Mistério na USP: morte de engenheira da Marinha levanta questionamentos antes da perícia

Mistério na USP: morte de engenheira da Marinha levanta questionamentos antes da perícia

Segundo-tenente Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, foi encontrada sem vida em alojamento do Centro Tecnológico da Marinha dentro da USP; corpo foi levado ao Hospital Universitário antes da perícia no local, e Polícia Federal e Marinha investigam o caso

A morte da segundo-tenente Beatriz Fickert Santoro, engenheira mecânica da Marinha do Brasil, de 33 anos, abriu uma investigação que ainda apresenta diversas perguntas sem resposta. A oficial foi encontrada sem vida na noite de quinta-feira, 24 de setembro de 2026, em um alojamento do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTM-SP), instalado dentro da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, zona oeste da capital.

A causa da morte ainda não foi divulgada.

O caso ganhou atenção especial porque, segundo o registro policial, Beatriz foi retirada do local onde foi encontrada e levada ao Hospital Universitário da USP antes que a perícia pudesse examinar o alojamento. A médica que recebeu a militar no hospital se recusou a emitir o atestado de óbito porque, segundo as informações registradas, ela já chegou sem vida à unidade.

É justamente essa sequência de acontecimentos que aumenta a necessidade de esclarecimentos.

Quem era Beatriz Fickert Santoro

Beatriz Fickert Santoro tinha 33 anos e era segundo-tenente da Marinha do Brasil.

Formada em engenharia mecânica, trabalhava no Centro Tecnológico da Marinha, dentro do campus da USP. Informações divulgadas pelo Metrópoles apontam que ela vivia na região do Alto Tietê, na Grande São Paulo, e havia se casado recentemente, em março deste ano.

A carreira de Beatriz estava ligada à área de engenharia e pesquisa da Marinha. A própria instituição mantém estruturas de pesquisa e desenvolvimento em São Paulo, e o Centro Tecnológico instalado na Cidade Universitária integra esse ambiente de atividades científicas e tecnológicas.

Como a morte foi descoberta

Segundo a Marinha, Beatriz foi encontrada “desfalecida” em seu alojamento no Centro Tecnológico da Marinha.

A corporação afirma que sua equipe médica foi imediatamente ao local e que, depois do atendimento inicial, a militar foi encaminhada ao Hospital Universitário da USP, onde sua morte foi constatada.

O relato oficial da Marinha, portanto, apresenta a remoção como parte de um atendimento médico de emergência.

Entretanto, o registro policial apresenta outro elemento importante: a militar já teria chegado morta ao hospital, e uma médica do HU não teria emitido a declaração de óbito justamente porque a paciente já apresentava sinais de que havia morrido anteriormente.

O ponto que chama atenção: o corpo saiu do local antes da perícia

A principal questão que precisa ser esclarecida está na retirada do corpo do alojamento.

Segundo o boletim de ocorrência, Beatriz foi levada ao Hospital Universitário antes que os policiais e peritos tivessem acesso ao local onde ela havia sido encontrada. A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e mencionou, em tese, a possibilidade de fraude processual, justamente em razão da alteração da cena antes da perícia.

Isso, entretanto, não significa que fraude processual tenha sido comprovada.

O próprio registro policial aponta uma possibilidade que deverá ser investigada. Ainda não foi esclarecido quem autorizou a retirada do corpo, por qual motivo isso ocorreu antes da perícia e quais condições foram encontradas originalmente no alojamento.

DESTAQUE: O principal questionamento neste momento não é afirmar o que aconteceu, mas entender por que o corpo foi retirado do alojamento antes da realização da perícia e se essa remoção interferiu na preservação da cena.

A capitã de corveta que levou Beatriz ao hospital

Segundo o registro policial, Beatriz foi transportada ao Hospital Universitário por uma capitã de corveta identificada como Priscila Valente Fernandes, que teria se apresentado como médica da Marinha.

A identidade dessa profissional e sua atuação na ocorrência passaram a integrar o conjunto de informações que deverão ser esclarecidas pelas autoridades.

É necessário estabelecer, por exemplo, quando Beatriz foi encontrada, em que condições estava, quais procedimentos foram realizados no alojamento, quem decidiu pelo transporte e por que o corpo deixou a instalação militar antes da perícia oficial.

Até o momento, as informações públicas não permitem responder definitivamente a essas perguntas.

A médica do Hospital Universitário recusou o atestado

Quando Beatriz chegou ao Hospital Universitário da USP, uma médica responsável pelo atendimento teria se recusado a emitir o atestado de óbito.

Segundo os relatos divulgados, a profissional entendeu que não poderia simplesmente declarar a morte porque a militar já havia chegado sem vida à unidade hospitalar. A Polícia Militar acabou sendo acionada.

Esse episódio contribuiu para que a ocorrência deixasse de ser tratada simplesmente como uma morte natural ou um óbito de causa imediatamente conhecida.

A ausência de uma causa de morte esclarecida e a questão da remoção do corpo antes da perícia fizeram com que o caso fosse encaminhado para investigação.

Por que a Polícia Federal participa do caso

A ocorrência aconteceu dentro de uma instalação militar da Marinha localizada nas dependências da USP.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, por se tratar de uma instalação militar e de área sob jurisdição da União, a investigação deverá envolver a Polícia Federal, além da própria Marinha.

O caso foi inicialmente registrado no 7º Distrito Policial, na Lapa, mas a apuração das circunstâncias da morte ficará sob responsabilidade das autoridades competentes da esfera federal e militar.

A causa da morte ainda é desconhecida

Até o momento, não há causa oficial da morte divulgada.

Também não há, nas informações públicas disponíveis, conclusão de que Beatriz tenha sido vítima de homicídio.

Da mesma forma, não há confirmação de suicídio, acidente ou morte natural.

Por isso, qualquer conclusão antecipada seria precipitada.

A perícia e os exames deverão determinar elementos fundamentais para a investigação, incluindo a causa e a dinâmica da morte.

O que a Marinha diz

A Marinha do Brasil confirmou a morte e afirmou que as circunstâncias estão sendo apuradas.

Em nota, a instituição informou que Beatriz foi encontrada desfalecida no alojamento e que a equipe médica foi imediatamente ao local.

A corporação também declarou que “as causas e circunstâncias da morte estão sendo apuradas pela Marinha e pelas autoridades periciais competentes” e informou que presta assistência social, psicológica e religiosa aos familiares.

A posição oficial da Marinha não apresenta, até agora, uma explicação pública detalhada para a retirada do corpo antes da perícia.

Esse é um dos pontos que deverão ser esclarecidos pela investigação.

Perguntas que precisam de resposta

O caso apresenta uma série de questões objetivas:

1. Em que horário Beatriz Fickert Santoro foi encontrada?

2. Quem encontrou a segundo-tenente?

3. Em que condições ela estava no alojamento?

4. Houve sinais de violência ou algum outro elemento relevante no local?

5. Quem determinou a retirada do corpo?

6. Por que a militar foi levada ao hospital antes da realização da perícia?

7. Quais procedimentos médicos foram realizados no alojamento?

8. Por que a médica do Hospital Universitário se recusou a emitir o atestado de óbito?

9. Qual foi o horário aproximado da morte?

10. O que apontarão os exames periciais?

Essas respostas serão fundamentais para determinar se houve apenas uma emergência médica seguida de uma decisão equivocada de transporte ou se existem outros elementos relevantes para a investigação.

Desconfiança e cautela

A retirada do corpo antes da perícia naturalmente provoca questionamentos, principalmente porque a preservação da cena pode ser fundamental para determinar a causa e as circunstâncias de uma morte suspeita.

Mas é preciso separar questionamento de acusação.

Até o momento, as autoridades não divulgaram uma conclusão de que alguém tenha provocado a morte de Beatriz ou alterado deliberadamente a cena.

A possibilidade de fraude processual mencionada no registro policial é, neste momento, uma hipótese investigativa, e não uma condenação ou fato comprovado.

O que causa desconfiança é a sequência: uma militar é encontrada sem vida em uma instalação da Marinha, o corpo é levado ao hospital, a médica se recusa a emitir o atestado porque a paciente já chegou morta e, segundo o registro policial, a perícia não teve acesso imediato ao local original. Essa sequência precisa ser explicada de forma transparente.

Partes envolvidas

Beatriz Fickert Santoro — segundo-tenente da Marinha, engenheira mecânica, de 33 anos, encontrada morta no alojamento do Centro Tecnológico da Marinha na USP.

Marinha do Brasil — instituição à qual Beatriz pertencia e responsável pelo Centro Tecnológico onde ocorreu a morte.

Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTM-SP) — instalação militar localizada na Cidade Universitária da USP onde Beatriz foi encontrada.

Universidade de São Paulo (USP) — instituição onde está localizada a instalação da Marinha e o Hospital Universitário que recebeu a militar.

Hospital Universitário da USP — unidade para onde Beatriz foi levada e onde sua morte foi constatada.

Priscila Valente Fernandes — capitã de corveta identificada nas informações policiais como a militar que transportou Beatriz ao hospital.

Polícia Militar de São Paulo — acionada após a recusa da médica do hospital em emitir o atestado de óbito.

Polícia Civil de São Paulo — responsável pelo registro inicial da ocorrência no 7º Distrito Policial, na Lapa.

Polícia Federal — responsável pela investigação em razão de a morte ter ocorrido em instalação militar federal.

Perícia oficial — responsável por examinar a cena, o corpo e demais elementos necessários para esclarecer causa e circunstâncias da morte.

O ponto central do caso

A morte de Beatriz Fickert Santoro ainda é um caso sem resposta definitiva.

A jovem oficial, engenheira mecânica da Marinha e integrante do Centro Tecnológico da instituição na USP, foi encontrada morta dentro de um alojamento militar. A causa da morte ainda não foi esclarecida.

O elemento que mais exige explicação é a remoção do corpo antes da perícia no local, conforme registrado pela polícia. Ao mesmo tempo, a Marinha sustenta que sua equipe médica foi imediatamente acionada e encaminhou a militar ao Hospital Universitário.

Agora, caberá à investigação reconstruir passo a passo o que aconteceu.

Não há, até o momento, base para afirmar homicídio, suicídio ou qualquer crime. Mas também não há uma explicação pública definitiva para todos os acontecimentos que antecederam a chegada de Beatriz ao hospital.

Por isso, a prioridade deve ser a preservação das provas, a realização completa da perícia e a transparência sobre os procedimentos adotados desde o momento em que a oficial foi encontrada.

A família de Beatriz precisa de respostas. E a sociedade também precisa saber exatamente o que aconteceu dentro de uma instalação militar localizada no coração da Universidade de São Paulo.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags