Renan Calheiros perde para Arthur Lira e fica fora do Senado após 32 anos

Renan Calheiros perde para Arthur Lira e fica fora do Senado após 32 anos

Quinto mandato não veio: em uma das derrotas mais simbólicas da eleição de 2026, o senador ficou em terceiro lugar em Alagoas, atrás de Arthur Lira e Marina JHC

Depois de 32 anos consecutivos no Senado Federal, Renan Calheiros (MDB-AL) está fora da Casa. Aos 71 anos, o senador tentou conquistar o quinto mandato, mas terminou a eleição de 2026 em terceiro lugar, atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).

O resultado encerra uma das trajetórias mais longas da política brasileira no Senado. Renan chegou à Casa em 1995, foi reeleito em 2002, 2010 e 2018 e, durante esse período, ocupou posições de enorme influência no Congresso, inclusive a Presidência do Senado em quatro ocasiões.

Desta vez, porém, a urna não renovou o mandato.

E a ironia política é que o homem que durante décadas conheceu os corredores, as negociações e os bastidores do Congresso acabou sendo derrotado justamente em sua própria base eleitoral.

O resultado que tirou Renan do Senado

Com 100% das urnas apuradas, Arthur Lira ficou em primeiro lugar, com 948.703 votos, ou 28,87% dos votos válidos.

Marina JHC terminou em segundo, com 926.860 votos, 28,20%.

Renan Calheiros ficou em terceiro, com 731.045 votos, 22,24%. A diferença para Marina foi de 195.815 votos.

Assim, as duas cadeiras de Alagoas no Senado a partir de 2027 serão ocupadas por Arthur Lira e Marina JHC.

Renan, depois de mais de três décadas, terá de deixar a Casa.

Três décadas de Senado chegam ao fim

A carreira de Renan começou muito antes de sua chegada ao Senado.

Ele iniciou a vida política em Alagoas como deputado estadual, no fim da década de 1970. Depois foi deputado federal e, em 1995, assumiu pela primeira vez uma cadeira no Senado.

Durante sua trajetória, também ocupou o Ministério da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, entre 1998 e 1999.

No Senado, tornou-se uma das figuras mais influentes do Congresso Nacional, chegando à Presidência da Casa em 2005, 2007, 2013 e 2015.

Foi também líder do governo no Senado e um dos principais articuladores do MDB durante diferentes governos.

Em outras palavras: foram décadas de poder, influência, articulação e presença permanente no cenário político nacional.

Mas a urna de 2026 colocou um ponto final nessa sequência.

Arthur Lira derrota um dos maiores caciques de Alagoas

A vitória de Arthur Lira tem um significado especial.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Lira construiu uma carreira política também profundamente ligada a Alagoas. Foi vereador de Maceió, deputado estadual e, desde 2011, deputado federal.

Na Câmara, tornou-se uma das principais lideranças do chamado Centrão e presidiu a Casa entre 2021 e 2025.

Agora, troca a Câmara pelo Senado.

E chega à Casa Alta justamente derrotando um dos políticos que durante décadas dominaram a política alagoana.

A disputa, portanto, não foi apenas uma eleição para duas cadeiras.

Foi também uma disputa entre nomes de enorme peso político no estado.

Marina JHC também surpreende

A segunda vaga ficou com Marina JHC.

Empresária, formada em Direito e Administração e ex-primeira-dama de Maceió, Marina fez sua primeira disputa eleitoral em 2026 e conseguiu superar Renan Calheiros.

Ela recebeu 926.860 votos, ficando apenas 21.843 votos atrás de Arthur Lira.

Sua campanha apostou fortemente nas redes sociais e na imagem associada ao marido, JHC, que também foi eleito governador de Alagoas.

O resultado colocou Marina diretamente no Senado e retirou da Casa um político que estava lá desde o século passado.

A mudança é significativa.

A derrota de Renan também atinge o grupo político da família

A eleição de 2026 foi ainda mais dura para o grupo de Renan Calheiros porque seu filho, Renan Filho, também não conseguiu conquistar o governo de Alagoas.

JHC venceu a disputa pelo governo estadual.

Assim, o resultado representou uma dupla derrota eleitoral para o grupo político dos Calheiros: Renan Calheiros perdeu a vaga no Senado e Renan Filho perdeu o governo estadual.

O cenário mostra que a influência construída durante décadas não necessariamente se traduz em vitória automática nas urnas.

A política, afinal, pode parecer permanente nos palanques e nos gabinetes.

Na urna, não existe mandato vitalício.

O quinto mandato que não aconteceu

Renan buscava seu quinto mandato consecutivo no Senado.

Se tivesse vencido, continuaria entre os políticos mais longevos da história recente do Congresso.

Mas ficou em terceiro lugar.

E aqui aparece uma das ironias mais marcantes do resultado:

32 anos no Senado não foram suficientes para garantir mais oito.

A carreira acumulada, os cargos ocupados, a experiência parlamentar e o conhecimento dos bastidores não substituíram a decisão do eleitor.

Em 4 de outubro de 2026, Alagoas escolheu outros dois nomes.

Um político acostumado a sobreviver às crises

A história política de Renan Calheiros também foi marcada por crises, disputas e controvérsias.

Ao longo de sua carreira, ele enfrentou denúncias e investigações, além de momentos de forte pressão política.

Também protagonizou diferentes movimentos dentro do Congresso, ora próximo de governos, ora em posição de confronto.

Sua relação com o PT, por exemplo, passou por diferentes fases.

Durante os governos Lula, Renan foi um importante aliado do Planalto no Senado. Posteriormente, como presidente da Casa, apoiou o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Mais tarde, durante a CPI da Covid, em 2021, foi relator da comissão e pediu o indiciamento de diversas autoridades e pessoas, entre elas Jair Bolsonaro.

Sua trajetória, portanto, jamais foi linear.

Renan sempre esteve no centro do poder.

Até agora.

A urna colocou um ponto final na longa permanência

A eleição de 2026 deixa uma imagem difícil de ignorar.

Renan Calheiros chegou ao Senado em 1995.

Naquele ano, Fernando Henrique Cardoso começava seu primeiro mandato presidencial, a internet ainda estava dando os primeiros passos para o grande público e o Brasil vivia uma realidade política completamente diferente.

Trinta e dois anos depois, a geração política mudou.

E a urna decidiu que Renan não continuaria.

A partir de fevereiro de 2027, ele não estará entre os senadores que ocuparão as cadeiras de Alagoas.

E agora, Renan?

O resultado não apaga a trajetória política de Renan Calheiros.

Ele continuará sendo um dos personagens mais conhecidos da política brasileira e acumulou uma experiência parlamentar que poucos políticos alcançaram.

Mas o resultado de 2026 encerra seu ciclo eleitoral no Senado.

E a ironia está justamente aí:

Renan passou décadas ajudando a decidir o futuro político do Brasil. Desta vez, foram os eleitores alagoanos que decidiram o futuro político de Renan.

A resposta veio das urnas.

Arthur Lira: 948.703 votos.
Marina JHC: 926.860.
Renan Calheiros: 731.045.

Duas vagas.

Dois eleitos.

E, depois de 32 anos, Renan Calheiros ficou de fora do Senado.

O fim de uma era política em Alagoas

A derrota não significa necessariamente o desaparecimento de Renan da política brasileira. Mas representa, sem dúvida, uma mudança importante no equilíbrio de forças em Alagoas.

O Senado terá dois novos representantes pelo estado.

Arthur Lira leva para Brasília sua experiência como presidente da Câmara e líder do Centrão.

Marina JHC chega para seu primeiro mandato eletivo.

E Renan Calheiros deixa a Casa depois de uma permanência de três décadas.

No fim, a política produziu uma cena que parecia improvável durante muitos anos:

o senador que parecia permanente descobriu que, na democracia, nenhum mandato é permanente.

A urna falou.

E desta vez, Renan Calheiros ficou do lado de fora.

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