
Lula convida Motta e Alcolumbre para viagens internacionais após vitória eleitoral: começou a temporada de passeios com dinheiro público?
Presidente chama os comandantes da Câmara e do Senado para acompanhá-lo à Turquia e às Filipinas. Convites acontecem um dia depois da reeleição e em meio à articulação política para garantir apoio no Congresso. Enquanto o brasileiro paga impostos e enfrenta dificuldades econômicas, o Planalto prepara mais uma rodada de viagens internacionais com comitivas oficiais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece não querer perder tempo depois da vitória nas urnas. Apenas um dia após sua reeleição, em 26 de outubro, durante encontro no Palácio da Alvorada, convidou os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), para acompanhá-lo em duas viagens internacionais previstas para novembro: Turquia e Filipinas.
A primeira parada será na Turquia, onde Lula participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), nos dias 11 e 12 de novembro. Na sequência, seguirá para as Filipinas, onde participará da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), nos dias 14 e 15. O retorno ao Brasil está previsto para depois dos compromissos internacionais.
Hugo Motta ainda avalia se aceitará os dois convites. Alcolumbre também foi chamado para integrar a comitiva. A ex-ministra Marina Silva deverá participar da agenda relacionada à COP31.
O detalhe politicamente interessante é o momento escolhido para esses convites. Motta e Alcolumbre estão empenhados em renovar seus mandatos no comando das duas Casas legislativas, cuja eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Lula já declarou apoio à permanência de ambos nos cargos.
Ou seja, a aproximação não acontece no vazio. Os dois parlamentares têm influência direta sobre a tramitação de projetos e interesses do governo no Congresso Nacional.
E aqui começa a parte que merece atenção do contribuinte: quem paga a conta dessas viagens, qual será o tamanho das comitivas, quanto custarão passagens, hospedagens, segurança e deslocamentos e quais resultados concretos essas agendas internacionais entregarão ao Brasil?
Não há divulgação, até o momento, dos custos específicos nem confirmação de que Motta e Alcolumbre aceitaram os convites. Portanto, não se pode afirmar que essas despesas já foram realizadas. Mas a cobrança por transparência é absolutamente legítima.
Depois de tantas promessas, discursos e cobranças por responsabilidade fiscal, o brasileiro tem o direito de perguntar se a prioridade do governo será trabalhar para resolver os problemas nacionais ou ampliar a agenda internacional de encontros políticos.
Afinal, para quem administra dinheiro público, viajar não pode ser tratado como benefício pessoal, cortesia política ou recompensa por alianças.
Agora que as eleições passaram, fica a impressão irônica de que o acelerador das viagens foi acionado. O contribuinte, como sempre, fica com a expectativa de conhecer a fatura.
O dinheiro não é de Lula, não é de Motta e muito menos de Alcolumbre. É dinheiro do povo brasileiro. Antes de preparar as malas, o governo deveria preparar a prestação de contas.