Rio Grande do Sul elege Sanderson e Marcel van Hattem para o Senado

Rio Grande do Sul elege Sanderson e Marcel van Hattem para o Senado

Deputados federais deixam a Câmara após dois mandatos e conquistam as duas vagas em disputa no Estado; Sanderson teve 30,11% dos votos válidos e Marcel van Hattem, 30,08%, em uma eleição marcada pela proximidade entre os dois primeiros colocados

O Rio Grande do Sul definiu neste domingo, 4 de outubro de 2026, os dois novos representantes do Estado no Senado Federal. Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) foram eleitos para mandatos de oito anos e assumirão as cadeiras a partir de 1º de fevereiro de 2027.

A eleição apresentou uma disputa particularmente apertada entre os dois vencedores. Na totalização final, Sanderson terminou na primeira colocação, com 30,11% dos votos válidos, enquanto Marcel van Hattem alcançou 30,08%. Os dois ficaram praticamente empatados na preferência do eleitorado gaúcho.

Com a eleição, Sanderson e Van Hattem deixam a Câmara dos Deputados, onde cumpriram dois mandatos consecutivos, para assumir uma das funções mais importantes do Legislativo brasileiro.

A renovação também produz uma mudança relevante na representação gaúcha no Senado: as cadeiras que hoje pertencem a Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP) serão ocupadas pelos dois novos senadores. Os atuais parlamentares não disputaram a reeleição em 2026.

Uma eleição definida por poucos pontos percentuais

O resultado final mostra uma diferença mínima entre os dois eleitos.

Sanderson terminou com 30,11%, enquanto Van Hattem alcançou 30,08% dos votos válidos. A distância entre os dois foi de apenas 0,03 ponto percentual.

Logo atrás ficaram dois nomes conhecidos da política gaúcha e nacional: Manuela d’Ávila (PSOL), com 17,07%, e Paulo Pimenta (PT), com 16,31%.

Germano Rigotto (MDB) ficou com 3,67%, enquanto Frederico Antunes (PSD) obteve 1,95%. Os demais candidatos tiveram menos de 1% dos votos válidos.

O resultado evidencia que a disputa pelas duas cadeiras ficou concentrada principalmente entre quatro candidaturas. Sanderson e Van Hattem, entretanto, terminaram à frente e garantiram as duas vagas.

Sanderson: da Polícia Federal ao Senado

Ubiratan Antunes Sanderson, conhecido politicamente como Sanderson, nasceu em Erechim, no Rio Grande do Sul, em 1º de dezembro de 1969.

Antes de ingressar na política, construiu uma carreira de 23 anos na Polícia Federal. Também presidiu o sindicato dos policiais federais do Rio Grande do Sul.

É formado em Direito, possui especialização em Segurança Pública e Ética no Serviço Público pela Academia Nacional de Polícia e pós-graduação em Gestão de Segurança Pública.

Sua entrada na política ocorreu em um momento de forte renovação do Congresso Nacional. Sanderson foi eleito deputado federal em 2018, então pelo PSL, e posteriormente passou ao PL. Em 2022, foi reeleito para a Câmara dos Deputados.

Durante sua trajetória parlamentar, consolidou atuação principalmente em temas relacionados à segurança pública, combate ao crime organizado, combate à corrupção, valorização das forças policiais e acesso às armas, pautas que também estiveram presentes em sua campanha ao Senado.

A eleição de 2026 representa, portanto, uma mudança de posição institucional: depois de oito anos na Câmara, Sanderson passará a atuar em uma Casa onde os mandatos são mais longos e onde cada Estado possui três representantes.

Na chapa eleita, Sanderson teve Ireneu Orth (PP) como primeiro suplente e Ernâni Mello (PL) como segundo suplente.

Marcel van Hattem: uma trajetória política iniciada ainda jovem

Marcel van Hattem, do Novo, nasceu em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 8 de novembro de 1985.

Sua trajetória política começou muito cedo. Aos 18 anos, foi eleito vereador de Dois Irmãos, iniciando uma carreira que posteriormente o levaria à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e à Câmara dos Deputados.

Van Hattem foi vereador, deputado estadual entre 2015 e 2018 e, posteriormente, deputado federal. Em 2018, foi eleito para a Câmara e acabou reeleito em 2022.

Sua formação acadêmica também é diversificada. É bacharel em Relações Internacionais e possui formação complementar em áreas relacionadas a Direito, Economia e Democracia Constitucional. Também concluiu mestrado em Ciência Política pela Universidade de Leiden, na Holanda, além de mestrado em Jornalismo, Mídia e Globalização por instituições europeias.

Antes de consolidar sua carreira política, trabalhou em diferentes áreas. Começou entregando jornais, atuou como repórter e também teve experiência profissional na Holanda.

No Congresso, tornou-se uma das principais figuras do Novo e exerceu liderança da bancada do partido na Câmara em diferentes momentos.

As pautas que Van Hattem leva para o Senado

Durante a campanha eleitoral, Van Hattem apresentou como algumas de suas principais bandeiras o liberalismo econômico, redução do tamanho do Estado, redução de impostos, combate à corrupção, liberdade de expressão e segurança pública.

O parlamentar também adotou uma atuação crítica em relação ao Supremo Tribunal Federal e, durante a campanha, defendeu pautas relacionadas ao impeachment de ministros da Corte.

A passagem da Câmara para o Senado amplia o espaço institucional de Van Hattem para atuar nessas agendas.

Na chapa eleita, seus suplentes são Sergio Turra (PP), primeiro suplente, e Ricardo Jobim (Novo), segundo suplente.

O fim de um ciclo no Senado gaúcho

A eleição também marca o encerramento de um ciclo.

As duas cadeiras colocadas em disputa pertencem atualmente a Paulo Paim, do PT, e Luis Carlos Heinze, do PP. Nenhum dos dois concorreu à recondução em 2026.

Paim é uma figura histórica do Senado brasileiro e ocupava uma das cadeiras gaúchas desde 2003, após trajetória anterior na Câmara. Heinze, por sua vez, também possui longa carreira parlamentar.

A partir de fevereiro de 2027, o Estado passará a ser representado no Senado por Sanderson, Marcel van Hattem e Hamilton Mourão (Republicanos). Mourão permanece no cargo até 31 de janeiro de 2031.

A eleição, portanto, altera de maneira significativa o perfil da representação gaúcha na Casa.

Uma disputa com quatro candidaturas concentrando a votação

O cenário eleitoral do Senado no Rio Grande do Sul chamou atenção pela concentração dos votos.

Sanderson e Van Hattem ficaram próximos dos 30% cada. Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta também tiveram desempenho significativo, mas não conseguiram alcançar os dois primeiros colocados.

O resultado final ficou assim:

  • Sanderson (PL): 30,11%
  • Marcel van Hattem (Novo): 30,08%
  • Manuela d’Ávila (PSOL): 17,07%
  • Paulo Pimenta (PT): 16,31%
  • Germano Rigotto (MDB): 3,67%
  • Frederico Antunes (PSD): 1,95%
  • Daniela Mulheres Socialistas (PSTU): 0,23%
  • Milton Cardoso (PSDB): 0,23%
  • Renato Jaguarão (Cidadania): 0,14%
  • Tania Peres (UP): 0,11%
  • Luciano do MLB (UP): 0,05%
  • Regis Ethur (PSTU): 0,03%
  • Ric Jones (PCO): 0,02%.

Os votos brancos corresponderam a 8,13%, enquanto os votos nulos representaram 6,25%.

Duas vagas e uma renovação importante

Nas eleições de 2026, cada Estado elegeu dois novos senadores porque o Senado passa por uma renovação de dois terços de sua composição.

Cada senador eleito terá mandato de oito anos.

Isso significa que Sanderson e Van Hattem permanecerão no cargo até janeiro de 2035, salvo eventual mudança decorrente de circunstâncias políticas ou jurídicas previstas na legislação.

A chegada dos dois também fortalece a presença de parlamentares que já possuem experiência na Câmara dos Deputados e que agora terão de atuar em uma Casa com características próprias, incluindo maior participação na análise de indicações para tribunais superiores, autoridades e órgãos de Estado, além da competência legislativa e fiscalizatória.

Uma coincidência importante: dois deputados que fizeram a mesma transição

Há outro aspecto significativo no resultado gaúcho.

Tanto Sanderson quanto Marcel van Hattem chegam ao Senado depois de dois mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados.

Ou seja, os dois não chegam ao Senado como estreantes na política nacional.

Ambos possuem experiência parlamentar, conhecimento do funcionamento da Câmara e histórico de atuação em comissões, debates e votações.

Agora, terão diante de si uma nova etapa política.

A responsabilidade de representar o Rio Grande do Sul

A eleição também impõe aos dois uma responsabilidade que ultrapassa as disputas partidárias.

O senador representa todo o Estado, e não apenas os municípios ou grupos políticos que participaram diretamente de sua campanha.

Entre os temas de interesse do Rio Grande do Sul estão infraestrutura, recuperação econômica, agricultura e pecuária, indústria, segurança pública, defesa civil, reconstrução de áreas atingidas por eventos climáticos e relação federativa com a União.

A experiência de Sanderson na segurança pública e a trajetória de Van Hattem em temas econômicos, institucionais e políticos deverão fazer parte de suas respectivas atuações no Senado.

O novo cenário político gaúcho

Com Sanderson e Van Hattem eleitos, o Senado passa a ter uma nova configuração na representação do Rio Grande do Sul.

Os dois ocuparão as cadeiras de Paim e Heinze, enquanto Mourão continuará no mandato.

O resultado também encerra uma eleição na qual duas cadeiras estavam abertas simultaneamente e na qual nomes de diferentes campos políticos disputaram diretamente a preferência do eleitorado.

A votação final mostra ainda uma peculiaridade: os dois vencedores ficaram praticamente lado a lado.

A diferença de apenas 0,03 ponto percentual entre Sanderson e Van Hattem demonstra o grau de proximidade entre as duas maiores votações.

Um novo capítulo no Senado

Sanderson e Marcel van Hattem agora deixam para trás a disputa eleitoral e começam a preparar a transição para o Senado Federal.

O primeiro terá como principais referências de sua trajetória política a experiência de duas décadas na Polícia Federal e oito anos de atuação parlamentar.

O segundo chega ao Senado após uma trajetória política iniciada ainda na juventude e construída entre o Legislativo municipal, a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

Os dois assumirão oficialmente em 1º de fevereiro de 2027, com mandato de oito anos.

O Rio Grande do Sul, portanto, terá uma nova composição no Senado.

Sanderson e Marcel van Hattem foram escolhidos pelo eleitor gaúcho para ocupar duas das três cadeiras do Estado na Casa.

A partir de 2027, caberá aos dois transformar a experiência acumulada na Câmara em atuação parlamentar no Senado, mantendo atenção às demandas do Rio Grande do Sul e às grandes questões nacionais.

A eleição terminou com uma diferença mínima entre os dois primeiros colocados, mas com uma definição clara das duas vagas: Sanderson e Marcel van Hattem são os novos senadores eleitos pelo Rio Grande do Sul.

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