PF mira Cláudio Castro em nova operação e levanta debate sobre política no Rio

PF mira Cláudio Castro em nova operação e levanta debate sobre política no Rio

Ex-governador do Rio vira alvo da Polícia Federal em investigação sobre aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, voltou ao centro de uma nova ofensiva da Polícia Federal nesta terça-feira (26). Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em um imóvel ligado ao político, localizado no condomínio Península, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, durante a oitava fase da Operação Compliance Zero.

A operação investiga movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo recursos do Rioprevidência aplicados em fundos ligados ao Banco Master. Segundo os investigadores, os aportes podem ter alcançado cerca de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2024.

Apesar da repercussão da ação, aliados de Cláudio Castro afirmam que o ex-governador estaria sendo alvo de uma intensa perseguição política e midiática, apontando que, até o momento, não houve condenação judicial contra ele. A defesa reforça que Castro colaborou com a operação e nega qualquer irregularidade.

Cobertura milionária e apreensão de celulares aumentam repercussão do caso

A PF esteve em uma cobertura de luxo ocupada atualmente por Cláudio Castro no mesmo condomínio onde outra operação já havia sido realizada dias atrás. O imóvel, avaliado em mais de R$ 4 milhões, passou recentemente por reformas e possui mais de 300 metros quadrados, além de piscina e área de lazer.

Durante o cumprimento dos mandados, dois celulares do ex-governador foram apreendidos. O advogado Carlo Luchione afirmou que Castro recebeu os agentes “com serenidade” e colaborou integralmente com as buscas.

A autorização da operação foi assinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Investigação envolve Rioprevidência e suspeitas de gestão temerária

O foco principal da investigação é o Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal suspeita que, durante a gestão de Deivis Marcon Antunes, houve flexibilização de regras internas que permitiram aplicações consideradas de alto risco em produtos financeiros ligados ao Banco Master.

Deivis, que foi indicado ao cargo durante o governo Castro, está preso desde fevereiro. A PF investiga possíveis crimes como gestão fraudulenta, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e tentativa de obstrução das investigações.

Segundo os investigadores, os aportes começaram com cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do banco e posteriormente ultrapassaram a marca de R$ 2 bilhões em fundos ligados à instituição financeira.

Banco Master entrou na mira após prisão de fundador

O caso ganhou proporções ainda maiores após a prisão do empresário Daniel Vorcaro, acusado de fraudes financeiras e supostas manobras para inflar artificialmente o valor da instituição.

As autoridades suspeitam que o banco utilizava uma rede de fundos e operadores para ocultar a origem de recursos e captar investimentos públicos considerados arriscados.

Além disso, investigadores apuram se houve pagamento de propina a agentes públicos para facilitar os aportes milionários feitos pelo Rioprevidência.

Defesa fala em exagero e questiona exposição pública

Nos bastidores políticos do Rio, aliados de Cláudio Castro criticam a forma como as operações têm sido conduzidas e apontam que existe uma tentativa de desgaste público antecipado, antes mesmo da conclusão das investigações.

Eles argumentam que medidas como buscas em imóveis de alto padrão acabam gerando forte repercussão midiática e alimentando julgamentos precipitados da opinião pública.

A defesa do ex-governador sustenta que não há provas de participação direta de Castro em qualquer esquema ilegal e lembra que investigações não equivalem a condenações.

Ministério Público e TCE acompanham movimentações bilionárias

O caso também mobiliza o Ministério Público do Rio de Janeiro e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O MP entrou com ação para responsabilizar dirigentes do Rioprevidência por um suposto prejuízo bilionário causado pelos investimentos ligados ao Banco Master.

Já o TCE vinha alertando desde 2024 sobre os riscos das aplicações feitas com recursos previdenciários dos servidores estaduais.

Enquanto isso, a investigação segue ampliando o cerco sobre ex-integrantes do governo fluminense, em um dos casos financeiros mais explosivos envolvendo fundos públicos nos últimos anos.

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