
PF aponta pagamentos de lobista a servidores do governo Lula e dinheiro vivo guardado em malas
Roberta Luchsinger, investigada ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria ordenado depósitos de R$ 60 mil a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social; investigação também cita R$ 500 mil em espécie e pagamento de R$ 193 mil a Fernando Bittar.
A investigação da Polícia Federal sobre a lobista Roberta Luchsinger ganhou novos elementos. Segundo mensagens e comprovantes analisados pelos investigadores, ela teria determinado que seu motorista e auxiliar, Ulisses Barbosa, realizasse pagamentos que totalizaram R$ 60 mil para contas relacionadas a integrantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, comandado pelo ministro Wellington Dias.
Entre os nomes citados estão Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto da pasta, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro. Uma terceira transferência teria sido destinada a uma parente de Martinho.
As mensagens também indicam que Luchsinger mantinha grandes quantias em dinheiro vivo. Em março de 2023, Ulisses Barbosa teria informado que havia R$ 500 mil guardados em malas. Na mesma ocasião, segundo a investigação, Luchsinger determinou a entrega de R$ 193 mil a Fernando Bittar, empresário que já foi sócio de Fábio Luís Lula da Silva.
Os fatos fazem parte de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal que investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Roberta Luchsinger e Lulinha.
Pagamentos a integrantes do Ministério de Wellington Dias
O ponto central da nova revelação está em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Roberta Luchsinger.
Segundo o material analisado pelos investigadores, em junho de 2023 a lobista orientou seu motorista, Ulisses Barbosa, a realizar transferências para três contas.
O valor total indicado nas conversas era de R$ 60 mil.
Entre os destinatários estavam:
- Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social;
- José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial do ministro Wellington Dias;
- uma terceira conta vinculada a uma parente de José Martinho.
A PF encontrou, além das conversas, comprovantes bancários que seriam compatíveis com as orientações encontradas nas mensagens.
O episódio ganhou importância para os investigadores porque, aproximadamente seis meses depois, o Ministério do Desenvolvimento Social firmou contrato de cerca de R$ 30 milhões com um empresário do setor de tecnologia que era representado por Roberta Luchsinger.
A coincidência temporal passou a ser analisada pela PF no contexto das suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
O que diz o Ministério do Desenvolvimento Social
O Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias, rejeitou a hipótese de fa