
Fux rebate críticas e ironiza teóricos: “Comentem depois de ler”
Ministro do STF defende voto que absolveu Bolsonaro e alfineta juristas estrangeiros: “Não conhecem a realidade brasileira”.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu com firmeza às críticas recebidas por seu voto que absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento da trama golpista. Durante a sessão desta terça-feira (21), Fux mandou um recado direto — ainda que sem citar nomes — ao jurista italiano Luigi Ferrajoli, um dos principais nomes do garantismo penal, e a outros teóricos que questionaram sua decisão.
Segundo o ministro, muitos dos que o criticaram sequer leram seu voto.
“Professores e teóricos que não conhecem a realidade brasileira, não leram o voto que comentaram, e ainda são catedráticos… É preciso comentar quando se lê”, disparou.
🕰️ “O tempo dissipa as brumas da paixão”
Antes de iniciar seu voto no julgamento dos réus do chamado núcleo da desinformação, Fux fez uma reflexão sobre o impacto emocional e político das decisões recentes do STF:
“O tempo, esse hábito silencioso e implacável, tem o dom de dissipar as brumas da paixão e revelar os contornos mais íntimos da verdade”, disse, sugerindo que o julgamento anterior, movido pela urgência, pode ter cometido injustiças.
O ministro ainda lamentou o que chamou de “rasgo de militância política” dentro do meio acadêmico.
“Com quase cinco décadas de magistério, considero lamentável que a seriedade acadêmica tenha sido deixada de lado por um impulso ideológico”, afirmou.
📚 Divergência e reafirmação
Fux lembrou que citou Ferrajoli 11 vezes em seu voto sobre a absolvição de Bolsonaro, mas destacou que o teórico europeu “não tratou de garantias básicas, como a vedação ao tribunal de exceção”. A fala veio após Ferrajoli elogiar a condenação de Bolsonaro e de outros réus, classificando a decisão como “um exemplo de defesa do Estado Democrático de Direito”.
No mesmo julgamento, Fux confirmou que voltaria a divergir dos colegas Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que votaram pela condenação dos sete réus do núcleo responsável por disseminar desinformação.
“As ideias que apliquei permanecem hígidas, e aplicáveis a estes autos”, concluiu, em tom de convicção — e provocação.