Governo de Minas anuncia R$ 32 milhões para Atlético, Cruzeiro e América após fim dos patrocínios de bets

Governo de Minas anuncia R$ 32 milhões para Atlético, Cruzeiro e América após fim dos patrocínios de bets

Cemig, Codemge e Codemig vão patrocinar os três principais clubes de Belo Horizonte; medida ocorre após MP federal proibir a publicidade de casas de apostas

O Governo de Minas Gerais anunciou um pacote de R$ 32 milhões em patrocínios para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG depois da mudança nas regras federais para as casas de apostas. O acordo foi anunciado pelo governador Mateus Simões (PSD) na terça-feira (29), em Belo Horizonte, após a publicação da Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país.

Pelo acordo, Atlético-MG e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América-MG terá R$ 2 milhões. Os recursos serão destinados por meio de empresas estatais mineiras, entre elas Cemig, Codemge e Codemig, cujas marcas poderão ser exibidas nos uniformes dos clubes.

Como será dividido o dinheiro

A divisão anunciada pelo governo é:

  • Atlético-MG: R$ 15 milhões
  • Cruzeiro: R$ 15 milhões
  • América-MG: R$ 2 milhões

O acordo terá duração de um ano. As condições comerciais serão negociadas individualmente com cada clube, inclusive os espaços destinados às marcas nas camisas. Como os valores são inferiores aos contratos anteriormente mantidos com empresas de apostas, as estatais não necessariamente ocuparão o espaço de patrocinador máster.

O anúncio contou com representantes das três equipes. Pelo Atlético, participou Renato Salvador, integrante do conselho de administração da SAF. O Cruzeiro foi representado por Pedro Lourenço, proprietário da SAF, enquanto Marcus Salum participou pelo América-MG.

Governo também conversa com Athletic e Uberlândia

O governo mineiro informou que mantém conversas para possíveis patrocínios ao Athletic, de São João del-Rei, e ao Uberlândia, ampliando a possibilidade de apoio estadual a outros clubes do futebol mineiro.

Segundo o governo, a intenção não é necessariamente substituir integralmente as casas de apostas, mas utilizar o patrocínio das empresas estaduais como uma forma de apoio durante a transição provocada pela nova legislação federal.

Contrapartidas para os clubes

Os contratos deverão incluir contrapartidas sociais. Entre elas estão investimentos no futebol feminino e a disponibilização de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em partidas específicas.

As condições serão definidas conforme a realidade de cada clube e deverão considerar também os contratos comerciais já existentes, evitando conflitos entre diferentes patrocinadores.

Mudança nas regras das bets

A decisão de Minas ocorreu poucos dias depois da edição da Medida Provisória nº 1.394, publicada pelo governo federal em 25 de setembro.

A medida alterou de maneira significativa o funcionamento do setor de apostas de quota fixa no Brasil e proibiu a publicidade dessas empresas, atingindo diretamente contratos de patrocínio esportivo.

Até então, as casas de apostas tinham presença significativa no futebol brasileiro. Atlético-MG e Cruzeiro estavam entre os clubes que utilizavam empresas do setor como patrocinadoras, e a interrupção desses contratos criou uma necessidade de reorganização das receitas comerciais.

Mateus Simões critica a forma como a medida federal foi adotada

Ao anunciar o acordo, Mateus Simões afirmou que os clubes foram afetados pela mudança federal e criticou a forma considerada abrupta de implementação da nova regra.

Segundo o governador, as equipes tiveram pouco tempo para reorganizar seus contratos comerciais. Simões também afirmou que o futebol movimenta uma cadeia econômica que envolve clubes, atletas, funcionários, mídia, comércio e outros setores.

O governador também já havia defendido medidas estaduais para restringir a publicidade de apostas em espaços públicos e eventos de Minas Gerais.

Governo responde a críticas sobre uso de dinheiro público

O anúncio provocou questionamentos políticos e nas redes sociais sobre a utilização de recursos de empresas controladas pelo Estado para patrocinar clubes de futebol.

Diante das críticas, Simões afirmou que os R$ 32 milhões não sairiam de verbas destinadas diretamente à saúde, educação ou segurança. A justificativa apresentada pelo governo é que Cemig, Codemge e Codemig possuem receitas próprias e políticas de patrocínio, e que parte desses recursos seria redirecionada para os clubes.

A presidente da Codemge/Codemig, Luísa Barreto, também afirmou que o objetivo seria utilizar uma política de patrocínios já existente para apoiar o futebol mineiro diante da perda repentina dos contratos com as bets.

Patrocínio começa a valer em 2027

Embora o anúncio tenha sido feito agora, os contratos terão execução financeira a partir de janeiro de 2027, segundo informações divulgadas pela presidente da Codemge/Codemig. O acordo terá duração de um ano.

O valor representa, segundo o governo, aproximadamente 30% dos montantes que os clubes recebiam anteriormente de patrocinadores do setor de apostas. Por isso, as equipes ainda precisarão buscar novos parceiros comerciais para recompor integralmente as receitas perdidas.

Um novo capítulo na disputa sobre as bets

O caso mostra um dos efeitos imediatos da mudança promovida pelo governo federal: a retirada das empresas de apostas do mercado de patrocínios esportivos obrigou clubes e governos estaduais a buscar alternativas.

Em Minas Gerais, a resposta foi o uso das estruturas de patrocínio de empresas estatais para apoiar Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG. Ao mesmo tempo, o governo mantém conversas com outros clubes do estado.

A medida, porém, também abriu um debate sobre patrocínio estatal, utilização de recursos de empresas públicas, autonomia financeira dos clubes e os impactos econômicos da proibição das bets. O caso deverá continuar provocando discussões políticas e esportivas à medida que os novos contratos forem formalizados e a nova regulamentação federal entrar em vigor.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags