
USP deixa o top 100 das melhores universidades do mundo pela primeira vez em três anos
Universidade de São Paulo caiu 16 posições no QS World University Rankings 2026; apesar do recuo, instituição continua como a melhor do Brasil, enquanto país enfrenta dificuldades para atrair estudantes e professores estrangeiros
A Universidade de São Paulo (USP) deixou, pela primeira vez em três anos, o grupo das 100 melhores universidades do mundo. A instituição caiu 16 posições na edição 2026 do QS World University Rankings e passou da 92ª colocação, registrada no ranking anterior, para a 108ª posição.
Apesar da queda, a USP continua sendo a universidade brasileira mais bem avaliada internacionalmente. O resultado, no entanto, expõe dificuldades enfrentadas pela instituição e pelo sistema de ensino superior brasileiro em áreas como internacionalização, impacto da pesquisa e atração de talentos estrangeiros.
O ranking, divulgado em junho de 2025, avaliou mais de 1.500 universidades de 106 países e territórios, na maior edição da história do levantamento. A classificação considera diferentes indicadores, entre eles reputação acadêmica, citações por docente, empregabilidade dos formandos, sustentabilidade e presença internacional de estudantes e professores.
A USP obteve pontuação geral de 67,3. A instituição apresentou desempenho particularmente forte em reputação acadêmica e empregabilidade. No indicador de resultados de emprego, alcançou 98,8 pontos, enquanto sua reputação acadêmica chegou a 98,1.
O desempenho positivo nesses critérios, contudo, não foi suficiente para impedir o recuo na classificação geral.
Internacionalização é um dos principais pontos fracos
Entre os fatores que mais pesaram contra a USP estão os indicadores relacionados à internacionalização. A universidade obteve apenas 3,5 pontos no critério de proporção de estudantes internacionais e 9,2 na proporção de professores estrangeiros.
O cenário revela um dos principais desafios das universidades brasileiras: embora tenham forte produção acadêmica e sejam reconhecidas dentro de seus países, ainda enfrentam dificuldades para atrair pesquisadores, professores e estudantes de outras partes do mundo.
Outro indicador que contribuiu para o desempenho mais fraco foi o de citações por docente. Nesse quesito, a USP ficou na 467ª posição, sinalizando que a influência internacional de parte de sua produção científica ainda está abaixo da força acadêmica geral da instituição.
A reputação entre empregadores também apresentou desempenho inferior ao de outros indicadores, com a universidade ocupando a 102ª posição nesse critério.
Para Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS, a situação das universidades brasileiras pode ser revertida com políticas específicas.
“As universidades brasileiras, assim como a região latino-americana de forma mais ampla, enfrentam desafios nesta edição, principalmente em áreas como pesquisa e atração de talentos globais”, afirmou.
Segundo ele, financiamento direcionado, incentivos à mobilidade internacional e parcerias de pesquisa podem ajudar a melhorar a posição das instituições brasileiras nos rankings globais.
Brasil continua sendo a maior potência universitária da América Latina
Mesmo com a queda da USP e o desempenho irregular de outras instituições, o Brasil continua sendo o país latino-americano com o maior número de universidades entre as melhores do mundo.
Ao todo, 24 universidades brasileiras foram classificadas no QS World University Rankings 2026. O país também permanece como o sistema de ensino superior mais representado da América Latina entre as 500 melhores universidades do planeta.
A segunda universidade brasileira mais bem colocada é a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que aparece na 233ª posição. A instituição caiu uma posição em relação ao ranking anterior.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ficou em 317º lugar, recuando da posição 304. Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) apresentou melhora e alcançou a 450ª colocação, ante a faixa 489ª anteriormente.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) também avançou, passando da faixa entre 611ª e 620ª para a 571ª posição.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aparece em 595º lugar. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ficou na faixa entre 691ª e 700ª colocação.
A Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aparecem na faixa entre 801ª e 850ª.
Veja as principais universidades brasileiras no ranking
- 108ª — Universidade de São Paulo (USP)
- 233ª — Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
- 317ª — Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- 450ª — Universidade Estadual Paulista (Unesp)
- 571ª — Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
- 595ª — Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- 691ª–700ª — Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- 801ª–850ª — Universidade de Brasília (UnB)
- 801ª–850ª — Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
- 801ª–850ª — Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Outras instituições brasileiras, entre elas PUC-SP, UFSCar, UFPR, UERJ, UFBA, UFSM, UFV, UFC, UFF, Mackenzie, UFU e UFRN, também apareceram entre as 1.500 universidades avaliadas.
USP ainda é a melhor da América Latina?
Não. Com a queda da universidade paulista, a Universidade de Buenos Aires (UBA), na Argentina, passou a ser a única instituição da América do Sul entre as 100 melhores do mundo.
A UBA aparece na 84ª colocação, embora também tenha recuado em relação ao ranking anterior, quando estava em 71º lugar.
A USP, agora em 108º, é seguida por instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Chile, na 116ª posição, e a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na 136ª.
A queda das principais universidades latino-americanas ocorre em um contexto de dificuldades regionais relacionadas ao financiamento da pesquisa, à internacionalização e à competição global por pesquisadores e estudantes.
Segundo a QS, metade das universidades da América Latina registrou queda na classificação nesta edição.
Estados Unidos e Reino Unido dominam o topo
O topo do ranking mundial continua dominado por universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) permaneceu na liderança pela 14ª vez consecutiva. O Imperial College London ficou em segundo lugar, enquanto a Universidade Stanford subiu três posições e alcançou o terceiro posto.
Oxford ficou em quarto, seguida por Harvard.
As dez primeiras colocadas foram:
- MIT — Estados Unidos
- Imperial College London — Reino Unido
- Stanford — Estados Unidos
- Oxford — Reino Unido
- Harvard — Estados Unidos
- Cambridge — Reino Unido
- ETH Zurich — Suíça
- Universidade Nacional de Singapura — Singapura
- University College London — Reino Unido
- Caltech — Estados Unidos
Os Estados Unidos também lideram em número de instituições classificadas, com 192 universidades. O Reino Unido aparece em segundo, com 90, seguido pela China continental, com 72.
O que a queda da USP revela
A queda da USP para a 108ª posição não significa que a universidade tenha deixado de ser uma das principais instituições de ensino superior do mundo. A instituição continua apresentando forte reputação acadêmica, elevada empregabilidade e produção científica expressiva.
O resultado, porém, mostra que a excelência acadêmica isolada já não é suficiente para garantir posições de destaque nos rankings internacionais.
A competição global passou a considerar cada vez mais a capacidade de uma universidade de atrair estudantes e professores de outros países, produzir pesquisas de impacto internacional e estabelecer redes acadêmicas além das fronteiras nacionais.
Nesse cenário, o desempenho da USP funciona como um retrato dos desafios enfrentados pelo ensino superior brasileiro: instituições reconhecidas e com tradição científica, mas que ainda precisam ampliar a internacionalização, melhorar o impacto global de sua pesquisa e competir por talentos em um ambiente universitário cada vez mais internacional.
Mesmo fora do top 100, a USP permanece como a principal universidade brasileira e uma das instituições mais importantes da América Latina. O desafio, agora, é recuperar espaço em um ranking global no qual a disputa por prestígio, financiamento e talentos se torna cada vez mais acirrada.