Geddel tenta virar a página dos R$ 51 milhões, mas escândalo continua assombrando sua imagem política

Geddel tenta virar a página dos R$ 51 milhões, mas escândalo continua assombrando sua imagem política

Ex-ministro afirma que caso das malas de dinheiro é “episódio superado”, rebate críticas nas redes e volta ao centro do debate político na Bahia

O ex-ministro e ex-deputado federal Geddel Vieira Lima voltou aos holofotes políticos ao afirmar que o escândalo dos R$ 51 milhões encontrados pela Polícia Federal em um apartamento em Salvador, em 2017, seria um “episódio superado”. A declaração aconteceu durante entrevista ao programa Linha de Frente, comandado pelo jornalista Pablo Reis.

A fala rapidamente reacendeu nas redes sociais um dos episódios mais simbólicos da corrupção política brasileira recente. Afinal, não foi uma quantia qualquer: foram malas e caixas abarrotadas de dinheiro vivo, empilhadas em um apartamento ligado ao ex-ministro. As imagens correram o país e se transformaram em um retrato do descrédito da população com a classe política.

Mesmo assim, Geddel afirmou que já pagou pelo que aconteceu e que não pretende mais carregar o peso do escândalo.

“Passaram 10 anos desse episódio. É um episódio superado. Eu fui preso, respondi o processo, paguei o preço através do Judiciário”, declarou.

O ex-ministro ainda criticou aqueles que continuam usando o caso para atacá-lo politicamente. Segundo ele, muitos dos críticos fariam parte do mesmo sistema que sempre conviveu com o financiamento milionário de campanhas eleitorais no Brasil.

Em tom de provocação, Geddel disse que “ninguém tem moral” para apontar o dedo contra ele. A fala gerou forte repercussão, especialmente porque parte da população ainda associa diretamente sua imagem ao escândalo das malas de dinheiro.

Fazenda, ataques nas redes e novas polêmicas

Nos últimos dias, o nome de Geddel voltou a circular intensamente após uma postagem feita em sua fazenda, localizada em Ibuçuí, interior da Bahia. O que parecia ser apenas uma publicação sobre vida no campo acabou virando um novo foco de polêmica.

Internautas passaram a ironizar o ex-ministro, fazendo referências ao dinheiro apreendido pela PF. Alguns questionaram, em tom sarcástico, se parte dos milhões estaria escondida na propriedade rural.

Geddel respondeu pessoalmente diversos comentários e acabou protagonizando uma sequência de ataques verbais, palavrões e ofensas direcionadas a seguidores. Em uma das respostas mais comentadas, ironizou dizendo que o dinheiro estaria “na barriga dos bois”.

As capturas de tela das discussões viralizaram rapidamente em páginas políticas e grupos de mensagens. Depois da repercussão negativa, vários comentários críticos desapareceram da publicação, alimentando acusações de que o ex-ministro teria apagado as mensagens para conter o desgaste.

Reaproximação política e influência nos bastidores

Apesar do passado turbulento, Geddel segue mantendo influência nos bastidores da política baiana. Durante a entrevista, revelou que voltou a ser procurado por lideranças importantes, incluindo Bruno Reis, ACM Neto, Jaques Wagner e aliados do governador Jerônimo Rodrigues.

O ex-ministro também fez análises sobre as eleições de 2026 na Bahia e afirmou acreditar que ACM Neto pode enfrentar dificuldades caso não tenha uma forte aliança nacional.

Ao comentar o cenário político, Geddel admitiu erros do passado e reconheceu que sua candidatura ao governo da Bahia em 2010 foi, segundo ele próprio, “o maior erro” de sua trajetória política.

O escândalo que o Brasil não esqueceu

Embora Geddel tente transmitir a imagem de alguém que “já pagou sua dívida”, o episódio dos R$ 51 milhões continua sendo um dos maiores símbolos da crise ética envolvendo políticos brasileiros nas últimas décadas.

A tentativa de transformar o caso em “página virada” encontra resistência principalmente nas redes sociais, onde o tema ressurge constantemente. Para muitos brasileiros, as malas de dinheiro deixaram de ser apenas uma investigação criminal e se tornaram símbolo do abismo entre a elite política e a realidade da população.

E talvez esteja justamente aí a maior dificuldade de Geddel: no Brasil, certos escândalos até saem dos tribunais, mas dificilmente desaparecem da memória popular.

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