
Lula convida novo presidente do Paraguai para visitar Brasília após impeachment de Santiago Peña
Pedro Alliana assumiu a Presidência paraguaia depois da destituição de Santiago Peña pelo Senado. Em mensagem publicada nas redes sociais, Lula desejou sucesso ao novo chefe de Estado e defendeu o fortalecimento das relações entre os dois países, em meio à crise envolvendo o Ueno Bank.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou Pedro Alliana, recém-empossado presidente do Paraguai, para uma visita a Brasília. O convite foi feito em uma mensagem publicada na rede social X, na sexta-feira (6), poucas horas depois de Alliana assumir o comando do país vizinho, após a destituição de Santiago Peña pelo Senado paraguaio.
Na manifestação, Lula desejou êxito ao novo presidente e afirmou que pretende trabalhar com o governo paraguaio de maneira “aberta, franca e cooperativa”. O petista também defendeu o fortalecimento das relações bilaterais e o avanço da integração sul-americana.
“Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade”, escreveu o presidente brasileiro.
Alliana respondeu agradecendo a manifestação e sinalizou disposição para manter uma relação próxima com o Brasil. Segundo ele, os dois países permanecem unidos por laços de fraternidade e devem iniciar uma relação de cooperação em benefício de suas populações.
Mudança de governo em meio a uma crise política e financeira
A chegada de Pedro Alliana à Presidência ocorreu em circunstâncias extraordinárias. Até então vice-presidente do Paraguai, ele assumiu o cargo depois que o Senado aprovou a destituição de Santiago Peña, em votação que terminou com 44 votos favoráveis e uma ausência, segundo os relatos publicados sobre a decisão.
Peña havia chegado ao poder em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. A crise que levou à sua saída está relacionada ao Ueno Bank, instituição financeira que enfrentou problemas e teve suas operações interrompidas após uma intervenção das autoridades paraguaias.
O caso envolve suspeitas de irregularidades em operações financeiras e na destinação de recursos públicos e previdenciários ao banco. As acusações também atingiram a relação entre integrantes do governo e a instituição financeira. Peña nega ter cometido irregularidades, e as suspeitas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
A crise ganhou dimensão nacional porque o banco atendia milhões de clientes. A interrupção das operações provocou preocupação entre correntistas e colocou sob pressão as instituições responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro paraguaio.
Quem é Pedro Alliana?
Pedro Alliana, de 52 anos, é integrante do Partido Colorado e ocupava a vice-presidência do Paraguai desde agosto de 2023. Ele assumiu a Presidência para concluir o período de governo originalmente iniciado por Santiago Peña, com término previsto para agosto de 2028.
A mudança no comando do país coloca Alliana diante de desafios políticos, econômicos e institucionais. Além de conduzir a administração em meio às consequências da crise bancária, o novo presidente terá de lidar com a cobrança por esclarecimentos sobre as suspeitas envolvendo o Ueno Bank.
O novo governo também precisará preservar a confiança nas instituições paraguaias e dar respostas aos clientes atingidos pela interrupção das atividades da instituição financeira.
Relação com o Brasil e importância de Itaipu
A situação política do Paraguai tem importância direta para o Brasil. Os dois países mantêm uma relação estratégica, com destaque para o comércio bilateral, a cooperação regional e a administração compartilhada da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Por isso, a transição de governo em Assunção exige atenção do Palácio do Planalto e do Itamaraty. Uma eventual instabilidade prolongada pode gerar preocupações sobre investimentos, comércio e projetos de interesse comum.
Apesar das diferenças políticas e ideológicas entre os governos, Brasil e Paraguai têm interesses econômicos e diplomáticos que ultrapassam os posicionamentos partidários de seus respectivos presidentes.
O governo brasileiro, por sua vez, evitou fazer comentários públicos sobre as circunstâncias que levaram à destituição de Peña. A orientação diplomática foi tratar o episódio como uma questão interna do Paraguai, respeitando a soberania das instituições daquele país.
Lula e Santiago Peña mantinham uma relação institucional cordial, embora tenham ocorrido momentos de tensão diplomática, inclusive em episódios relacionados a Itaipu e a declarações do presidente brasileiro sobre a Guerra do Paraguai.
Convite ainda sem data definida
Até a publicação das primeiras notícias sobre o convite, não havia confirmação de uma data para a visita de Pedro Alliana a Brasília. A mensagem de Lula representa uma sinalização de aproximação diplomática, mas os detalhes de uma eventual reunião ainda dependem de negociação entre os dois governos.
O encontro poderá servir para discutir comércio, energia, integração regional e os próximos passos da relação bilateral em um momento de mudança no cenário político paraguaio.
A prioridade imediata do novo presidente, entretanto, será administrar a crise interna e responder às consequências políticas e financeiras que culminaram na saída de Santiago Peña do poder.
A sucessão abre uma nova etapa nas relações entre Brasília e Assunção. Para o Brasil, acompanhar a estabilidade institucional do país vizinho é importante não apenas pela proximidade geográfica, mas também pelos interesses econômicos, energéticos e estratégicos compartilhados pelas duas nações.