
Tio de Guilherme Boulos morre após atropelamento em discussão de trânsito na Avenida 23 de Maio
Carlos Boulos, de 80 anos, ficou três dias internado em estado grave após ser atingido por um carro durante um desentendimento no trânsito; Guilherme Boulos lamentou a morte e classificou o episódio como uma “violência humanamente inexplicável”

Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP), morreu na madrugada desta terça-feira (6), em São Paulo, três dias depois de ser atropelado durante uma discussão de trânsito na Avenida 23 de Maio, na região central da capital paulista.
Dentista com mais de cinco décadas de atuação profissional e especialista em periodontia, Carlos estava internado em estado grave no Hospital das Clínicas desde a noite de sábado (3), quando sofreu traumatismo craniano após ser atingido por um automóvel. A Secretaria da Segurança Pública informou que ele sofreu morte encefálica e não resistiu aos ferimentos.
A ocorrência aconteceu após uma discussão entre Carlos, que dirigia uma Toyota Hilux preta, e o motorista de um Fiat Palio. Segundo as informações registradas pela polícia, os dois veículos teriam se envolvido anteriormente em uma colisão, cuja dinâmica ainda é objeto de investigação.
Após o desentendimento, Carlos desceu da caminhonete para conversar com o outro motorista. Na sequência, o Palio avançou na direção do idoso, que acabou atingido, caiu e bateu a cabeça. O veículo deixou o local sem prestar socorro.
O momento do atropelamento foi registrado por testemunhas que estavam próximas. As imagens tiveram papel importante na identificação do automóvel e permitiram que a polícia chegasse ao proprietário e, posteriormente, ao motorista apontado como responsável pelo atropelamento.
Motorista foi identificado e indiciado
O motorista investigado foi identificado como Amilton Juscelino Rodrigues, de 61 anos. Técnico em eletrônica, ele se apresentou à Polícia Civil e prestou depoimento.
Inicialmente, enquanto Carlos permanecia internado, o caso era tratado como tentativa de homicídio. Com a confirmação da morte da vítima, a investigação passou a apurar homicídio doloso. Segundo as informações divulgadas, Amilton foi indiciado e deixou a delegacia para responder ao processo em liberdade, já que não houve prisão em flagrante. A Polícia Civil ainda trabalha para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.
A polícia também solicitou a prisão preventiva do investigado, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (7). A investigação está sob responsabilidade do 5º Distrito Policial, na Aclimação.
Defesa apresenta outra versão
A defesa de Amilton afirma que o motorista não teve intenção de matar Carlos e que ele teria agido para tentar proteger a esposa, o filho e a si próprio.
Segundo o advogado Natan Tolintino, Amilton e seus familiares voltavam de um hospital quando Carlos teria começado a buzinar, usar farol alto e aproximar a Hilux do Palio. Ainda de acordo com a versão apresentada pela defesa, Carlos teria parado a caminhonete, descido do veículo e se aproximado de maneira considerada ameaçadora.
A família, segundo o advogado, teria ficado com medo de que Carlos estivesse armado. O motorista então teria aproveitado uma brecha no trânsito para tentar deixar o local, momento em que ocorreu o atropelamento.
A defesa sustenta que Carlos teria colocado as mãos sobre o capô do Palio e golpeado o veículo antes de perder o equilíbrio. O advogado afirma que Amilton não pretendia atingir o idoso e que a dinâmica exata dos acontecimentos deverá ser esclarecida pelas imagens, pela perícia e pelos depoimentos colhidos pela polícia.
A versão apresentada pela defesa, contudo, ainda faz parte da investigação. As imagens registradas por testemunhas, os demais depoimentos e os elementos periciais serão utilizados para determinar exatamente como ocorreu o atropelamento e quais foram as circunstâncias que antecederam o impacto.
Morte provocou comoção na família
A morte de Carlos Boulos foi comunicada à Polícia Civil por seu irmão, Marcos Boulos, pai de Guilherme Boulos, que compareceu ao 14º Distrito Policial para registrar oficialmente o falecimento. Carlos morreu após permanecer três dias internado em estado grave.
Nas redes sociais, Guilherme Boulos lamentou profundamente a perda do tio e fez uma homenagem à memória de Carlos.
“Meu tio Carlos era uma das pessoas mais generosas com quem convivi. Uma alma única. É desolador o que ocorreu. Partiu vítima de uma violência humanamente inexplicável. Vá em paz, meu velho! Te amamos muito!”
A mensagem expressou o impacto pessoal da perda para Boulos e para a família.
Carlos Boulos deixa, além da trajetória profissional como cirurgião-dentista, a lembrança de uma vida dedicada à família e à profissão. Para os familiares, a morte transforma uma discussão aparentemente cotidiana de trânsito em uma tragédia irreversível.
Uma tragédia que ultrapassa a disputa no trânsito
O episódio chama atenção para a dimensão que conflitos no trânsito podem assumir quando uma discussão deixa de ser apenas um desentendimento entre motoristas e passa a envolver atitudes potencialmente fatais.
Independentemente das versões apresentadas pelas partes, Carlos morreu aos 80 anos depois de um episódio ocorrido em poucos instantes na Avenida 23 de Maio. Agora, cabe à investigação estabelecer com precisão o que aconteceu antes do atropelamento, qual foi a intenção do motorista e em que circunstâncias ocorreu o impacto.
Enquanto a Polícia Civil reúne imagens, depoimentos e provas periciais, a família de Carlos enfrenta a perda de um homem de 80 anos que, segundo seu sobrinho Guilherme Boulos, era “uma das pessoas mais generosas” com quem conviveu.
A morte encerra de forma trágica a vida de Carlos Boulos e deixa uma mensagem dolorosa sobre os riscos de conflitos no trânsito: uma discussão que poderia terminar poucos minutos depois acabou provocando uma morte e desencadeando uma investigação criminal que ainda deverá esclarecer todas as circunstâncias do caso.