Trump afirma que relatório da CIA revela plano do regime de Maduro para manipular eleições na Venezuela

Trump afirma que relatório da CIA revela plano do regime de Maduro para manipular eleições na Venezuela

Presidente dos Estados Unidos divulga documentos de inteligência, acusa Nicolás Maduro de fraude eleitoral e diz que sistema venezuelano possuía capacidade tecnológica para alterar votos; relatório, porém, não confirma manipulação em todas as eleições realizadas no país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que documentos produzidos pela Agência Central de Inteligência (CIA) apontam que o governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro desenvolveu um sistema capaz de manipular resultados eleitorais na Venezuela. O anúncio foi feito durante um pronunciamento na Casa Branca, no qual Trump declarou que os documentos revelam um plano elaborado pelo regime chavista para alterar digitalmente votos em favor do governo.

Segundo Trump, os relatórios de inteligência mostram que a CIA identificou informações sobre mecanismos desenvolvidos para modificar resultados eleitorais sem que a alteração pudesse ser detectada, mesmo durante auditorias técnicas aprofundadas. De acordo com o presidente norte-americano, essa estrutura teria sido utilizada para favorecer o governo venezuelano em eleições realizadas no país.

Documentos apontam capacidade técnica desde 2012

Os documentos divulgados pela administração norte-americana indicam que, desde 2012, autoridades venezuelanas possuíam capacidade técnica para alterar até 1,5 milhão de votos, utilizando equipamentos de votação eletrônica previamente programados.

Segundo o relatório, três órgãos do Estado venezuelano aparecem citados como integrantes da suposta estrutura de manipulação:

  • Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM);
  • Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN);
  • Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A inteligência norte-americana sustenta que o sistema permitiria modificar resultados em regiões consideradas estratégicas para o governo chavista, utilizando máquinas previamente configuradas e um sistema paralelo capaz de substituir dados originais por resultados alterados, mantendo a aparência de legitimidade durante o processo de totalização.

Trump relaciona caso à segurança eleitoral dos EUA

Durante o pronunciamento, Donald Trump afirmou que as informações reforçam a necessidade de fortalecer os mecanismos de proteção das eleições norte-americanas.

Segundo ele, vulnerabilidades semelhantes não podem atingir o sistema eleitoral dos Estados Unidos.

O presidente também voltou a levantar preocupações sobre segurança digital e declarou que seu governo continuará adotando medidas para impedir qualquer possibilidade de interferência externa nos processos eleitorais norte-americanos.

Relatório não comprova fraude em todas as eleições

Apesar das acusações apresentadas por Trump, os próprios documentos divulgados fazem distinção entre a existência de capacidade técnica para manipular votos e a comprovação efetiva de fraude em cada eleição realizada.

O relatório não conclui que houve manipulação comprovada nas eleições presidenciais de 2012, quando Hugo Chávez derrotou Henrique Capriles, nem na eleição de 2013, vencida por Nicolás Maduro por pequena diferença de votos.

Em relação ao pleito de 2012, a análise da CIA considerou que pesquisas eleitorais já indicavam vantagem significativa de Chávez antes da votação e que não foram encontrados indícios estatísticos suficientes para confirmar fraude eletrônica em larga escala. O reconhecimento do resultado pela oposição também foi citado entre os elementos considerados.

Assembleia Constituinte de 2017 e eleição de 2024

Os documentos mencionam, entretanto, episódios posteriores considerados mais preocupantes pelos serviços de inteligência.

Entre eles está a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, em 2017, quando a empresa Smartmatic, responsável pela tecnologia de votação utilizada na Venezuela, declarou publicamente que os números oficiais de participação haviam sido inflados em aproximadamente 1 milhão de votos.

O relatório também faz referência às eleições presidenciais de 2024, afirmando que haveria indícios de alteração direta dos resultados eleitorais para impedir o reconhecimento da vitória do candidato oposicionista Edmundo González Urrutia. Essas alegações, contudo, continuam sendo objeto de controvérsia internacional e não foram reconhecidas de forma unânime por organismos multilaterais.

Trump também acusa a China

Durante o mesmo pronunciamento, Donald Trump voltou a acusar a China de interferir em assuntos eleitorais norte-americanos.

Segundo o presidente, autoridades chinesas teriam obtido ilegalmente cerca de 220 milhões de registros de eleitores dos Estados Unidos, contendo informações como nomes, endereços, telefones e filiação partidária.

A administração norte-americana divulgou uma página intitulada “Integridade Eleitoral”, reunindo documentos de inteligência e alegações sobre vulnerabilidades em sistemas eleitorais dos Estados Unidos.

Governo chinês rejeita acusações

O governo da República Popular da China negou integralmente as acusações feitas pela Casa Branca.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que as alegações não possuem base factual e reafirmou que Pequim segue o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países.

As autoridades chinesas afirmaram ainda que não possuem interesse em influenciar eleições norte-americanas e classificaram as acusações como infundadas.

Repercussão internacional

As declarações de Donald Trump aumentaram a repercussão internacional sobre a integridade do sistema eleitoral venezuelano e reacenderam o debate sobre transparência dos processos de votação eletrônica no país.

Embora os documentos da CIA descrevam uma suposta capacidade tecnológica desenvolvida pelo regime chavista para manipular resultados eleitorais, eles próprios fazem distinção entre essa capacidade potencial e a comprovação efetiva de fraude em cada eleição específica. Dessa forma, o material divulgado apresenta alegações de inteligência e avaliações técnicas, mas não estabelece prova conclusiva de manipulação em todos os pleitos realizados na Venezuela.

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