Vereador Senival Moura do PT é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em empresa de ônibus de SP

Vereador Senival Moura do PT é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em empresa de ônibus de SP

Operação Última Parada, do MP-SP e da Polícia Civil, aponta suposto envolvimento do parlamentar do PT em esquema milionário ligado ao transporte público paulistano; defesa ainda não se manifestou

A prisão do vereador de São Paulo Senival Moura (Senival Moura) nesta quinta-feira (25) colocou em evidência uma das investigações mais sensíveis em andamento no sistema de transporte da capital. Ele foi detido durante a Operação Última Parada, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (Ministério Público de São Paulo) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), da Polícia Civil.

Segundo os investigadores, o parlamentar é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (Primeiro Comando da Capital), a partir de contratos e operações financeiras no setor de transporte público de São Paulo.

Prisão e alvo da operação

A Operação Última Parada cumpriu mandados de prisão e busca contra investigados apontados como parte de um núcleo responsável por movimentações financeiras irregulares em empresas de ônibus da capital.

De acordo com o Ministério Público, Senival Moura é suspeito de atuar como uma das figuras centrais no esquema, sendo apontado em relatórios como possível articulador de decisões indiretas ligadas à empresa Transunião Transportes, que opera linhas na cidade.

A defesa do vereador ainda não se manifestou oficialmente até a última atualização.

O que dizem as investigações

As apurações indicam que a empresa de ônibus Transunião teria sido usada para movimentar recursos e ocultar patrimônio supostamente ligado a atividades ilícitas. Em 2025, segundo os investigadores, a companhia teria movimentado valores superiores a R$ 300 milhões dentro do sistema de transporte paulistano.

Os promotores também apontam que o vereador exerceria influência sobre decisões internas relacionadas à gestão da empresa, embora ele não apareça formalmente no quadro societário.

Mensagens e documentos analisados pela investigação indicariam que ele era citado em comunicações internas por apelidos como “vereador”, “presidente” e “velhinho”, em referência ao suposto papel de comando informal.

Histórico político e atuação na Câmara

Senival Moura está em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, ocupa funções estratégicas, como a de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica.

Essa posição chama atenção dos investigadores porque o colegiado é justamente responsável por discutir regras e fiscalizar o setor de transporte público — o mesmo em que atua a empresa investigada.

Origem das investigações

A investigação teve início em 2020, após a morte de um ex-diretor da empresa ligada ao caso, episódio que levantou suspeitas sobre disputas internas e movimentações financeiras irregulares.

A partir daí, o Ministério Público passou a aprofundar a análise de contratos, fluxo de dinheiro e relações societárias envolvendo a Transunião e operadores do sistema de transporte.

Em fases anteriores da investigação, a polícia já havia apreendido ônibus, bloqueado bens e identificado pessoas apontadas como operadores financeiros do esquema.

Bloqueio de bens e suspeitas de patrimônio oculto

Na operação desta quinta-feira, a Justiça determinou o bloqueio de valores, veículos e imóveis ligados aos investigados. As medidas incluem o sequestro de recursos em contas bancárias e o bloqueio de dezenas de bens.

Segundo os investigadores, o grupo teria utilizado familiares e intermediários para movimentar valores e ocultar patrimônio. Entre os nomes citados estão pessoas próximas ao vereador, que teriam participação em registros e transações financeiras sob análise.

Prefeitura e andamento do serviço de ônibus

A Prefeitura de São Paulo informou que aguarda a notificação oficial da Justiça para avaliar possíveis medidas administrativas. Até o momento, segundo a gestão municipal, a operação das linhas da Transunião segue normalmente.

Próximos passos

O caso ainda está em fase de investigação, e todas as conclusões do Ministério Público e da Polícia Civil poderão ser revistas ao longo do processo judicial, com direito à ampla defesa.

A Operação Última Parada deve avançar agora para análise de documentos apreendidos, quebra de sigilos e depoimentos dos investigados, o que pode ampliar o alcance das apurações sobre o sistema de transporte da capital paulista.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags