STF cobra explicações de Soraya Thronicke e Lindbergh Farias em caso de acusação contra vice de Flávio Bolsonaro

STF cobra explicações de Soraya Thronicke e Lindbergh Farias em caso de acusação contra vice de Flávio Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu um novo passo em um dos casos de maior repercussão política das eleições presidenciais de 2026. O ministro Gilmar Mendes determinou que a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentem esclarecimentos complementares sobre a notícia-crime que protocolaram contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão não representa um julgamento sobre a veracidade das acusações nem uma condenação de qualquer das partes. O objetivo é reunir elementos que permitam ao STF avaliar a consistência das informações apresentadas pelos parlamentares e o andamento das investigações.

Como surgiu a acusação

O caso veio a público em 27 de março de 2026, durante a sessão final da CPMI do INSS, comissão parlamentar responsável por investigar fraudes envolvendo benefícios previdenciários.

Na ocasião, Alfredo Gaspar, relator da comissão, e Lindbergh Farias protagonizaram um intenso confronto verbal.

Durante a discussão, Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador”, acusação que provocou imediata reação do deputado alagoano.

Gaspar respondeu:

“Eu estuprei corruptos como Vossa Excelência.”

O embate interrompeu temporariamente os trabalhos da comissão e rapidamente ganhou repercussão nacional.

As denúncias apresentadas

Após o encerramento da sessão, Lindbergh Farias e Soraya Thronicke concederam entrevista coletiva afirmando que haviam recebido documentos e relatos descrevendo um suposto caso ocorrido aproximadamente oito anos antes.

Segundo os parlamentares:

  • uma menina de 13 anos teria sido vítima de estupro;
  • ela teria engravidado;
  • o filho seria, segundo a denúncia apresentada por terceiros, de Alfredo Gaspar;
  • haveria ainda gravações, mensagens e relatos indicando tentativas de compra de silêncio envolvendo valores entre R$ 70 mil e R$ 400 mil.

Os dois afirmaram que optaram por não divulgar detalhes da suposta vítima nem da criança para preservar suas identidades.

Segundo Lindbergh, a gravidade das informações justificava a apresentação imediata da notícia-crime à Polícia Federal.

O que disseram Soraya e Lindbergh

Os parlamentares afirmam que não inventaram os fatos.

Segundo eles, apenas encaminharam às autoridades competentes documentos e relatos que receberam.

Em nota divulgada posteriormente, Soraya declarou que o pedido de informações feito pelo STF faz parte do procedimento normal da investigação.

Os parlamentares informaram que prestarão todos os esclarecimentos solicitados pela Corte.

A reação de Alfredo Gaspar

Desde que a denúncia veio a público, Alfredo Gaspar nega categoricamente qualquer crime.

Sua defesa afirma que:

  • jamais houve estupro;
  • nunca existiu qualquer filho decorrente dos fatos narrados;
  • as acusações são falsas;
  • a divulgação teria objetivo político.

Os advogados classificaram a acusação como uma “trama criminosa” destinada a atingir sua imagem justamente quando exercia papel central como relator da CPMI do INSS.

Gaspar também ingressou no STF com ação por calúnia e difamação contra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias.

Pedido de exame de DNA

Na tentativa de afastar definitivamente as acusações, Alfredo Gaspar apresentou voluntariamente seu perfil genético às autoridades.

Além disso, declarou estar totalmente disponível para realizar novo exame de DNA caso a investigação considere necessário.

Em pronunciamento recente, o deputado afirmou:

“Estou implorando: façam a prova científica. Façam o exame de DNA.”

Segundo sua defesa, o exame seria suficiente para confirmar ou descartar qualquer alegação de paternidade.

Atuação da Polícia Federal e da PGR

A notícia-crime apresentada pelos parlamentares foi encaminhada à Polícia Federal.

Conforme divulgado por veículos de imprensa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também solicitou diligências para apurar os fatos.

As investigações ainda estão em fase inicial.

Até o momento:

  • não houve denúncia formal apresentada pela PGR;
  • ninguém foi condenado;
  • o mérito das acusações ainda não foi julgado.

O que o STF determinou

Ao analisar o caso, o ministro Gilmar Mendes verificou que alguns elementos apresentados pelos parlamentares precisavam ser melhor esclarecidos.

Entre as informações solicitadas estão:

  • dados que permitam identificar autores de mensagens anexadas ao processo;
  • informações sobre ligações telefônicas mencionadas;
  • complementação dos elementos utilizados para fundamentar a notícia-crime.

O prazo fixado pelo ministro foi de 15 dias.

Somente após a apresentação desses esclarecimentos o processo deverá seguir para novas manifestações da Procuradoria-Geral da República e das demais autoridades responsáveis pela investigação.

Situação atual

O caso permanece em fase investigativa.

Há, de um lado, parlamentares afirmando possuir documentos e relatos que justificaram a notícia-crime encaminhada à Polícia Federal.

De outro, Alfredo Gaspar nega integralmente todas as acusações, afirma ser vítima de uma campanha difamatória e pede que exames científicos, especialmente o DNA, sejam utilizados para esclarecer definitivamente os fatos.

Até o presente momento, não existe decisão judicial reconhecendo a prática do crime, tampouco absolvição definitiva. A investigação segue em andamento, e caberá às autoridades responsáveis avaliar as provas, ouvir os envolvidos e decidir se há elementos suficientes para eventual ação penal.

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