
Fundo bilionário de Trump sofre derrota no Congresso e é suspenso após reação de republicanos
Pressionado por parlamentares e decisões judiciais, governo dos EUA recua de projeto que previa quase US$ 1,8 bilhão para vítimas de suposta “instrumentalização” estatal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu um importante revés político após a suspensão de um fundo bilionário criado para indenizar pessoas que alegavam ter sido vítimas de perseguição e abuso do governo americano. O programa, avaliado em quase US$ 1,8 bilhão, enfrentou forte resistência dentro do próprio Partido Republicano e acabou barrado temporariamente após pressão do Congresso e decisões da Justiça.
A proposta previa o uso de US$ 1,776 bilhão para compensar cidadãos que alegassem ter sido prejudicados por ações consideradas abusivas de órgãos federais. O fundo nasceu de um acordo judicial envolvendo Trump e o Departamento de Justiça em uma disputa relacionada ao vazamento de declarações de imposto de renda do republicano.
Nos bastidores de Washington, porém, a medida rapidamente se transformou em uma crise política. Senadores republicanos passaram a enxergar o projeto como um possível “caixa paralelo” financiado pelo contribuinte americano. A principal preocupação era a possibilidade de pessoas envolvidas na invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, também tentarem receber indenizações.
O episódio revelou um raro momento de enfrentamento direto entre integrantes do Partido Republicano e a Casa Branca. Segundo fontes ligadas ao governo americano, parlamentares chegaram a impor um ultimato para que o fundo fosse retirado de cena em troca do avanço de outros projetos considerados prioritários para o governo Trump.
O líder da maioria no Senado, John Thune, teria comunicado pessoalmente à Casa Branca que a continuidade do programa era politicamente insustentável. A pressão aumentou ainda mais após juízes federais da Virgínia e da Flórida determinarem a suspensão temporária do fundo até pelo menos 12 de junho.
Mesmo sem abandonar oficialmente o projeto, o Departamento de Justiça reconheceu que cumprirá as decisões judiciais. Nos corredores do Congresso americano, porém, já existe a percepção de que o plano dificilmente voltará a avançar da mesma forma.
O desgaste político foi ampliado porque parte dos republicanos passou a avaliar que o fundo poderia se transformar em munição eleitoral contra o partido nas eleições legislativas de meio de mandato. Parlamentares temiam ser associados a pagamentos milionários para aliados radicais envolvidos nos atos de invasão ao Capitólio.
Além da pressão política, o caso reacendeu críticas sobre os gastos públicos e o uso da máquina estatal em disputas pessoais e ideológicas. Analistas em Washington apontam que a proposta aprofundou divisões dentro do próprio campo conservador e mostrou que nem todos os aliados de Trump estão dispostos a apoiar iniciativas consideradas controversas.
Outro ponto que chamou atenção foi uma cláusula do acordo que impediria novas auditorias fiscais sobre declarações antigas de Trump, seus familiares e empresas ligadas ao republicano. O tema gerou desconforto entre parlamentares e levantou questionamentos sobre possíveis privilégios concedidos ao ex-presidente.
Apesar da suspensão, aliados próximos afirmam que Trump ainda não desistiu completamente da proposta. Segundo fontes da Casa Branca, o republicano entende que o momento político ficou desfavorável e aceitou recuar “por enquanto”, enquanto tenta reorganizar apoio dentro do Congresso.
A crise evidencia um cenário de tensão crescente em Washington, onde disputas judiciais, pressão política e interesses eleitorais continuam moldando os rumos da administração Trump em meio à corrida eleitoral americana.