
Polícia Federal intima Jaques Wagner para depor em investigação sobre suposto envolvimento no Caso Master
Senador do PT deverá prestar esclarecimentos em agosto sobre suspeitas de recebimento de vantagens indevidas para favorecer interesses do Banco Master; parlamentar nega irregularidades e concentra defesa no inquérito que tramita no STF
O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi intimado pela Polícia Federal (PF) a prestar depoimento no próximo dia 7 de agosto no âmbito das investigações do chamado Caso Master. O parlamentar será ouvido sobre suspeitas de que teria recebido vantagens econômicas indevidas em troca de atuar politicamente para favorecer interesses regulatórios e financeiros ligados ao Banco Master.
A oitiva ocorre no contexto da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em junho deste ano. As investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, em razão do foro por prerrogativa de função do senador.
Suspeitas investigadas pela Polícia Federal
Segundo as investigações, a PF apura se Jaques Wagner recebeu benefícios por intermédio do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Entre os supostos benefícios investigados está um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões, que, de acordo com os investigadores, teria sido utilizado como vantagem indevida em troca da atuação política do senador em assuntos de interesse da instituição financeira.
A Polícia Federal também investiga a existência de movimentações financeiras realizadas por pessoas próximas ao parlamentar, familiares e empresas supostamente ligadas ao grupo empresarial investigado.
De acordo com documentos da investigação, os policiais buscam esclarecer se houve “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, além de identificar a origem e a finalidade dos recursos.
Operação Compliance Zero
A investigação ganhou novos desdobramentos em junho, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador.
Durante a operação, agentes apreenderam cerca de R$ 600 mil em dinheiro em espécie.
Na ocasião, Jaques Wagner afirmou que os valores eram provenientes de recursos próprios e de verbas recebidas legalmente em razão da atividade parlamentar.
Além do dinheiro, a decisão judicial autorizou a apreensão de celulares, computadores, documentos, joias, obras de arte e outros bens considerados relevantes para a investigação.
A defesa do senador apresentou posteriormente um pedido ao Supremo Tribunal Federal solicitando a anulação das buscas, alegando supostas irregularidades na decisão judicial que autorizou a operação.
Relação com Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima
As investigações concentram-se na relação entre Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como ex-sócio de Vorcaro e proprietário do extinto Banco Pleno.
Segundo a Polícia Federal, Augusto Lima teria atuado como interlocutor entre o grupo empresarial e o senador, sendo responsável por operacionalizar supostos repasses financeiros investigados.
Os investigadores também analisam possíveis vínculos entre pessoas do círculo de confiança de Jaques Wagner e empresas relacionadas ao Banco Master.
Até o momento, a investigação segue em fase de produção de provas, sem conclusão definitiva sobre as acusações.
Saída da liderança do governo
Em meio ao avanço das investigações, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado Federal.
A decisão foi anunciada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na ocasião, o senador afirmou que o afastamento havia sido decidido em comum acordo com o presidente para que pudesse dedicar maior atenção à própria defesa e à campanha pela reeleição ao Senado.
Segundo Wagner, a decisão preservaria tanto o trabalho do governo quanto sua atuação no processo judicial.
Investigação continua
O depoimento marcado para 7 de agosto representa uma nova etapa das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Após ouvir o senador, os investigadores poderão confrontar sua versão com os documentos, movimentações financeiras e demais provas reunidas durante a Operação Compliance Zero.
Ao final da apuração, caberá à Polícia Federal encaminhar relatório conclusivo ao Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre os próximos passos do processo, incluindo eventual apresentação de denúncia pelo Ministério Público ou o arquivamento das investigações, conforme as provas produzidas ao longo do inquérito.