
Carlos Viana aciona TSE contra Ivete Sangalo após cantora fazer gesto de “L” em show em Belo Horizonte
Senador e candidato à reeleição afirma que manifestação durante apresentação no Mineirinho pode caracterizar showmício e pede preservação das imagens e apuração pela Justiça Eleitoral
O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a cantora Ivete Sangalo após um episódio ocorrido durante um show em Belo Horizonte, em 19 de setembro. Segundo o parlamentar, parte do público gritou o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a artista respondeu fazendo com a mão o gesto de “L”, tradicionalmente associado ao petista.
A representação apresentada por Viana pede que a Justiça Eleitoral apure se a manifestação ultrapassou os limites de uma manifestação política espontânea e poderia configurar showmício, modalidade proibida pela legislação eleitoral.
O senador também solicitou a preservação dos vídeos do evento e pediu que seja analisada a eventual existência de coordenação entre a manifestação da cantora e a campanha eleitoral de Lula.
O episódio no Mineirinho
O gesto aconteceu durante a turnê “Ivete Clareou”, realizada na área externa do Mineirinho, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram parte do público gritando em apoio a Lula. Na sequência, Ivete sorri e levanta a mão formando a letra “L”. A cena rapidamente passou a circular nas redes sociais e provocou reações políticas.
Para Viana, o fato de a manifestação ter ocorrido em um evento com cobrança de ingresso não elimina a necessidade de verificar se houve participação eleitoral organizada.
“Show com ingresso pago virou comício”, afirmou o senador ao comentar o episódio.
O que Viana pede ao TSE
Na representação, Viana solicita que sejam preservadas as imagens do show e que a Justiça Eleitoral investigue as circunstâncias da manifestação.
O parlamentar também pede que seja avaliada eventual aplicação de multa de R$ 100 mil por evento, caso uma conduta semelhante volte a ocorrer.
A argumentação apresentada pelo senador se baseia na proibição dos chamados showmícios durante o período eleitoral. Ao mesmo tempo, a própria representação reconhece que artistas possuem liberdade para manifestar suas preferências políticas. O ponto levado ao TSE é verificar se, naquele episódio específico, houve algo além de uma manifestação espontânea.
Ivete já havia feito o gesto em apoio a Lula
O episódio de Belo Horizonte não é o primeiro registro público de Ivete Sangalo fazendo o “L” durante uma manifestação de apoiadores de Lula.
Em outubro de 2022, durante um show em Salvador, a cantora também acompanhou manifestações da plateia favoráveis ao então candidato e fez o gesto associado ao petista. Na ocasião, Ivete chegou a comentar sobre a vontade manifestada pelo público.
A repetição do gesto é um dos elementos que ajudam a explicar a repercussão política do episódio atual, embora a representação de Viana tenha como objeto específico a apresentação realizada em Belo Horizonte.
Caso de Luísa Sonza
A iniciativa contra Ivete ocorreu um dia depois de Carlos Viana também apresentar representação contra a cantora Luísa Sonza.
No caso de Sonza, o senador questionou uma manifestação realizada durante um festival em Londrina (PR), na qual a cantora pediu ao público que votasse em Lula. Viana solicitou à Justiça Eleitoral que investigasse se a manifestação havia sido espontânea ou se existia algum tipo de coordenação com a campanha presidencial.
Os dois episódios passaram a integrar a mesma discussão eleitoral: de um lado, a liberdade de artistas para expressar suas posições políticas; de outro, a proibição de transformar apresentações artísticas em atos de campanha caracterizados como showmícios.
O que ainda precisa ser definido
O simples gesto de uma artista durante um show não significa automaticamente que tenha ocorrido um showmício. Para caracterizar eventual irregularidade eleitoral, será necessário analisar o contexto, a existência ou não de pedido explícito de voto, eventual participação de campanha, financiamento, organização ou outras circunstâncias relevantes.
Por isso, a representação de Carlos Viana busca justamente levar essas questões ao TSE.
Até o momento, a ação representa um pedido de investigação, e não uma decisão judicial reconhecendo que Ivete Sangalo tenha cometido irregularidade eleitoral.
O caso coloca novamente no centro do debate eleitoral de 2026 os limites entre liberdade de expressão política, manifestações espontâneas de artistas e propaganda eleitoral irregular. A palavra final caberá à Justiça Eleitoral após a análise dos elementos apresentados na representação.