
Lula e presidente da Coreia do Sul criam grupo de trabalho para impulsionar acordo entre Mercosul e Seul
Brasil e Coreia do Sul fortalecem parceria estratégica com foco em comércio, tecnologia e investimentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (27) o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, em visita oficial ao Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro marcou um novo passo nas relações bilaterais entre os dois países, com o anúncio da criação de um grupo de trabalho de alto nível destinado a acelerar as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul.

A iniciativa busca destravar um processo de negociação iniciado há vários anos e considerado estratégico tanto para os países do Mercosul quanto para o governo sul-coreano. Pelo lado brasileiro, a coordenação do grupo ficará sob responsabilidade do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, enquanto a Coreia do Sul indicará representantes de seu Ministério do Comércio e de outras áreas estratégicas.
Grupo pretende acelerar negociações
Durante a reunião bilateral, os dois presidentes reconheceram que as negociações para um acordo de livre comércio avançaram lentamente nos últimos anos e decidiram criar um mecanismo permanente de coordenação política.
O objetivo do grupo será:
- acelerar as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul;
- eliminar entraves técnicos e comerciais;
- ampliar investimentos bilaterais;
- fortalecer a integração econômica;
- aumentar o intercâmbio industrial e tecnológico.
Segundo o governo brasileiro, a expectativa é concluir avanços significativos ainda em 2026.
Diversificação comercial ganha importância
A visita do presidente sul-coreano ocorre em um momento de reorganização da política comercial brasileira.
Nos últimos meses, o governo Lula tem buscado ampliar mercados internacionais para reduzir a dependência de determinados parceiros comerciais, especialmente diante das recentes medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Nesse contexto, a aproximação com economias asiáticas passou a ser considerada prioridade da política externa brasileira.
Comércio entre Brasil e Coreia segue em expansão
A Coreia do Sul ocupa posição de destaque entre os principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia.
Em 2025, o comércio bilateral alcançou aproximadamente US$ 10,8 bilhões, consolidando o país asiático como:
- quarto maior parceiro comercial brasileiro no continente asiático;
- quinto principal destino das exportações brasileiras na região.
O governo brasileiro acredita que um acordo comercial poderá ampliar significativamente esse volume nos próximos anos.
Carne brasileira está entre prioridades
Um dos principais temas discutidos foi a abertura do mercado sul-coreano para produtos do agronegócio brasileiro.
O governo brasileiro busca autorização para ampliar as exportações de:
- carne bovina;
- carne suína;
- outros produtos agropecuários.
Autoridades brasileiras afirmam que a habilitação sanitária desses produtos poderá gerar novos investimentos e aumentar a participação brasileira no mercado asiático.
Cooperação vai além do comércio
Além do acordo econômico, Lula e Lee Jae-myung discutiram uma agenda ampla de cooperação tecnológica e científica.
Entre os setores considerados prioritários estão:
- semicondutores;
- inteligência artificial;
- minerais críticos;
- transição energética;
- indústria de baterias;
- saúde;
- indústria farmacêutica;
- cosméticos;
- educação;
- ciência e inovação;
- cultura;
- esportes.
A intenção é ampliar parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas dos dois países.
Cerimônia oficial no Palácio da Alvorada
Lee Jae-myung chegou ao Palácio da Alvorada acompanhado da primeira-dama Kim Hea Kyung, sendo recebido por Lula e pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
Após a cerimônia oficial de boas-vindas, os chefes de Estado participaram de reuniões reservadas, encontros entre ministros e assinatura de atos de cooperação.
Papel de Geraldo Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin terá papel central na nova estratégia.
Além de coordenar o grupo de trabalho brasileiro, caberá a ele articular:
- negociações comerciais;
- diálogo com empresários brasileiros;
- interlocução com representantes do Mercosul;
- coordenação das áreas industrial e tecnológica.
A expectativa do governo é que Alckmin conduza diretamente as tratativas para aproximar as posições dos países envolvidos.
Relação estratégica
A visita de Estado reforça a intenção dos dois governos de elevar o relacionamento bilateral a um novo patamar estratégico.
Para o Brasil, a Coreia do Sul representa um parceiro importante na atração de investimentos de alta tecnologia e na diversificação dos mercados de exportação.
Já para o governo sul-coreano, o Mercosul continua sendo um dos principais blocos econômicos da América do Sul e um mercado relevante para empresas dos setores automotivo, eletrônico, químico, tecnológico e de infraestrutura.
Com a criação do novo grupo de trabalho, Brasil e Coreia do Sul sinalizam disposição política para destravar um acordo comercial considerado estratégico para ambas as economias e ampliar a cooperação em áreas de inovação, indústria, energia e desenvolvimento sustentável.