
Tabata Amaral critica bets, apaga publicação e enfrenta cobranças por suposta contradição envolvendo gestão de João Campos
Deputada intensifica campanha contra casas de apostas, mas passa a ser questionada nas redes após críticas à CazéTV e ao patrocínio de bets em eventos realizados no Recife durante a gestão de João Campos
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) voltou ao centro do debate sobre a regulamentação das apostas esportivas após fazer duras críticas à publicidade das chamadas “bets” durante a Copa do Mundo de 2026. A parlamentar classificou como “imoral” o volume de propagandas exibidas pela CazéTV e pediu o apoio do influenciador Casimiro Miguel para fortalecer uma campanha nacional em defesa de regras mais rígidas para o setor.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Tabata afirmou que a exposição constante de anúncios de apostas normaliza práticas que, segundo ela, podem estimular o vício e provocar graves impactos sociais, especialmente entre jovens. A deputada também incentivou seus seguidores a assinarem uma petição que propõe limitar a publicidade das plataformas de apostas no Brasil.
A iniciativa ganhou repercussão nacional, mas também abriu espaço para críticas direcionadas à própria parlamentar. Usuários das redes sociais e comentaristas passaram a apontar uma aparente incoerência entre o discurso adotado por Tabata e a realidade política ao seu redor.
O principal questionamento envolve o município do Recife, administrado até recentemente por João Campos (PSB), atual marido da deputada. As festas de São João da capital pernambucana tiveram empresas de apostas entre seus patrocinadores, enquanto a gestão municipal também aprovou uma política de incentivo fiscal destinada ao setor.
Outro episódio que ampliou a discussão ocorreu após Tabata publicar uma mensagem criticando a presença de casas de apostas em eventos juninos e, pouco tempo depois, remover a publicação de suas redes sociais. A exclusão do conteúdo alimentou especulações e críticas de adversários políticos e internautas, que passaram a cobrar explicações sobre a mudança de postura.
Influenciadores e opositores afirmaram que o episódio levantou dúvidas sobre a coerência do discurso da parlamentar, especialmente diante da proximidade política e pessoal com João Campos. Até o momento, Tabata não apresentou uma explicação pública detalhada sobre a retirada da postagem nem comentou especificamente o patrocínio das empresas de apostas em eventos promovidos pela administração recifense.
Outro ponto frequentemente citado pelos críticos é a aprovação, em 2025, de um projeto enviado pela Prefeitura do Recife que reduziu a alíquota do ISS para empresas do segmento de apostas, loterias e jogos online para 2%. A justificativa oficial da administração municipal foi estimular investimentos, atrair empresas do setor, ampliar a geração de empregos e fortalecer a arrecadação futura do município.
Enquanto isso, Tabata mantém sua atuação no Congresso defendendo mudanças na legislação nacional sobre apostas esportivas. A deputada argumenta que a expansão do mercado exige regras mais rígidas para proteger consumidores, reduzir os riscos de dependência e limitar a publicidade considerada excessiva.
O episódio também reacendeu um debate mais amplo sobre coerência política e responsabilidade institucional. Para críticos da parlamentar, é legítimo cobrar que o mesmo rigor aplicado às plataformas de apostas e aos veículos de comunicação também seja direcionado a administrações públicas ligadas ao seu próprio grupo político. Já apoiadores sustentam que a defesa de uma regulamentação nacional não impede divergências sobre políticas locais ou decisões administrativas específicas.
Com a discussão ganhando força nas redes sociais, o caso passou a simbolizar um dos principais desafios enfrentados por lideranças políticas: manter um discurso consistente diante de decisões tomadas por aliados e integrantes do próprio partido. O episódio continua repercutindo enquanto o Congresso Nacional debate novas regras para o mercado de apostas esportivas e sua publicidade no Brasil.