
As urnas contrariaram as pesquisas: Maguinha supera Contarato e Do Val, que ficam sem Senado no Espírito Santo
Candidata do PL chegou a 761.722 votos e terminou em terceiro lugar, à frente do petista Fabiano Contarato e do senador Marcos do Val; na véspera da eleição, Quaest apontava Maguinha e Evair empatados com 18% dos votos válidos
A eleição para o Senado no Espírito Santo terminou com uma das fotografias mais interessantes do pleito de 2026: Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) conquistaram as duas vagas, enquanto Maguinha Malta (PL) terminou em terceiro, mas deixou para trás políticos que já tinham mandato e experiência eleitoral.
O resultado também produziu uma derrota expressiva para dois senadores que tentavam permanecer no Congresso: Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante).
Com 100% da apuração, Maguinha recebeu 761.722 votos, equivalentes a 18,90% dos votos válidos. Contarato terminou com 521.431 votos, 12,94%, enquanto Marcos do Val ficou em sexto, com 167.900 votos, 4,17%.
A matemática das urnas foi particularmente significativa: Maguinha, em sua primeira disputa eleitoral, ficou 240.291 votos à frente de Contarato, que buscava a reeleição pelo PT.
E aqui aparece a ironia eleitoral: a candidata estreante terminou na frente de dois senadores que já ocupavam cadeiras no Congresso Nacional.
A pesquisa dizia uma coisa. A urna respondeu outra.
Na véspera da eleição, a pesquisa Quaest divulgada em 3 de outubro mostrava Renato Casagrande com 31% dos votos válidos, seguido por Evair de Melo e Maguinha Malta, empatados com 18%.
Fabiano Contarato aparecia com 10%, enquanto Rose de Freitas e Sergio Meneguelli tinham 8% cada.
A pesquisa foi realizada nos dias 2 e 3 de outubro, com 1.800 entrevistas, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TRE-ES sob o protocolo ES-09011/2026.
O resultado real, porém, apresentou diferenças importantes.
Casagrande terminou com 24,70%, abaixo dos 31% apontados pela pesquisa.
Evair terminou com 24,39%, acima dos 18% projetados pela Quaest.
Maguinha ficou com 18,90%, praticamente no mesmo patamar indicado pela pesquisa.
E Contarato, que aparecia com 10%, terminou com 12,94%.
A pesquisa, portanto, captou a presença de Maguinha na disputa, mas as urnas mostraram uma configuração diferente daquela sugerida pelos percentuais da véspera.
Maguinha: de candidata estreante a terceira colocada
O principal destaque entre os candidatos que não foram eleitos foi Maguinha Malta.
A candidata do PL não possuía mandato eletivo anterior e disputou pela primeira vez uma eleição para cargo público.
Mesmo assim, terminou com quase 19% dos votos válidos.
Sua votação foi suficiente para superar Contarato, Meneguelli, Marcos do Val e Rose de Freitas.
O desempenho chamou atenção justamente porque a candidata enfrentava nomes que já tinham ocupado cargos eletivos importantes.
Maguinha é filha do senador Magno Malta, que continua no Senado até 2030, e ocupa a vice-presidência estadual do PL no Espírito Santo. A própria campanha foi construída também em torno de pautas como família, fé, liberdade e segurança.
Depois da divulgação do resultado, Maguinha agradeceu os 761.722 eleitores que votaram nela e afirmou que cada voto representava uma história, um rosto e uma esperança.
Contarato: da tentativa de reeleição ao quarto lugar
Para Fabiano Contarato, o resultado representou o fim da tentativa de permanecer no Senado.
O petista recebeu 521.431 votos, ficando em quarto lugar.
A diferença para Maguinha foi de 240.291 votos.
Contarato havia sido eleito senador em 2018, inicialmente pela Rede Sustentabilidade, e posteriormente ingressou no PT. Durante sua passagem pelo Senado, presidiu a Comissão de Meio Ambiente e chegou a exercer a liderança da bancada petista em 2023.
A derrota encerra seu mandato em janeiro de 2027.
Depois da votação, Contarato reconheceu o resultado e afirmou que recebeu a decisão dos eleitores “com respeito e serenidade”. Também desejou sucesso aos dois senadores eleitos e defendeu que o interesse público fosse colocado acima das diferenças ideológicas.
A manifestação foi uma forma institucional de reconhecer a decisão das urnas.
Mas os números não deixam dúvida sobre o resultado eleitoral: o mandato não foi renovado.
Marcos do Val despenca para o sexto lugar
Outro resultado expressivo foi o de Marcos do Val.
O senador, que também buscava a reeleição, recebeu apenas 167.900 votos, equivalentes a 4,17% dos votos válidos, e terminou na sexta colocação.
O número chama atenção porque Do Val não apenas ficou fora das duas vagas: terminou atrás de candidatos como Sergio Meneguelli, Rose de Freitas e Maguinha Malta.
A distância para Maguinha foi de 593.822 votos.
Em termos eleitorais, a diferença é enorme.
A candidatura que pretendia manter uma cadeira no Senado acabou ficando distante da disputa pelas duas vagas.
A lista dos que ficaram pelo caminho
A eleição deixou uma fila de candidatos conhecidos sem cadeira no Senado.
Depois dos dois eleitos, a classificação terminou assim:
1º — Renato Casagrande (PSB): 995.361 votos — 24,70% — eleito
2º — Evair de Melo (Republicanos): 982.978 votos — 24,39% — eleito
3º — Maguinha Malta (PL): 761.722 votos — 18,90%
4º — Fabiano Contarato (PT): 521.431 votos — 12,94%
5º — Sergio Meneguelli (PSD): 301.897 votos — 7,49%
6º — Marcos do Val (Avante): 167.900 votos — 4,17%
7º — Rose de Freitas (MDB): 164.383 votos — 4,08%
Na sequência vieram Callegari, Professor Fabian, Leonardo Monjardim e Rodney Miranda.
O resultado mostra que as duas vagas foram conquistadas por Casagrande e Evair, enquanto Maguinha foi a terceira colocada e ficou como o principal nome fora da composição eleita.
O caso de Rose de Freitas
Rose de Freitas também enfrentava uma disputa de grande significado pessoal.
Ex-senadora, ex-deputada federal e integrante da Assembleia Nacional Constituinte, ela buscava retornar ao Senado.
Não conseguiu.
Recebeu 164.383 votos, apenas 3.517 votos a menos que Marcos do Val, mas terminou em sétimo lugar.
Sua votação correspondeu a 4,08% dos votos válidos.
A eleição, portanto, também fechou mais um capítulo da longa trajetória política de Rose no Estado.
Sergio Meneguelli também fica sem mandato
Outro nome que não conseguiu transformar a votação em mandato foi Sergio Meneguelli.
O ex-prefeito de Colatina e deputado estadual recebeu 301.897 votos, ou 7,49% dos válidos, ficando na quinta colocação.
A consequência política é relevante: como disputou o Senado em vez de tentar a renovação do mandato na Assembleia Legislativa, Meneguelli ficará sem mandato eletivo a partir do fim da atual legislatura.
É mais uma demonstração de como uma eleição majoritária pode reorganizar rapidamente a carreira de políticos com experiência anterior.
A ironia dos números
A eleição capixaba oferece uma ironia que os números explicam sozinhos.
Enquanto dois senadores que já estavam no cargo ficaram fora — Contarato e Marcos do Val — uma candidata que fazia sua primeira disputa eleitoral terminou em terceiro lugar com quase 19% dos votos válidos.
Não houve cadeira para Maguinha.
Mas também não houve cadeira para Contarato nem para Do Val.
E, nesse aspecto, a comparação é inevitável.
Maguinha perdeu a eleição para o Senado, mas superou nas urnas dois senadores que tentavam continuar no cargo.
Contarato terminou 240 mil votos atrás dela.
Do Val terminou quase 594 mil votos atrás.
É o tipo de resultado que desmonta qualquer leitura simplista baseada apenas em quem já possui mandato.
O eleitor não vota no currículo
A eleição também mostra uma característica própria do sistema majoritário.
O eleitor não escolhe necessariamente quem tem a maior trajetória política.
Não existe transferência automática de mandato para uma nova eleição.
Cada candidato precisa novamente convencer o eleitor.
Foi exatamente isso que aconteceu no Espírito Santo.
Casagrande e Evair conseguiram as duas vagas.
Maguinha ficou em terceiro.
Contarato, apesar de ser senador em exercício, ficou em quarto.
Meneguelli, que havia obtido votação expressiva para deputado estadual em 2022, ficou em quinto.
Marcos do Val, senador em busca de reeleição, terminou em sexto.
Rose de Freitas, que já havia ocupado uma cadeira no Senado, ficou em sétimo.
A pesquisa Quaest e o que aconteceu no domingo
A última Quaest antes da eleição apontava uma disputa bastante aberta pela segunda vaga.
Casagrande tinha 31% dos votos válidos.
Evair e Maguinha apareciam com 18% cada.
Contarato tinha 10%.
Rose e Meneguelli apareciam com 8%.
Marcos do Val tinha apenas 4%.
No resultado oficial, Maguinha praticamente confirmou o percentual da pesquisa, enquanto Evair ampliou sua votação e Casagrande terminou abaixo do percentual indicado pelo levantamento.
Contarato, por sua vez, teve percentual final um pouco superior ao apontado pela pesquisa, mas ainda assim terminou atrás de Maguinha.
A eleição mostrou, mais uma vez, que pesquisa é retrato de um momento e não resultado eleitoral.
A urna é o resultado.
E o PT?
O PT tinha uma cadeira em disputa no Espírito Santo com Fabiano Contarato.
O resultado foi desfavorável ao partido.
Contarato terminou em quarto lugar, com 12,94%, e não conseguiu renovar o mandato.
A derrota também ocorre em um cenário no qual a esquerda tinha outros nomes na disputa, como Professor Fabian, do PSOL, que recebeu 1,06%.
A candidatura petista, portanto, ficou distante das duas vagas conquistadas por Casagrande e Evair.
Para Contarato, resta agora concluir o mandato em janeiro de 2027.
O que fica da votação de Maguinha
Os 761.722 votos não produziram um mandato, mas produziram um resultado eleitoral expressivo.
Maguinha foi a terceira colocada.
Foi a primeira entre os candidatos derrotados.
Superou um senador do PT que tentava a reeleição.
Superou outro senador, Marcos do Val.
Superou um deputado estadual e ex-prefeito.
Superou uma ex-senadora.
E fez isso em sua primeira disputa eleitoral.
Esses são os dados objetivos da eleição.
Não é possível transformar esses números automaticamente em garantia de uma futura candidatura ou mandato. Mas é perfeitamente possível registrar o tamanho da votação conquistada.
O segundo turno do governo e a continuidade política
Enquanto a eleição para o Senado terminou no primeiro turno, a disputa pelo Governo do Espírito Santo continua.
Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Antes da eleição, a Quaest divulgada em 25 de setembro apontava Ferraço com 33%, Pazolini com 31% e o petista Helder Salomão com 12%, dentro de uma margem de erro de três pontos percentuais.
Maguinha declarou que seguirá apoiando Pazolini nessa segunda etapa da disputa.
Assim, mesmo sem conquistar a cadeira no Senado, ela continua participando diretamente da disputa política capixaba.
A eleição terminou, mas o resultado deixou recados
O Espírito Santo elegeu dois novos senadores: Renato Casagrande e Evair de Melo.
Mas a disputa deixou outros fatos importantes.
Maguinha Malta terminou em terceiro com 761.722 votos.
Fabiano Contarato terminou em quarto e perdeu a tentativa de reeleição.
Marcos do Val terminou em sexto e também deixou de renovar o mandato.
Rose de Freitas ficou em sétimo e não retornará ao Senado.
Sergio Meneguelli também ficará sem mandato a partir de 2027.
A ironia está justamente aí: alguns candidatos chegaram às urnas carregando mandatos, experiência e décadas de trajetória política. Uma estreante chegou sem mandato e saiu da eleição com uma votação maior do que a de dois senadores em exercício.
No fim, porém, a regra é simples.
O eleitor escolhe. A urna registra. E o resultado precisa ser respeitado.
Maguinha não ganhou uma das duas cadeiras, mas terminou a disputa como a terceira candidata mais votada do Espírito Santo.
Contarato e Marcos do Val, por outro lado, tinham cadeiras no Senado e terminaram a eleição sem conseguir renová-las.
A pesquisa mostrou tendências. A urna deu o veredito eleitoral.
E, no Espírito Santo, esse veredito colocou Casagrande e Evair no Senado, Maguinha em terceiro e dois senadores candidatos à reeleição — Contarato e Do Val — fora da próxima composição da Casa.