
Justiça manda soltar mulher sancionada pelos EUA por suspeita de ligação com o PCC; operação da PF continua e novos mandados são expedidos
Decisão da Justiça Federal revoga a prisão temporária de sete investigados na Operação Exchange, enquanto três suspeitos passam a ser considerados foragidos. Polícia Federal investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas.
A Justiça Federal determinou a soltura de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, brasileira sancionada pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão também beneficiou outros seis investigados que estavam presos temporariamente desde a deflagração da Operação Exchange, conduzida pela Polícia Federal.
A decisão foi proferida pela 7ª Vara Criminal Federal de Santos, que entendeu não haver fundamentos suficientes para converter as prisões temporárias em preventivas. Ao mesmo tempo, a magistrada decretou a prisão preventiva de três investigados que continuam foragidos da Justiça brasileira.
Entre eles está o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um dos principais operadores financeiros da organização investigada. Também tiveram a prisão preventiva decretada Amauri Henrique de Oliveira, pai de Stella, e Ygor Fokin Saviolli, considerado pela investigação um dos líderes da estrutura criminosa. Ygor, no entanto, já havia sido preso pelo FBI em janeiro deste ano durante fiscalização em um aeroporto da Flórida, nos Estados Unidos.
Operação mira estrutura bilionária de lavagem de dinheiro
A Operação Exchange foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização suspeita de lavar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.
Segundo as investigações, o grupo utilizava uma sofisticada rede financeira formada por empresas de fachada, contas bancárias, movimentações em criptomoedas e transporte de grandes quantias de dinheiro em espécie para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Além das prisões, a operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, limitados ao montante de R$ 10,4 bilhões.
Quem são os principais investigados
A Polícia Federal aponta Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido pelo apelido de “Japa”, como um dos coordenadores da estrutura financeira investigada.
De acordo com os investigadores, ele teria utilizado mais de 70 empresas para movimentar recursos ilícitos, motivo pelo qual foi descrito por agentes federais como um “doleiro moderno”.
Entre as funções atribuídas aos investigados estão:
- coordenação financeira da organização;
- transporte de dinheiro em espécie;
- lavagem de recursos por meio de empresas;
- utilização de criptomoedas para ocultar operações;
- movimentações bancárias de alto valor;
- remessas internacionais de recursos.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Stella foi alvo de sanções dos Estados Unidos
Além da investigação brasileira, Stella Stefanie também foi incluída na lista de sanções econômicas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
As autoridades norte-americanas afirmam que ela teria atuado como secretária e colaboradora de Victor Shimada, sendo responsável pelo apoio logístico e pela coleta de grandes quantias de dinheiro utilizadas na suposta rede internacional de lavagem de recursos.
Segundo os investigadores americanos, Stella utilizava o codinome “Lara Croft”, enquanto Shimada era conhecido como “Japa”.
As sanções determinaram o bloqueio de eventuais bens em território americano e alcançam empresas controladas direta ou indiretamente pelos investigados.
Defesa afirma confiar na investigação
Após a decisão judicial, os advogados de Stella divulgaram nota afirmando que receberam a determinação com serenidade.
A defesa informou que a Justiça decidiu não converter a prisão temporária em preventiva e destacou que a investigação tramita sob segredo de Justiça.
Os advogados também afirmaram confiar que a inocência da investigada será demonstrada durante o andamento do processo, motivo pelo qual não comentariam o conteúdo dos autos.
Empresário segue foragido
Enquanto Stella deixou a prisão por decisão judicial, Victor Henrique de Oliveira Shimada permanece foragido.
Além da investigação sobre lavagem de dinheiro para o PCC, ele também aparece em apurações relacionadas ao caso VaideBet, que investiga supostos desvios financeiros envolvendo contratos de patrocínio esportivo.
Segundo o governo dos Estados Unidos, Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas, utilizando criptomoedas para enviar recursos ao Brasil em benefício da facção criminosa.
Sua defesa nega qualquer participação em organização criminosa e afirma que só se manifestará de forma detalhada após acesso completo às decisões judiciais e aos elementos da investigação.
Justiça mantém investigação em andamento
Embora tenha determinado a soltura dos presos temporários, a decisão da Justiça Federal não encerra as investigações.
A Polícia Federal continua apurando a existência de uma estrutura internacional de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas, envolvendo empresas, operadores financeiros, movimentações milionárias e conexões no Brasil e no exterior.
Os mandados de prisão preventiva expedidos contra os investigados que permanecem foragidos seguem válidos, enquanto as apurações continuam reunindo provas sobre a atuação da suposta organização criminosa.
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