
Flávio Bolsonaro recorre ao STF e pede que Lula seja ouvido pela PF em investigação sobre Maduro
Senador solicita que Alexandre de Moraes determine novas diligências após Polícia Federal rejeitar pedidos da defesa em inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente
A disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou mais um capítulo nesta semana. O parlamentar, que também é pré-candidato à Presidência da República em 2026, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que a Polícia Federal tome o depoimento de Lula em uma investigação relacionada a declarações sobre o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes após a Polícia Federal negar uma série de diligências apresentadas pela defesa de Flávio. Os advogados argumentam que as medidas são fundamentais para esclarecer os fatos e demonstrar que o senador não teve a intenção de atribuir falsamente qualquer crime ao chefe do Executivo.
Entenda a origem da investigação
O caso teve início após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X (antigo Twitter). O senador comentou uma reportagem que relatava uma suposta reunião de emergência realizada pelo governo brasileiro após a prisão de Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos.
A partir dessa manifestação, foi aberto um inquérito para apurar se houve prática de calúnia contra o presidente da República.
Agora, a defesa sustenta que a própria legislação prevê a necessidade de ouvir a suposta vítima durante a fase de investigação. Por isso, os advogados recorreram diretamente ao STF para que Moraes determine a realização do depoimento presidencial.
Defesa pede depoimentos de diversas personalidades
Além de Lula, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro solicitou que sejam ouvidas diversas figuras nacionais e internacionais ligadas direta ou indiretamente ao caso.
Entre os nomes citados estão a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador norte-americano Walter Clayton III e o colaborador Euzenando Prazeres de Azevedo.
A lista inclui ainda o senador Sergio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol, os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, além do ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas.
Os advogados também pediram acesso a documentos produzidos em investigações conduzidas pelas autoridades dos Estados Unidos envolvendo Nicolás Maduro.
Caso amplia embate entre governo e oposição
O pedido ocorre em um momento de forte polarização política e de crescente judicialização do debate eleitoral. Com a aproximação da campanha presidencial de 2026, aliados de Lula e da família Bolsonaro têm levado para os tribunais disputas que antes se restringiam ao campo político.
A decisão agora está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que deverá analisar se há fundamento legal para determinar novas diligências e ouvir as testemunhas solicitadas pela defesa do senador.
Enquanto isso, o episódio reforça a tensão entre o Palácio do Planalto e um dos principais nomes da oposição, em um cenário que promete intensificar os confrontos políticos e jurídicos nos próximos meses.