
PF encontra dinheiro escondido em livro falso na casa de advogado alvo de operação nesta quarta
Operação Galho Fraco II investiga suposto desvio de verbas parlamentares destinadas à locação de veículos; relógios de luxo e dinheiro em espécie também foram apreendidos
A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (1º), mais uma etapa da Operação Rent a Car, batizada de Galho Fraco II, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Durante o cumprimento dos mandados, um dos fatos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a localização de dinheiro em espécie escondido dentro de um livro falso, encontrado no endereço de um advogado investigado.

Além do dinheiro, os agentes apreenderam relógios de luxo, documentos e outros materiais que poderão contribuir para o andamento das investigações.
Operação mira grupo ligado ao deputado Sóstenes Cavalcante
Embora a investigação envolva pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, o parlamentar não figura entre os alvos desta nova fase da operação.
As medidas judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e estão sendo cumpridas simultaneamente no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
Segundo a Polícia Federal, os investigados são, em sua maioria, advogados e pessoas que teriam participado da movimentação de recursos públicos supostamente desviados por meio de contratos de locação de veículos pagos com verbas parlamentares.
Investigação apura uso irregular da verba de gabinete
A Operação Galho Fraco II é um desdobramento das fases anteriores da Operação Rent a Car, iniciada em 2024.
As investigações apontam indícios de que empresas de locação de veículos teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade à utilização de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, verba destinada ao custeio das atividades dos congressistas.
Agora, a Polícia Federal busca esclarecer como esses recursos foram movimentados, quem teria participado das operações financeiras e qual foi o destino final do dinheiro público.
Dinheiro escondido e objetos de luxo chamam atenção dos investigadores
Durante as buscas realizadas nesta quarta-feira, policiais localizaram uma quantia em dinheiro escondida dentro de um livro falso — um compartimento utilizado para ocultar objetos de valor.
Também foram apreendidos relógios de alto padrão, que passarão por perícia para verificar sua origem e eventual relação com o esquema investigado.
A descoberta reforçou as suspeitas de que parte dos envolvidos poderia estar tentando ocultar patrimônio ou dificultar o rastreamento dos recursos sob investigação.
Crimes investigados incluem lavagem de dinheiro e organização criminosa
De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento apontam indícios da participação de agentes públicos, particulares e empresas que, supostamente, teriam atuado para dar aparência legal às movimentações financeiras.
Os investigadores também apuram possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas, circunstância que pode caracterizar fraude processual.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual de cada um, pelos crimes de:
- peculato;
- lavagem de dinheiro;
- fraude processual;
- organização criminosa.
Sóstenes não é alvo desta etapa da investigação
Apesar da ligação de alguns investigados com o deputado Sóstenes Cavalcante, a Polícia Federal informou que o parlamentar não foi incluído entre os alvos da Operação Galho Fraco II.
Na primeira fase da investigação, realizada em dezembro do ano passado, agentes cumpriram mandados na residência do deputado e apreenderam cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo. Na ocasião, Sóstenes afirmou que os valores tinham origem lícita e eram provenientes da venda de um imóvel.
Procurado sobre a nova operação, o deputado declarou que só irá se manifestar após conhecer oficialmente o conteúdo da decisão judicial e das medidas adotadas pela Polícia Federal.
Com a nova fase da Operação Rent a Car, os investigadores esperam reunir mais provas para esclarecer a possível existência de um esquema de desvio de recursos públicos e identificar a responsabilidade de cada um dos envolvidos.