PF aponta que sócio de Daniel Vorcaro bancou ingressos para shows de Taylor Swift para familiares de Jaques Wagner

PF aponta que sócio de Daniel Vorcaro bancou ingressos para shows de Taylor Swift para familiares de Jaques Wagner

Investigação do caso Banco Master cita viagens aos EUA, camarotes em São Paulo, supostos repasses financeiros e um apartamento de R$ 2,45 milhões; senador nega irregularidades

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master revelaram um novo capítulo envolvendo o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com documentos que embasaram a mais recente fase da Operação Compliance Zero, o empresário Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, teria custeado ingressos para shows da cantora americana Taylor Swift destinados a familiares do senador, além de manter uma relação de proximidade que, segundo os investigadores, favorecia discussões sobre interesses da instituição financeira.

Segundo informações obtidas pela PF e divulgadas pelo jornal O Globo, uma das despesas envolveu ingressos para a turnê mundial The Eras Tour, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em agosto de 2023. A viagem teria sido feita por uma filha e uma neta de Jaques Wagner, e os bilhetes, convertidos para reais, custaram cerca de R$ 63,3 mil.

Shows nos Estados Unidos e em São Paulo aparecem na investigação

Ainda conforme os investigadores, três meses depois Augusto Lima teria comprado ingressos de camarote para outra apresentação de Taylor Swift, desta vez em São Paulo, durante a passagem da artista pelo Brasil.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que, na véspera do evento, Jaques Wagner teria solicitado os chamados “ingressos de sábado” ao empresário. A troca de mensagens também mostra que, posteriormente, teriam sido pedidos mais dois ingressos para convidados.

Para a PF, a relação entre o senador e Augusto Lima era marcada por um elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, segundo a corporação, poderia ter criado um ambiente favorável para negociações relacionadas aos interesses privados do Banco Master.

André Mendonça autorizou nova fase da operação

Na decisão que autorizou a nova etapa da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Augusto Lima teria atuado como interlocutor entre Jaques Wagner e o Banco Master em assuntos considerados estratégicos para a instituição.

As investigações mencionam conversas sobre classificação de risco do banco, estrutura societária, discussões envolvendo uma CPI e até a operação de compra do Banco Master pelo BRB, que acabou sendo barrada pelo Banco Central.

PF também investiga apartamento milionário em Salvador

Além dos episódios envolvendo os shows da cantora americana, a Polícia Federal apura outros benefícios supostamente recebidos pelo senador.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão indícios de pagamentos realizados por meio de uma empresa ligada à família do parlamentar, viagens frequentes em aeronaves particulares de Daniel Vorcaro e a aquisição de um apartamento localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador.

O imóvel, situado em uma das regiões mais valorizadas da capital baiana, é avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. Segundo a PF, as negociações em torno da propriedade continuaram mesmo após o início das investigações sobre o caso Banco Master.

Relação entre Jaques Wagner e empresários começou anos antes

A apuração também recupera fatos ocorridos em 2018, quando Jaques Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Na ocasião, Augusto Lima teria participado de discussões relacionadas à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).

Segundo a investigação, propostas surgidas naquele período deram origem ao projeto Credcesta, que posteriormente passou a ser controlado pelo Banco Master.

Senador nega irregularidades e afirma confiar nas investigações

Em nota divulgada por sua assessoria, Jaques Wagner afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde a nenhum processo relacionado aos fatos investigados.

O parlamentar negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira e declarou que acompanha as investigações com tranquilidade.

Sobre o apartamento citado pela Polícia Federal, a defesa sustenta que o imóvel nunca integrou o patrimônio do senador. Em relação aos valores em espécie apreendidos durante a operação, a assessoria informou que se tratam de recursos legais, declarados e provenientes de diárias não utilizadas em missões oficiais.

Por fim, Jaques Wagner reiterou que permanece à disposição das autoridades e afirmou confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo das investigações.

Até o momento, as apurações seguem em andamento, e não há condenações ou acusações formais contra o senador no âmbito do caso Banco Master.

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