesse cenário, a consolidação de bases regionais torna-se fundamental para os dois principais concorrentes.

O Rio Grande do Sul oferece a Flávio uma oportunidade de reforçar vínculos com o agronegócio, fortalecer a candidatura de Luciano Zucco e mobilizar o eleitorado identificado com Jair Bolsonaro.

A visita à Expointer, portanto, teve uma dupla função: aproximar o candidato presidencial de um setor econômico considerado estratégico e transformar a presença no Estado em um ato de campanha.

A disputa nacional chega ao campo

Ao escolher a Expointer como um dos principais compromissos de sua agenda, Flávio Bolsonaro procurou ocupar um espaço político que tradicionalmente possui grande relevância para o bolsonarismo.

A estratégia combina defesa do agronegócio, críticas ao governo Lula, oposição ao Supremo Tribunal Federal e exploração política das revelações relacionadas ao Banco Master.

A campanha presidencial passa, assim, a incorporar cada vez mais conflitos institucionais e investigações em andamento.

No Rio Grande do Sul, Flávio encontrou um ambiente favorável para essa estratégia: uma feira que concentra parte importante do setor produtivo do Estado, aliados políticos com forte identificação com a direita e uma militância disposta a transformar a passagem do candidato em ato eleitoral.

A Expointer deixou de ser apenas uma parada na agenda do presidenciável. Na quarta-feira, 2 de setembro, tornou-se um dos principais palcos da campanha de Flávio Bolsonaro — e mais uma demonstração de que a disputa presidencial de 2026 será marcada não apenas pela economia e pelas propostas de governo, mas também pelo confronto político em torno de Lula, do Supremo Tribunal Federal, do Banco Master e do legado de Jair Bolsonaro.

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