
Casamento do filho de Alexandre de Moraes reúne cúpula do Judiciário e mobiliza forte esquema de segurança
Cerimônia de Alexandre Barci de Moraes e Thaís ocorreu na Casa Fasano, em São Paulo, com presença de ministros do STF e STJ, PGR, ex-presidente e senador; ruas, ciclovia e acesso de pedestres foram restringidos
O casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de Viviane Barci de Moraes, realizado no sábado (26), em São Paulo, reuniu integrantes da cúpula do Judiciário, do Ministério Público e outras autoridades. A cerimônia aconteceu na Casa Fasano, na região da Cidade Jardim, zona Sul da capital paulista, em meio a um forte esquema de segurança.
Alexandre Barci de Moraes se casou com Thaís, cujo sobrenome não foi divulgado nas reportagens. A cerimônia foi celebrada por Gabriel Chalita, escritor, ex-deputado e ex-vereador, que é amigo de Alexandre Barci e da família Moraes.
Presença de ministros do STF, STJ e PGR
Entre os convidados estavam os ministros do STF Gilmar Mendes e Flávio Dino, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Também participaram integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre eles Luís Felipe Salomão, presidente da Corte, e Benedito Gonçalves, corregedor nacional de Justiça. O evento contou ainda com a presença do ex-presidente Michel Temer e do senador Rodrigo Pacheco, recentemente nomeado para o Tribunal de Contas da União (TCU).
A concentração de autoridades de diferentes instituições do sistema de Justiça em uma celebração familiar chamou atenção justamente pelo momento político e institucional vivido pelo país.
O casamento ocorreu enquanto seguem as repercussões do caso Banco Master, que envolve investigações e questionamentos sobre relações do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, com diferentes integrantes do Judiciário e pessoas ligadas a autoridades.
É importante destacar, porém, que a presença de uma autoridade em um evento social não constitui, por si só, prova de qualquer irregularidade.
Forte esquema de segurança fecha ruas e restringe circulação
O aparato de segurança foi um dos aspectos que mais chamou atenção.
A operação envolveu a Polícia Judicial, a Polícia Militar de São Paulo, a Guarda Civil Metropolitana, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), além de agentes da Romu e da Rocam.
Segundo as informações divulgadas, o acesso foi restringido em um raio de aproximadamente 200 metros da Casa Fasano. Ruas foram bloqueadas, pedestres tiveram a circulação limitada e uma passagem utilizada por ciclistas, além de trecho do Parque Linear Bruno Covas, também foi interditada.
O uso de drones na região também foi proibido. O esquema foi montado diante do receio de manifestações relacionadas à crise envolvendo Alexandre de Moraes e as recentes repercussões do caso Banco Master.
Apesar do aparato, não houve registro de protestos organizados nas proximidades da cerimônia. Segundo relatos publicados pela imprensa, alguns motoristas que passaram pelo local fizeram buzinaços e proferiram manifestações verbais contra o evento.
Empresário relata agressão durante bloqueio
O esquema de segurança acabou envolvendo também um episódio de confronto com o empresário Gabriel Rocha Kanner, sobrinho do empresário Flávio Rocha.
Kanner afirmou que retornava para casa quando encontrou o bloqueio na região. Segundo seu relato, policiais e seguranças determinaram que ele retornasse. O empresário então desceu do veículo e começou a filmar a interdição.
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, um homem responsável pela segurança aparece derrubando o celular que Kanner segurava. O empresário afirmou que o segurança o agrediu. O Metrópoles informou que procurou a Casa Fasano, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.
O episódio merece esclarecimento. É necessário distinguir aquilo que aparece nas imagens — o celular sendo derrubado — das demais alegações feitas pelo empresário, que deverão ser apuradas. Também é relevante esclarecer quem determinou o bloqueio, quais eram as autorizações existentes e quais eram os limites de atuação dos agentes públicos e dos seguranças privados.
O contexto do Banco Master aumenta a repercussão
O casamento ocorreu em um momento particularmente sensível para Alexandre de Moraes por causa das informações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Reportagens recentes mencionaram contratos envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, incluindo um contrato de R$ 131 milhões e outro negócio de R$ 50 milhões relacionado a cotas de aeronaves. Também foram divulgadas informações sobre cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos do ministro.
Essas informações constam de documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal,