
Greve dos caminhoneiros termina em confronto com PM no Porto de Santos; manifestação pressiona Senado por mudanças na MP do Frete
Paralisação chega ao segundo dia no litoral paulista, afeta parcialmente operações portuárias e provoca tensão após viatura policial ser atingida por pedra; sindicatos dizem que movimento continua sem prazo para acabar
A paralisação dos caminhoneiros no litoral de São Paulo entrou em uma nova fase nesta terça-feira (14) com momentos de tensão entre manifestantes e policiais militares no Porto de Santos. O confronto ocorreu durante um protesto da categoria contra as regras previstas na chamada MP do Frete, medida provisória que altera normas sobre o transporte de cargas e estabelece mecanismos de fiscalização do pagamento do piso mínimo do frete.
A confusão começou após uma viatura da Polícia Militar ser atingida por uma pedra durante a manifestação na região da Alemoa, principal acesso ao complexo portuário santista. Após o episódio, policiais e caminhoneiros entraram em confronto. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram agentes da PM em meio à confusão, com uso de força física, empurrões, golpes de cassetete e policiais apontando armas durante a ação.
Até o momento, não havia confirmação de feridos ou prisões relacionadas ao episódio.
Polícia monta operação para controlar acesso ao Porto de Santos
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar Rodoviária iniciou uma “Operação de Contenção” na altura do km 40 da Via Anchieta, na região de Alemoa, em Santos.
Segundo a pasta, caminhões foram temporariamente retidos no trecho de planalto para controlar o fluxo de veículos em direção ao litoral e evitar impactos maiores no sistema viário.
A SSP afirmou ainda que não houve bloqueio total da rodovia e que as equipes permaneceram no local para garantir a segurança, a ordem pública e a circulação dos demais veículos.
O confronto ocorreu em meio a uma mobilização que, segundo as entidades representantes dos caminhoneiros, tem caráter reivindicatório e busca pressionar o Senado Federal pela votação da MP do Frete.
Porto de Santos registra impacto parcial nas operações
A paralisação também começou a gerar efeitos no funcionamento do maior porto da América Latina.
De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), dos 36 navios atracados no complexo, seis estavam com operações interrompidas e um apresentava atraso nas atividades.
A administração informou que as vias internas do porto não estavam bloqueadas, mas reconheceu uma redução no fluxo de caminhões que chegam ao terminal.
A Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis de São Paulo (Cesportos/SP) elevou o nível de segurança após identificar atos isolados de vandalismo durante o protesto.
Caminhoneiros afirmam que paralisação continua
O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista (Sindicam-Santos) afirmou que a mobilização continuará por tempo indeterminado.
Em nota, a entidade declarou que o movimento é “legítimo e pacífico” e tem como objetivo defender reivindicações antigas da categoria.
“Nossa mobilização é legítima, pacífica e tem como finalidade a defesa dos direitos da categoria, que há muito tempo vêm sendo reivindicados e, infelizmente, não têm sido plenamente atendidos”, afirmou o sindicato.
A entidade disse ainda que mantém disposição para diálogo com o governo e representantes do Legislativo, mas que a paralisação seguirá enquanto não houver avanço nas negociações.
Entenda a disputa em torno da MP do Frete
A greve teve início na madrugada de segunda-feira (13) em pontos estratégicos ligados ao transporte de cargas e aos portos.
A principal reivindicação dos caminhoneiros é a votação da Medida Provisória nº 1.343, conhecida como MP do Frete, que cria novas regras de fiscalização e prevê punições para empresas que descumprirem o pagamento do piso mínimo do transporte rodoviário.
A categoria afirma que a medida é necessária para garantir melhores condições econômicas aos transportadores autônomos.
A urgência da votação está relacionada ao prazo de validade da medida provisória. Caso o texto não seja analisado pelo Congresso dentro do período previsto, perderá validade.
Senado aprova mudanças no texto da medida
Durante a tramitação, o texto passou por alterações. Uma das principais mudanças foi a retirada de uma previsão que estabelecia um valor fixo de R$ 5 mil como referência para transportadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O valor deverá ser definido posteriormente por regulamentação específica.
Os defensores da proposta afirmam que a MP busca fortalecer a fiscalização e garantir maior equilíbrio no setor de transporte. Já parte dos caminhoneiros cobra regras mais rígidas para assegurar uma remuneração mínima considerada adequada.
Tensão cresce no segundo dia de protestos
No primeiro dia da paralisação, a Autoridade Portuária de Santos informou que as operações seguiam normalmente e que não havia registros de grandes impactos no trânsito interno do porto.
A situação mudou nesta terça-feira, quando o movimento ganhou maior adesão e ocorreu o confronto entre policiais e manifestantes.
O episódio aumentou a pressão sobre o governo e o Congresso para uma solução rápida, enquanto caminhoneiros mantêm a mobilização e aguardam avanços nas negociações sobre a MP do Frete.