
Haddad acusa gestão Tarcísio de falhas no combate ao PCC durante debate em SP
Petista questionou a atuação da Polícia Militar e criticou políticas de segurança; governador rebateu, citou queda nos principais índices criminais e defendeu ações de sua gestão
O primeiro debate entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela disputa ao governo de São Paulo foi marcado por fortes embates na área de segurança pública. Durante o confronto realizado pela Band neste domingo (9), Haddad atacou a política de combate ao crime organizado adotada pela atual administração, enquanto Tarcísio defendeu os resultados obtidos durante seu mandato.
A discussão ganhou intensidade depois que Tarcísio destacou ações de sua gestão contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente no setor de transportes. Haddad rebateu e afirmou que o governo paulista não estaria enfrentando a facção de maneira suficiente.
O candidato do PT mencionou ainda investigações envolvendo integrantes da Polícia Militar e classificou o episódio como um dos mais graves da história da corporação paulista.
“Uma das coisas mais graves que aconteceram na história da Polícia Militar deste Estado. Coronéis de alta patente vinculados ao crime organizado”, afirmou Haddad durante o debate.
O petista também citou o afastamento do então comandante-geral da Polícia Militar e afirmou que a medida teria ocorrido diante de suspeitas de ligação com o crime organizado. Segundo Haddad, o caso não seria isolado.
As declarações foram apresentadas por Haddad como argumento para questionar a eficiência da política de segurança adotada pelo governo Tarcísio. O candidato petista também criticou a atuação estadual diante de crimes contra mulheres e casos de racismo.
Haddad questiona combate ao feminicídio e ao racismo
Durante o debate, Haddad afirmou que Tarcísio não teria apresentado uma política suficientemente clara para enfrentar os casos de feminicídio e racismo registrados em São Paulo.
A crítica ampliou o confronto para além do combate ao crime organizado. Para o petista, a política de segurança pública precisa incluir ações específicas de proteção às mulheres e de enfrentamento à violência motivada por racismo.
Haddad também questionou a estratégia de inteligência utilizada pelo governo paulista e criticou o funcionamento do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras implantado na capital.
Segundo o candidato, o governo estaria utilizando de maneira limitada as ferramentas de inteligência artificial disponíveis. Em uma das críticas mais duras, Haddad afirmou que Tarcísio estaria “no tempo do telefone fixo” quando o assunto é o uso de tecnologia para combater o crime.
O petista também afirmou que parte significativa das pessoas identificadas pelo Smart Sampa não estaria envolvida em crimes violentos. Segundo ele, “metade das pessoas identificadas pelo Smart Sampa são devedores de pensão alimentícia”.
Tarcísio defende resultados na segurança
Tarcísio reagiu às críticas apresentando os indicadores de criminalidade de São Paulo como principal argumento de defesa de sua administração.
O governador afirmou que o estado alcançou índices historicamente baixos de homicídios, latrocínios e roubos. Para Tarcísio, os números demonstram que as medidas adotadas pelo governo produziram resultados concretos.
O candidato à reeleição também voltou a citar as ações realizadas na região central da capital e afirmou que sua administração conseguiu enfrentar o problema da Cracolândia.
Além disso, Tarcísio questionou a participação do governo federal na segurança pública e defendeu maior cooperação entre as diferentes esferas de governo.
PCC se torna centro do confronto
A atuação contra o PCC foi um dos principais pontos de divergência entre os candidatos.
Tarcísio afirmou que sua administração avançou no enfrentamento da facção, inclusive em setores estratégicos da economia paulista, como o transporte. Haddad, por outro lado, utilizou investigações envolvendo agentes públicos para questionar a eficácia da política estadual.
O debate colocou, assim, duas narrativas diferentes em confronto: de um lado, Tarcísio apresentou indicadores de criminalidade e operações policiais como evidências de resultados; de outro, Haddad apontou problemas de infiltração do crime organizado em estruturas do Estado e cobrou mudanças na estratégia de segurança.
Debate expõe visões diferentes para a segurança
O confronto mostrou que segurança pública deve ocupar espaço central na campanha pelo governo de São Paulo. Tarcísio procurou sustentar sua candidatura a partir dos resultados apresentados pela atual administração, enquanto Haddad concentrou seus ataques em episódios envolvendo a Polícia Militar, no combate ao crime organizado e na utilização de tecnologia para prevenção e investigação.
A troca de acusações também reforçou o caráter nacionalizado da disputa. Embora o debate tenha tratado de problemas específicos de São Paulo, os candidatos ampliaram a discussão para questões relacionadas à atuação do governo federal, à integração entre as forças de segurança e à responsabilidade de cada esfera de poder no combate ao crime organizado.