
Lula minimiza crise envolvendo ex-assessor Marcola e defende presunção de inocência após afastamento da campanha
Presidente afirma a aliados que acredita na versão de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, de que repasse recebido de Roberta Luchsinger foi um empréstimo pessoal. Caso entrou no radar da Polícia Federal em investigação que envolve suspeitas sobre a lobista e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu minimizar a crise política envolvendo seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou a coordenação da campanha presidencial após a divulgação de informações sobre um pagamento recebido da empresária e lobista Roberta Luchsinger.
Durante uma reunião com aliados realizada no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que pretende garantir a presunção de inocência ao ex-assessor e disse acreditar na explicação apresentada por Marcola de que o valor recebido se tratava de um empréstimo pessoal.
Segundo relatos de participantes do encontro, Lula questionou:
“Quem aqui nunca pediu um empréstimo para um amigo?”
A frase foi interpretada por aliados como uma tentativa de reduzir o impacto político do episódio e reforçar a defesa de Marcola diante das suspeitas levantadas.
Lula destaca relação de confiança com ex-assessor
Durante a conversa com integrantes da base governista, o presidente ressaltou a relação de confiança que mantém com Marcola, que durante anos ocupou uma posição próxima ao núcleo do governo.
Segundo pessoas presentes, Lula afirmou que o ex-assessor colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça, como forma de demonstrar transparência e afastar suspeitas sobre a origem dos recursos.
Marcola deixou a equipe de campanha para se dedicar à própria defesa e afirmou que provará não ter cometido irregularidades.
Entenda o caso envolvendo Roberta Luchsinger
O episódio veio à tona após informações relacionadas a uma investigação da Polícia Federal envolvendo pagamentos feitos por Roberta Luchsinger ao ex-assessor.
Segundo a investigação, o repasse passou a ser analisado dentro de um contexto mais amplo envolvendo suspeitas sobre possíveis relações de influência e acesso a integrantes do governo federal.
A PF investiga também conexões envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.
Os investigadores avaliam se os pagamentos poderiam ter relação com eventual facilitação de acesso a autoridades públicas, hipótese que é negada pelos envolvidos.
Marcola nega irregularidades
Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que o dinheiro recebido de Roberta Luchsinger correspondeu a um empréstimo pessoal já quitado.
O ex-assessor negou qualquer irregularidade e declarou estar disposto a colaborar com as investigações.
A defesa sustenta que a transação teve caráter privado e que não houve qualquer relação com favorecimento político, influência ou atuação dentro do governo.
Campanha de Lula tenta reduzir impacto eleitoral
Aliados do presidente avaliam que o afastamento de Marcola não deverá provocar grande desgaste na campanha de reeleição.
Integrantes da equipe petista afirmam que a saída ocorreu por iniciativa do próprio ex-assessor, que preferiu concentrar esforços na defesa pessoal.
Um interlocutor da campanha declarou que o episódio seria mais uma tentativa de atingir pessoas próximas a Lula.
Segundo essa avaliação, adversários políticos estariam explorando o caso para criar desgaste eleitoral, mas o grupo acredita que os esclarecimentos deverão afastar as suspeitas.
Investigação também envolve Lulinha
A investigação que cita Roberta Luchsinger também alcança Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que aparece em apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência.
O caso ganhou repercussão política por envolver pessoas próximas ao presidente da República, embora Lula não seja apontado como investigado nesse episódio.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito relacionado às apurações.
Crise ocorre em momento decisivo da campanha
O afastamento de Marcola acontece em um período considerado estratégico para a campanha presidencial de Lula, que busca reorganizar sua equipe e fortalecer sua atuação política antes do avanço do calendário eleitoral.
Apesar da repercussão negativa, aliados afirmam que o presidente pretende manter o discurso de defesa da investigação dos fatos, mas sem abandonar a relação pessoal de confiança com o ex-assessor.
Ao defender Marcola e citar a possibilidade de qualquer pessoa recorrer a um empréstimo com amigos, Lula procurou apresentar o caso como uma questão pessoal e financeira, enquanto as autoridades responsáveis pelas investigações continuam analisando as circunstâncias do pagamento e suas possíveis conexões.