
Moraes pede acesso a nova petição sigilosa antes de julgamento no STF
Ministro Alexandre de Moraes solicitou acesso a documentos de procedimento sob relatoria de André Mendonça relacionado às investigações do Banco Master; pedido ocorre às vésperas de julgamento que poderá decidir se haverá investigação sobre o ministro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou neste domingo (13) acesso a uma nova petição mantida sob sigilo antes do julgamento marcado para terça-feira (15). O documento está sob relatoria do ministro André Mendonça e está relacionado ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo o InfoMoney, Moraes deu prazo de 24 horas para que os documentos sejam liberados para seu acesso. O pedido ocorre em meio a uma disputa dentro do próprio STF sobre quais informações e elementos reunidos nas investigações devem estar disponíveis aos ministros antes da sessão.
Petição está sob relatoria de André Mendonça
O documento solicitado por Moraes faz parte de um procedimento relacionado às investigações do Banco Master, atualmente sob responsabilidade de André Mendonça.
A solicitação acontece em um momento particularmente sensível para o Supremo. Na terça-feira, o plenário deverá analisar questões relacionadas às mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, podendo decidir sobre a abertura ou o arquivamento de uma investigação envolvendo o ministro.
A discussão sobre o acesso aos documentos ganhou importância porque diferentes ministros passaram a solicitar acesso a elementos reunidos durante as investigações.
O celular de Daniel Vorcaro também entrou no centro da disputa
Além da nova petição sigilosa, outro ponto de tensão envolve os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.
O aparelho foi apreendido em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, e posteriormente submetido a perícia. A Polícia Federal informou que possui condições técnicas para compartilhar uma cópia dos dados com os ministros, preservando a cadeia de custódia e certificando a integridade do material.
O ministro Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregue até as 23h deste domingo uma cópia da mídia de um dos celulares apreendidos de Vorcaro.
A medida aumenta a pressão para que os ministros tenham acesso ao conjunto de informações antes do julgamento.
O que será analisado pelo STF
A sessão prevista para terça-feira ocorre em torno das mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a sessão plenária extraordinária seja concentrada na decisão sobre investigar ou arquivar as apurações relacionadas às mensagens. O julgamento de questões envolvendo André Mendonça ficou previsto para outra data, segundo as informações divulgadas pelo InfoMoney.
A discussão, portanto, não representa uma conclusão antecipada sobre eventual crime. O que está em debate é se existem elementos suficientes para justificar a abertura ou o prosseguimento de uma investigação.
Moraes busca conhecer os documentos antes da decisão
O pedido de acesso feito pelo próprio Moraes acrescenta um novo elemento à disputa interna do STF.
O ministro pretende ter conhecimento da petição que está sob sigilo e relacionada às investigações do Banco Master antes que o plenário se reúna.
A situação evidencia a preocupação dos ministros em conhecer os elementos disponíveis antes de uma decisão que poderá ter consequências institucionais relevantes.
André Mendonça havia informado anteriormente que os elementos considerados relevantes para o julgamento de terça-feira já estavam disponíveis. A manifestação ocorreu justamente em meio à pressão de outros ministros por acesso mais amplo aos dados reunidos na investigação.
Uma disputa interna em momento delicado
O episódio ocorre em uma fase de forte tensão no Supremo. A discussão sobre o Banco Master passou a envolver diferentes ministros, pedidos de acesso a documentos, informações extraídas de celulares e procedimentos submetidos a diferentes relatorias.
De um lado, há a necessidade de preservar o sigilo de investigações e a cadeia de custódia das provas. De outro, ministros que participarão do julgamento defendem ter acesso aos elementos necessários para formar sua convicção.
Nesse cenário, a nova petição sigilosa solicitada por Moraes se tornou mais um ponto de atenção antes da sessão.
As partes envolvidas
O caso envolve diretamente Alexandre de Moraes, que solicitou acesso ao documento; André Mendonça, responsável pela relatoria do procedimento que contém a petição; Edson Fachin, presidente do STF e responsável por organizar a sessão; Cristiano Zanin, que determinou a entrega de dados do celular de Vorcaro; e Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master.
A Polícia Federal também ocupa papel importante, especialmente pela perícia e pelo armazenamento dos dados extraídos dos aparelhos apreendidos.
Cada um dos atores possui uma função distinta no episódio, e a existência de pedidos de acesso a documentos sigilosos não significa, por si só, que qualquer das pessoas envolvidas tenha cometido irregularidade.
O julgamento ganha importância institucional
A sessão de terça-feira terá peso político e institucional porque envolve diretamente um ministro do próprio Supremo.
A decisão sobre investigar ou arquivar as apurações relacionadas às mensagens entre Moraes e Vorcaro deverá ser tomada pelo plenário dentro de um cenário de intensa repercussão pública sobre o caso Banco Master.
A busca por documentos adicionais antes do julgamento demonstra que os elementos reunidos na investigação ainda são objeto de discussão entre os próprios integrantes da Corte.
Com a solicitação de Moraes, a expectativa agora se concentra na liberação da petição sob sigilo e na possibilidade de os ministros analisarem o conteúdo antes da sessão.
O episódio coloca novamente o STF no centro das atenções e amplia a discussão sobre transparência, sigilo, acesso às provas e imparcialidade institucional.
Até o julgamento, porém, qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade de Alexandre de Moraes seria prematura. O que está oficialmente em discussão é a existência de elementos que justifiquem a abertura ou o arquivamento de uma investigação.
A decisão do plenário deverá definir o próximo passo do caso e poderá estabelecer novos desdobramentos nas investigações relacionadas ao Banco Master.