Rui Costa e Jaques Wagner são eleitos para o Senado pela Bahia, apesar de turbulências políticas

Rui Costa e Jaques Wagner são eleitos para o Senado pela Bahia, apesar de turbulências políticas

Dupla do PT conquista as duas vagas da Bahia no Senado em 2026; Rui Costa fica em primeiro, e Jaques Wagner garante a reeleição após uma campanha marcada por forte disputa e questionamentos políticos

A Bahia decidiu manter dois nomes ligados ao PT no Senado Federal. Rui Costa e Jaques Wagner foram eleitos senadores pelo estado nas eleições de 2026, ocupando as duas cadeiras que estavam em disputa.

Rui Costa terminou na primeira colocação, com 4.335.196 votos, ou 30,07% dos votos válidos, enquanto Jaques Wagner ficou com a segunda vaga, alcançando 3.986.690 votos, equivalentes a 27,65%. Angelo Coronel terminou em terceiro, com 20,11%, seguido por João Roma, do PL, com aproximadamente 19,97%.

O resultado confirma uma particularidade da eleição baiana de 2026: foi o único estado brasileiro em que os dois candidatos eleitos para o Senado pertencem ao PT.

Rui Costa retorna ao Congresso como senador

A eleição representa um novo capítulo na trajetória política de Rui Costa.

Economista formado pela Universidade Federal da Bahia, Rui Costa nasceu em Salvador e iniciou sua trajetória política em movimentos sindicais. Depois, foi vereador de Salvador, deputado federal e ocupou diferentes funções no governo baiano.

Entre 2015 e 2022, comandou o Governo da Bahia por dois mandatos. Em 2023, deixou o estado para assumir a Casa Civil da Presidência da República, permanecendo no cargo até abril de 2026.

Agora, retorna ao Legislativo, desta vez para cumprir um mandato de oito anos no Senado, com início em 1º de fevereiro de 2027.

Jaques Wagner consegue a reeleição

Para Jaques Wagner, o resultado representa a continuidade de uma longa carreira política.

Wagner foi governador da Bahia entre 2007 e 2014, deputado federal por três mandatos, ministro do Trabalho, ministro da Defesa e ministro-chefe da Casa Civil. Em 2018, foi eleito senador pela Bahia e agora conquistou mais oito anos no Senado.

Sua reeleição ocorre depois de uma campanha especialmente turbulenta, marcada por investigações relacionadas ao caso Banco Master e por acusações feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que Wagner nega.

As acusações envolvendo Wagner

Um dos episódios mais relevantes da campanha envolveu a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, relacionada a suspeitas envolvendo o Banco Master.

Em junho, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado e afirmou que sua prioridade seria defender sua inocência e disputar a reeleição.

Posteriormente, uma proposta de delação de Daniel Vorcaro trouxe acusações contra um grupo político que, segundo o banqueiro, estaria ligado a Wagner. A reportagem que divulgou o conteúdo também registrou que a proposta de delação foi rejeitada por falta de elementos mínimos de corroboração, e Wagner classificou as declarações como falsas e oportunistas.

Esse ponto é fundamental: acusação não equivale a condenação, e os episódios ainda precisam ser analisados pelas autoridades competentes.

Mesmo com toda essa turbulência, o eleitorado baiano decidiu conceder a Wagner mais um mandato.

E a ironia do resultado?

A política, mais uma vez, mostrou que eleição é feita na urna — e não apenas nas manchetes.

Durante a campanha, os dois nomes do PT chegaram ao momento decisivo cercados por uma disputa intensa. Do outro lado estavam candidatos como Angelo Coronel e João Roma, que terminaram próximos entre si, mas não conseguiram alcançar as duas primeiras posições.

Na reta final, a pesquisa Quaest divulgada em 3 de outubro já apontava Rui Costa com 33% e Jaques Wagner com 30% dos votos válidos, enquanto Angelo Coronel e João Roma apareciam atrás. A margem de erro era de dois pontos percentuais.

No dia da votação, a pesquisa virou resultado oficial.

A Bahia tinha duas cadeiras.

E as duas foram para o PT.

Uma resposta das urnas

O resultado também demonstra a força política que Rui Costa e Jaques Wagner ainda mantêm no estado.

Independentemente das críticas, investigações ou controvérsias que cercaram a campanha, os eleitores tiveram a palavra final.

E a resposta foi clara: Rui Costa e Jaques Wagner foram eleitos para representar a Bahia no Senado Federal a partir de 2027.

Os dois terão agora oito anos de mandato pela frente e deverão responder politicamente pelas suas escolhas e pelo desempenho de seus mandatos.

A eleição termina, mas a cobrança começa no dia seguinte.

O novo capítulo

Rui Costa chega ao Senado depois de deixar o comando da Casa Civil. Wagner permanece na Casa e inicia uma nova etapa de sua trajetória parlamentar.

A partir de fevereiro de 2027, os dois terão pela frente a responsabilidade de representar um estado com enorme peso político e econômico no país.

O eleitor fez sua escolha.

Rui Costa foi o primeiro colocado. Jaques Wagner garantiu a segunda vaga. Angelo Coronel e João Roma ficaram de fora.

E fica registrado o contraste que marcou a eleição: apesar de uma campanha atravessada por investigações, acusações e forte disputa política, os dois candidatos do PT conseguiram conquistar as duas cadeiras disponíveis para a Bahia.

Agora, caberá ao Senado, às instituições e à sociedade acompanhar os próximos capítulos — enquanto aos eleitos caberá transformar os votos recebidos em atuação parlamentar e prestação de contas aos baianos.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags